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DE OLHO: Imagem e áudio que relatam “suposta quadrilha” de pesquisadores da Covid-19 tentando invadir prédio em Teresina

Desde segunda-feira (15), um suposto áudio de uma mulher – não identificada – vem viralizando e sendo compartilhado nas redes sociais de Teresina. No conteúdo, a mulher descreve que pessoas trajadas de pesquisadores da Covid-19 tentaram entrar em um condomínio para a realização, supostamente, de testagem rápida nos moradores. O áudio se espalhou juntamente com a imagem de uma câmera de segurança do local. Descrição do áudio:

Gente… Acabou de passar no prédio aqui da Keila. Provavelmente uma quadrilha, de quatro ou cinco mulheres vestidas de verde, dizendo que queriam fazer o teste pra Covid e que o prédio tinha sido sorteado. O Alexandre – porteiro, não deixou entrar, quando disse que ia chamar a síndica, elas não esperaram e foram embora. Então, todo mundo, que mora aqui perto, “avisem” pros síndicos ou pras portarias dos prédios de vocês, que isso tá acontecendo, ta bom?

Primeiramente, a COAR analisou os dois conteúdos, tanto a imagem como o áudio, já que ambos são compartilhados em grupos de WhatsApp. Nem o áudio ou mesmo a imagem – verificados e analisados por ferramentas da COAR – revelaram se realmente o local consta ser de Teresina. A COAR fez uma análise minuciosa da imagem compartilhada, para a verificação de alguma semelhança com outra na internet, e não conseguiu encontrar alguma anterior a esta suposta denúncia. Na imagem, é possível identificar que há quatro mulheres trajadas com roupas recomendadas para profissionais de saúde e com crachás – no entanto, a imagem de segurança não mostra claramente o crachá.

Imagem da equipe na portaria do prédio

Outra constatação é que as vestimentas usadas pelas supostas agentes de saúde não são compatíveis com as utilizadas pelos integrantes do Instituto Amostragem (Instituto Piauiense de Opinião Pública) – responsável pela realização dos testes rápidos em parceira com Secretaria de Saúde do Estado (Sesapi) para a medição da taxa de infecção da população.

Segundo consta no perfil do Amostragem no Instagram, as equipes responsáveis pelos testes sorológicos são compostas por duas pessoas: sendo um pesquisador que realiza o questionário e um profissional da saúde que realiza o teste (um enfermeiro, técnico de enfermagem, bioquímico ou biomédico). A residência é escolhida por meio de um sorteio probabilístico e apenas uma pessoa da residência é testada, caso conste positivo, o resto dos moradores submete-se ao procedimento.

O Instituto alerta que os testes são realizados na área externa da residência; os funcionários estão devidamente identificados com crachá, colete com a logomarca da equipe. O uso dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI) é obrigatório, juntamente com o álcool em gel. Ademais, os profissionais andam com um veículo identificado com a logomarca da empresa.

Em segundo lugar, a COAR entrou em contato com a assessoria do Instituto Amostragem para constatar se os integrantes da imagem são ou não funcionários da empresa. A assessoria informou que não correspondem aos seus profissionais e salientou que a maioria usa avental amarelo e/ou farda verde, além de só andarem em duplas. Inclusive, informou-nos que não há profissionais realizando testes atualmente e que a próxima etapa ainda está em planejamento, possivelmente sendo realizada no dia 20 desse mês.

Em contrapartida, a Fundação Municipal de Saúde (FMS), declarou que há equipes da prefeitura fazendo o mesmo serviço que a iniciativa da Amostragem, que inclusive faz uma investigação sorológica em parceira com o Instituto Opinar. Contudo pela verificação das imagens, não foi possível uma confirmação que seja ou não funcionários ligados ao órgão, segundo informou a assessoria da FMS.

Em contato com a Secretaria de Saúde do Estado (Sesapi), o órgão informou que há uma parceria com a Associação Piauiense de Municípios (APPM), que vem realizando em 15 municípios do Piauí, o Programa Busca Ativa. A ação busca identificar pessoas contaminadas pelo novo coronavírus nas seguintes cidades:  Esperantina, Água Branca, Angical, Agricolândia, Hugo Napoleão, Batalha, Novo Santo Antônio, Pio IX, Piracuruca, São Gonçalo, Santo Antônio dos Milagres, São Pedro do Piauí, Socorro do Piauí, Luzilândia, Regeneração e Simplício Mendes, além de Teresina. Mas conforme apuração da imagem, a Sesapi informou que não representa nenhum profissional que realiza o Programa Busca Ativa.

Para finalizar, a COAR entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Piauí, que informou que a Polícia Civil não foi notificada de qualquer denúncia e nem mesmo registrado Boletim de Ocorrência.

Convém lembrar que dia 3 de junho, o Governo do Estado já havia desmentindo boato de que existia uma quadrilha praticando crimes se passando por pesquisadores da Covid-19 em Teresina.

Escrito por: Isaac Haron, Wanderson Camêlo, Marta Alencar e Ilrianny Alves

Referências da Coar:

  1. Publicação do Instituto Amostragem no Instagram
  2. Piauí 24h
  3. Governo do Piauí

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