Cajucultura do sertão: renda, educação e tecnologia para gerações no Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte

Por Marta Alencar

Fruto aromático de onde se aproveita tudo, da polpa à castanha. Podendo ser amarelo, vermelho ou de cores mistas, o cajueiro é o milagre do sertão. Podendo ser denominado de várias formas, pois é citado desde o século 16, quando o frade franciscano e escritor francês André Thevet já descrevia esta pequena árvore de frutos no litoral do nordeste do brasil.

Na terra de Ariano Suassuna e do Rei do baião, o Nordeste se consolidou a Rota da Cajucultura, onde quem planta caju, colhe: renda, tecnologia, educação e oportunidades para lidar com a seca, as altas temperaturas e a fome. Horacildo Benevuto nogueira, de 45 anos de idade, se autoproclama filho da cajucultura, e atua na produção desde os 14 anos. Para ele, o cajueiro é a sua maior riqueza, pois é quem garante o sustento da sua família.

Lucilandia Maria da Silva iniciou na cajucultura seguindo os passos dos seus pais, e hoje, seu esposo e filho lhe acompanham na colheita do cajueiro. Outro exemplo é o do produtor rural Francisco Wilson Pereira do Nascimento, que na infância ajudava seus pais a plantar caju. E hoje, ele perpetua os aprendizados do plantio para a sua geração.

O supervisor das Pesquisas Agropecuárias do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Piauí, Pedro Andrade, ressalta que a agricultura familiar no Nordeste se reinventou e fez com que as associações e cooperativas que representam os pequenos agricultores se reorganizassem rapidamente para reduzir as perdas dos últimos anos e desenvolvessem novas alternativas de comercialização.

O diretor da Cooperativa de Cajucultores do Piauí, Jocibel Belchior ressalta que o cultivo do cajueiro tem transformado a realidade de milhares de famílias no estado, que estão localizadas nos municípios de Picos, Monsenhor Hipólito, Francisco Santos e Ipiranga do Piauí. Com a expectativa do aumento da safra para 2023 segundo o IBGE, belchior torce para que o cultivo no estado gere novos empregos, renda e sustento para milhares de famílias neste ano.

No Ceará, Francisco Airton da Silva, diretor comercial da Cooperativa dos Produtores de Caju e dos Agricultores Familiares e diretor financeiro da Central de Cooperativas Copacaju, informa que mais de 800 famílias são assistidas, ou seja, 2.400 pessoas trabalham diretamente com o cajueiro no estado. Além de gerar entre 100 a 300 empregos indiretos no período da colheita.

Lenildo lima, presidente da Cooperativa de Produtores de Cajuína do Piauí (Cajuespi) e vice-presidente da Câmara Setorial de Caju do Piauí informa que somente no estado, mais de duas mil famílias são assistidas pela cooperativa.

No Ceará, dados do IBGE apontam que 153 dos 184 municípios cearenses estão ligados à produção estadual do caju. A cajucultura no estado cearense pode ser dividida em dois grupos: extrativista e tecnificada. A primeira tem sua base em plantas cultivadas ainda no século XX, que já não possuem grande eficiência.

Já no Rio Grande do Norte, a cajucultura tem ganhado cada vez mais destaque com a inserção das tecnologias a partir de um conjunto de movimentos articulados pela Embrapa Agroindústria Tropical, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), além do financiamento do Banco do Nordeste.

A cajucultura, sem dúvidas, é uma das principais fontes de renda para milhares de famílias do sertão. A cajucultura gera empregos diretos para agricultores, colhedores e trabalhadores na indústria de processamento de caju. Também empregos indiretos para vendedores de insumos e funcionários de cooperativas. Para o superintendente do Banco do Nordeste no Piauí, Diogo Martins, a cajucultura é essencial para o desenvolvimento de outras atividades econômicas no nordeste e no país. Além disso, Diogo Martins destaca que o Banco do Nordeste vem implementando várias ações em prol do desenvolvimento da cajucultura na região por meio do Programa de Desenvolvimento Territoral, o Prodater.

No âmbito científico, a Embrapa Agroindústria Tropical trabalha em prol de inovações tecnológicas para o cajueiro. Além de desenvolver clones geneticamente melhorados e estabelecer técnicas para o manejo de pragas e doenças. A partir dessas informações, o chefe-geral da Embrapa Agroindústria Tropical, Gustavo Saavedra, destaca o grande potencial do cajueiro no nordeste.

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