Quatro médicos cubanos processam Organização Pan-Americana de Saúde e não o Brasil

Em ano eleitoral, há um aumento estrondoso de desinformações na internet. O Programa Mais Médicos vem sendo alvo constante de fake news. Na época, o programa foi criado para aumentar o número de profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) em regiões mais afastadas e carentes, com priorização para médicos formados ou registrados no Brasil. Mais de 10 mil cubanos trabalharam no Brasil mediante acordo intermediado pela Opas (Organização Pan-Americana de Saúde).

A COAR observou, acompanhou e analisou em milhares de páginas, a divulgação de um post feito no Instagram pelo deputado federal, Filipe Rodrigues, do Partido Liberal (PL), que tenta pregar que o programa Mais Médicos, implantado na época do governo petista, promovia o trabalho escravo de médicos cubanos no país. O que não é verdade. 

Constatamos a viralização do conteúdo utilizando a ferramenta CrowdTangle. Em seguida buscamos reportagens a respeito do caso, o que nos levou a encontrar o processo original movido pelos médicos cubanos, no Portal de Transparência  do Governo dos Estados Unidos (United States Government Publishing Office (GPO) , que é uma agência federal no poder legislativo.

A COAR apurou que o processo é movido por quatro médicos cubanos, que participaram do Programa Mais Médicos e que atualmente vivem em Miami: Ramona Matos Rodriguez, Tatiana Carballo Gomez, Fidel Cruz Hernandez e Russela Margarita Rivero Sarabia. Segundo o documento, os médicos cubanos processam representantes da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), sob a acusação de trabalho forçado e tráfico humano. E não há qualquer menção de representantes do governo do Brasil como réus no processo.

“Os demandantes, quatro médicos cubanos que vivem nos Estados Unidos, alegam que foram vítimas do programa Mais Médicos, uma missão médica operada pelo governo brasileiro em conjunto com Cuba, de 2013 a 2017. Os demandantes, no entanto, não mencionam Cuba ou Brasil como réus neste processo. Em vez disso, eles trazem essa suposta ação coletiva contra a Organização Pan-Americana de Saúde”, introduz o documento.

Diante da verificação, conclui-se como falsa, o conteúdo viralizado nas redes sociais, uma vez que o processo é movido pelos médicos cubanos contra a Opas, e não faz referência ao Brasil ou ao governo do PT, como acusam as publicações.

A COAR ressalta que ao receber uma mensagem duvidosa, desconfie e não forneça seus dados antes de ter certeza de que é verdadeira. Qualquer dúvida nos contate pelo contato ou nosso email coarnews@gmail.com ou mesmo pelo Instagram (@coarnoticias).

Matéria escrita por Marta Alencar, Leonardo Lima e Dauryda Luana

Referências:

Site Governo Federal

United States Government Publishing Office (GPO)

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