VERIFICAMOS

COVID-19: 212 milhões de brasileiros são “cobaias” de farmacêuticas internacionais? VERIFICAMOS vídeo.

Vídeo divulgado massivamente nas redes sociais, exclusivamente na plataforma Youtube com mais de 50 mil visualizações, alerta que vacinas de Covid-19 produzidas por indústrias farmacêuticas são testadas no Brasil e sem responsabilidade por quaisquer erros ou danos. Além disso, o médico – não identificado – declara no vídeo que o “Brasil é o maior laboratório de ratinhos inocentes a serviço do mal””. O conteúdo divulgado em larga escala vai de encontro a movimentos antivacinas, que crescem em meio a pandemia.

É notório que há uma pressa para o desenvolvimento de uma vacina em tempo recorde para combater à Covid-19. Em matéria atualizada no dia 13 de outubro, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) informa que quatro vacinas foram autorizadas para desenvolvimento no país, após avaliação das condições de resposta às necessidades regulatórias, no caso de eventual registro no futuro, e à segurança dos participantes envolvidos. 

Em entrevista para a COAR, o médico infectologista Carlos Henrique Nery Costa informou que apenas os corticoides demonstraram efeitos favoráveis para pacientes com quadro da doença, entre moderado a grave. “Mas pode ser que surja um medicamento mais efetivo”, declarou.

Inclusive, a Organização Mundial de Saúde (OMS) mostra que corticoides podem reduzir em 20% risco de morte por covid-19, entre os pacientes que necessitam de respiradores e em cerca de um quinto entre os pacientes que requerem apenas oxigenoterapia. A taxa de sobrevivência é de cerca de 68% após o tratamento com corticoides contra 60% na ausência destas substâncias, especificam os autores da análise no comunicado.

Mapa vacinas em teste 3
Foto/Reprodução: Anvisa (2020)

É verdade que existem contratos com os países, que incluem cláusulas de compensação pelo custo de processos contra as empresas farmacêuticas e que isentam de responsabilidade legal suas ações e produtos. Por exemplo, a AstraZeneca chegou a um acordo com cerca de 25 países que estão testando sua vacina experimental, desenvolvida pela Universidade de Oxford. A AstraZeneca é a segunda maior farmacêutica do Reino Unido e prometeu o fornecimento de bilhões de doses em acordos com os Estados Unidos, países europeus e o Brasil. Em reportagem do G1, Ruud Dobber, executivo da farmacêutica, declara que a empresa está protegida de eventuais processos de países que assinaram contratos para fornecimento, como o Brasil.

 Além disso, há uma emenda à Declaração sob a Lei de Prontidão Pública e Preparação para Emergências para Contramedidas Médicas Contra COVID-19 (Lei PREP), atualizada em abril, que fornece imunidade de responsabilidade a certos indivíduos e entidades (Pessoas Cobertas) contra qualquer reclamação de perda causada por, decorrente de, relacionado a, ou resultante da fabricação, distribuição, administração ou uso de contramedidas médicas (Contramedidas Cobertas), exceto para reivindicações envolvendo “má conduta intencional”.

No dia 8, o Ministério da Saúde anunciou que garantiu cerca de 142 milhões de doses de vacinas e que espera concluir a vacinação dos grupos prioritários ainda no primeiro trimestre de 2021, conforme reportagem no site Metropóles. Ainda na matéria em destaque, o Ministério da Saúde confirmou que o consórcio internacional autorizará ao país obter imunizações que estão sendo desenvolvidas por nove laboratórios: Inovio, Moderna, Curevac, ThemisMerk, Oxford/AstraZeneca, Novavax, Universidade Queensland, Clover e Universidade de Hong Kong.

Ainda segundo o médico infectologista, o risco pela aceleração na fabricação dessas vacinas é pequeno, pois as vantagens são imensas. “Existem centenas de vacinas sendo testadas. Os fabricantes antecipam a produção antes dos testes serem encerrados”, disse Carlos Henrique Nery Costa.

Mais informações sobre as vacinas e testes, a COAR está acompanhando. Mas é importante ressaltar que as vacinas estão sendo testadas e acompanhadas por vários órgãos de saúde com a intenção de obter um medicamento eficaz que possa salvar vidas e não o contrário.

Caso você receba mensagens com informações duvidosas, questione e não compartilhe. Entre em contato conosco por meio do WhatsApp: (86) 99517-9773 ou pelo Instagram @coarnoticias.

Escrito por: Marta Alencar

Referências da COAR:

Anvisa

Metrópoles

The Incercept

G1

Uol

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