Bolsonaro levou água para o Nordeste? COAMOS

Por: Adélia Machado, Wanderson Camêlo e Marta Alencar

Etiqueta: COAMOS

Com a corrida eleitoral para presidência do Brasil, a pauta sobre a Transposição do Rio São Francisco ganhou destaque nos debates e propagandas eleitorais. O atual chefe do executivo, Jair Bolsonaro (PL) utiliza das suas redes sociais e espaços de falas para se referir à obra de transposição como tendo sido finalizada em seu governo e solucionado o problema histórico da seca no Nordeste.

No último domingo (16), durante o primeiro debate do 2° turno transmitido e organizado pela rede Bandeirantes, Jair Bolsonaro declarou erroneamente mais uma vez, que levou água para o Nordeste. O candidato do PL proferiu: “Pegamos uma obra parada há quase 10 anos. O senhor negou água para nordestino e eu levei água”. A COAR, então, checou todas as informações e dados sobre as obras para averiguar os discursos proferidos.

Transposição do Rio São Francisco

A Transposição do Rio São Francisco foi um projeto criado durante o governo do ex-presidente Lula (PT). Os primeiros movimentos da obra foram iniciados em 2007. O objetivo do projeto sempre foi claro, abastecer os rios de municípios do Nordeste que perdem volume durante o período de estiagem. Durante os anos que se sucederam o período de conclusão foi alterado algumas vezes, em primeiro momento, a promessa era de que em 2012 a obra estaria concluída.

Sem a finalização das obras no período prometido, o projeto sofreu algumas alterações. Como destacou o portal O Estadão em matéria do dia 20 de maio deste ano, referente à checagem de informação sobre um conteúdo envolvendo a transposição, a conclusão dos serviços foi prorrogada para 2015, durante, portanto, a gestão da também petista Dilma Rousseff. Naquele ano aconteceu a entrega da primeira estação de bombeamento da obra, no eixo Norte. Já o eixo leste foi inaugurado dois anos depois, ou seja, pelo então presidente, Michel Temer (MDB).

Em 2016, 86,3% das obras da transposição estavam concluídas, segundo um relatório do Ministério da Integração Nacional. Naquele ano, o país ainda estava sob o governo de Dilma Rousseff (PT).

No período da troca de governo, em 2019, as obras da Transposição do Rio São Francisco já estavam 90% concluídas. Apesar dos dados, o atual presidente e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro, utiliza da transposição como uma de suas obras e projetos, além de afirmar que foi concluída em seu governo.

Em discursos, o presidente Jair Bolsonaro declara que o problema da seca está resolvido no Nordeste, com a liberação da água do eixo norte da transposição do rio São Francisco, no entanto, o histórico problema hídrico da região permanece sem perspectiva de chegar ao fim. Além de a transposição beneficiar apenas 4 dos 9 estados nordestinos (Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará), a água chega de forma limitada nesses locais, mesmo sendo localidades beneficiadas.

É importante pontuar que  o projeto se encontra longe do final e distante dos objetivos centrais. De acordo com o site do Ministério do Desenvolvimento Regional, atualizado em 2021, muitos serviços ainda não foram concluídos como o tratamento dos taludes, melhoria de estradas de acesso, execução de sistema para águas pluviais e instalação de equipamentos auxiliares de monitoramento. Além dos discursos ao longo dos debates, conteúdos também encontrados nas redes sociais, entre tuítes averiguados pela COAR, defendem que o problema da seca no Nordeste foi resolvido graças à Transposição do Rio São Francisco.

Poços – o que foi feito no governo Bolsonaro?

Durante a campanha de 2018, o atual chefe do executivo utilizou do discurso da construção de poços artesianos como principal promessa para o Nordeste. No entanto, a promessa não foi cumprida, apesar de algumas escavações terem sido feitas na região, não foram concluídas.

Muitas localidades no Piauí, por exemplo, tiveram seus sonhos interrompidos em relação à água potável ainda em 2020. A zona rural de Oeiras foi uma das localidades contempladas pelo projeto do governo de Jair Bolsonaro em 2020, a chamada “força-tarefa das águas”, mas, depois de dois anos, as obras não foram concluídas e as bombas de retirada de água não foram instaladas. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

Mas essa realidade não se centra apenas no interior de Oeiras, se estende por toda a região Nordeste, que em alguns casos não tiveram as obras concluídas, em outras localidades não possuem bomba e até mesmo quando existe todo o aparato, não possui potência para abastecer todas as casas.

Por trás dessas obras inacabadas existem inúmeras irregularidades. De acordo com a análise do Estadão, os contratos para a construção dos poços no Nordeste somam R$ 1,2 bilhão, além disso, documentos mostram irregularidades em pregões milionários e reservas de recursos para novos poços sem a conclusão de obras antes iniciadas. 

Portanto, é falso que o atual presidente do Brasil e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), tenha concluído as obras da transposição do Rio São Francisco. Além de 90% das obras já se encontrarem concluídas no início de seu mandato, a continuidade dada durante os últimos anos, não alcançou a porcentagem de conclusão.

Insistência no compartilhamento da desinformação

A COAR acompanhou as redes sociais nos últimos dias e observou que, após o fim das apurações do 1° turno das eleições presidenciais no Brasil, o número de publicações atribuindo a obra da transposição do Rio São Francisco ao governo Bolsonaro mais que duplicou.

A informação falsa continua ganhando destaque e engajamento nas redes sociais, o que gera desinformação, dúvida e pode influenciar diretamente na escolha dos eleitores no 2° turno das eleições. As publicações, em sua maioria, utilizam do sensacionalismo, atacam diretamente o povo nordestino e o candidato à presidência pelo partido do PT, Lula, além de utilizar, em sua totalidade, do discurso de ódio.

Além dos eleitores, o presidente Bolsonaro insiste em propagar vídeos e declarações em suas redes sociais, dando destaque a transposição do Rio São Francisco. O número de publicações com essa pauta aumentou depois do primeiro turno, pois o candidato sempre apresenta a obra como criada, desenvolvida e concluída em seu governo, ou seja, ele utiliza do projeto, criado em governos anteriores, como um dos elementos principais para o seu discurso de campanha do 2° turno, visto o desejo de conquistar eleitores da Região Nordeste. O engajamento nas publicações com essa pauta são altas, tanto no quesito de curtidas, quanto de compartilhamentos.

Referências da COAR:

Ministério da Integração Nacional

Estadão

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