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COAR faz comparativo de casos de H1N1 e Covid-19 levantados entre janeiro a maio de 2019/2020 em Teresina

A Covid-19 é dez vezes mais letal do que o H1N1, alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS). Mesmo assim alguns perfis de usuários piauienses na internet, incluindo empresários locais da extrema direta, duvidam dessa informação e publicam conteúdos questionando as medidas de isolamento social adotadas em Teresina.

Em diversos conteúdos, os usuários reafirmam que os decretos municipais de isolamento são exagerados e manipuladores. Além disso, os usuários ignoram as estatísticas sobre os casos de infectados e óbitos causados pelo novo coronavírus e creditam que houve mais mortes ou infectados por outras doenças em anos anteriores do que provocados por Covid-19. De antemão, a COAR realizou um comparativo para expor os equívocos dessas declarações sobre a pandemia no estado do Piauí.

Alguns usuários de Teresina questionam dados oficiais

A COAR buscou dados para comparação da situação atual em boletins epidemiológicos disponibilizados na íntegra pela Secretaria de Saúde do Estado (Sesapi), Fundação Municipal de Saúde (FMS) e Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen).

No primeiro trimestre de 2020, em todo o estado, foi confirmado um aumento em 1.500% de casos de H1N1 em relação ao mesmo período no ano de 2019 segundo levantamento feito pelo Laboratório Central de Saúde no Piauí (Lacen).

Números de casos de H1N1 e Covid-19 em 2020

Conforme informações apuradas, a COAR levantou que foram 128 testes positivos para H1N1 no Piauí somente nos primeiros meses deste ano, de janeiro a março. De acordo com o Lacen nesse mesmo período: 47 óbitos ao todo, sendo 8 de Covid-19, 7 de H1N1, 10 provocados por outros vírus e 22 devido outras causas.

De acordo com dados fornecidos pela FMS, de janeiro ao fim de abril de 2019, houve 6 casos confirmados de H1N1 em Teresina e nenhum óbito registrado por essa causa. Já em 2020, nesse mesmo período, foram notificados 100 casos positivos com 4 resultantes em óbito.

Nesse mesmo período (janeiro ao fim de abril) de 2020 foram registrados, 383 casos de covid-19 com 11 mortes. Um número quase 4 vezes maior em relação aos casos positivos de H1N1.

Até o fim de maio houve um aumento de 1.921 casos positivos para Covid-19 em relação ao mês de abril, totalizando assim 2.304 pessoas infectadas pelo vírus e 78 óbitos a mais, chegando à marca de 89 mortes.

Mais de dois mil casos de Covid-19

Nesta terça-feira (02), o painel epidemiológico da Sesapi mostrou que a capital piauiense alcançou a marca dos 2.531 casos confirmados de infectados com o novo coronavírus e 101 óbitos decorrentes da doença. Ao todo no estado temos 5.828 casos confirmados e 192 óbitos, um número preocupante quando levado em consideração que são decorrentes de uma só doença.

O que diferencia a gravidade entre Covid-19 e H1N1?

A gripe H1N1, ou influenza A, é provocada pelo vírus H1N1, um subtipo do influenzavírus do tipo A. Ele é resultado da combinação de segmentos genéticos do vírus humano da gripe, do vírus da gripe aviária e do vírus da gripe suína, que infectaram porcos simultaneamente.

Existem duas vacinas que protegem contra a infecção pelo H1N1: a trivalente, que imuniza contra dois vírus da influenza A e contra uma cepa do vírus da influenza B, e a vacina tetravalente (ou quadrivalente) que, além desses vírus imuniza contra uma segunda cepa do vírus da influeza B, menos frequente no Brasil e que só deve ser usada a partir dos três anos de idade.

Até o momento, a Covid-19 não possui nenhuma vacina específica. Apenas pesquisas em alguns países estão sendo feitas. Todas ainda seguem em fase de testes, mas sem nenhuma eficácia totalmente comprovada.

O infectologista Carlos Henrique Nery Costa destaca que a gravidade da Covid-19 não se limita apenas à falta de medicação e vacinação.

“Uma diferença substancial entre uma doença e outra é que na Influenza A acontece um fenômeno conhecido como imunidade coletiva, que é a proporção de pessoas que são imunes na população. O que dificulta a contaminação pelo vírus de alguém não imune. Naturalmente as epidemias são controladas por esse fenômeno”.

De acordo com o médico, o número de pessoas com anticorpos capazes de conter a infecção provocada pelo novo coronavírus ainda é pequeno. Não houve até o momento, acúmulo de pessoas resistentes ao vírus, mesmo em países que já passaram pela epidemia, o médico cita os casos da Espanha e da Itália, como exemplos.

“É possível que a imunidade não seja gerada por anticorpos, existem outros tipos de imunidade, como a celular, que o teste de anticorpo não mede. Há a possibilidade de termos uma imunidade coletiva e basicamente não esteja vendo. É possível, apesar de improvável”, destaca.

Custo econômico x Custo de vida

Para o infectologista Carlos Henrique Nery Costa, as medidas adotadas no município e seus resultados estão muito aquém do que deveria ser feito. Tendo em vista a gravidade da situação de acordo com esses dados, é possível perceber a importância de cumprir o isolamento social à risca.

“São dois valores em jogo, que não são comparáveis facilmente. O custo econômico versus o custo de vida. Os gestores (do estado e município) estão fazendo além do que os apoiadores gostariam (…), mas se a opção for defender e optar pela vida, então tem que ser cumprido a rigor. Senão o custo econômico começa a ficar insuportável. Em algum momento, se as coisas continuarem assim, o resultado vai ser um só: abre, apesar dos pesares, e aí é o desastre completo”, finaliza.

Escrito por: Assislene Carvalho e Marta Alencar

Referências da COAR:

  1. Site Sesapi (Fonte 1; Fonte 2)
  2. Site Drauzio Varella (Gripe H1N1)

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