Áudio de Pedro Alcântara criticando Governo do Estado é verdadeiro, mas fora de contexto. Jornalista garante que não tem nada contra Wellington Dias

Vídeos, áudios e textos verdadeiros, mas de anos anteriores, voltam a circular frequentemente na internet, principalmente quando o intuito é denegrir a imagem de um candidato ou adversário político em processos eleitorais. Uma declaração do jornalista Pedro Alcântara da TV Antena 10 voltou a circular nas redes sociais. No vídeo editado em trechos, segue um áudio com o título: “Vaza áudio do jornalista Pedro Alcântara falando do Governador”. Em abril, a COAR já havia desmentindo outra história envolvendo o jornalista. Um vídeo, claramente editado e manipulado atribuía uma falsa declaração a respeito do prefeito da cidade de São José do Divino, Antônio Nonato Lima Gomes, registrado como o primeiro óbito pela Covid-19 no Piauí.

Leia mais: Vídeo de jornalista que circula nas redes sociais não é sobre prefeito de São José do Divino

O áudio que voltou a circular diariamente em grupos de WhatsApp é a respeito de uma reunião privada do apresentador com amigos em agosto de 2018 e divulgado sem o seu consentimento na época. No áudio, o apresentador afirmou: “Nunca houve roubo no estado do Piauí igual a esse. Daqui a pouco você vai ver o tanto de roubo. Cada secretaria tem dono pra roubar”.

Ainda no áudio, o jornalista fez críticas a gestão estadual e pede que quem está participando da reunião, que repense sobre o futuro do estado. Lembrando que em 2018 ocorreu as eleições para governador. “Doze anos ainda acha pouco continuar roubando!?, mas nós não vamos assinar embaixo, não vamos dar esse passaporte. Peço a vocês que conversem com seus vizinhos, com seus irmãos, converse com sua família, conscientize as pessoas que estamos diante de um quadro que se não houver mudança, lá no final de 2022 ele vai colocar a Regina irá  perpetuar a roubalheira da gangue, da quadrilha, só depende de nós”, declarou.

Diante da repercussão do caso em 2018, o próprio jornalista na época, gravou um vídeo comentando a respeito do conteúdo: “Quero dizer que o áudio envolve dois contextos, tiraram apenas a parte final. Realmente eu falei sobre o governador. Mas comentei primeiramente sobre a pessoa do governador Wellington Dias e também falei sobre o governo (a instituição). Sobre a pessoa, o cidadão Wellington Dias não há nenhum reparo… O pai de família, o marido, o avô e o amigo. O que eu falei de crítica foi sobre o governo, a instituição, que na minha opinião deixa a desejar. Tenho esse direito como cidadão de fazer isso. Quero deixar bem claro que não tenho nada contra o cidadão Wellington Dias, que tenho inclusive um apreço”, disse.

A COAR tentou entrar em contato por diversas vezes com o jornalista para falar sobre a repercussão novamente do áudio, mas não obtivemos êxito.

Escrito por: Marta Alencar

FORA DE CONTEXTO: Usuários compartilham declaração de Gilmar Mendes contra repórter da Folha como se fosse atual

Vários perfis e alguns sites replicaram uma declaração do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que chamou de molecagem uma pergunta do repórter da Folha de S.Paulo sobre os custos com passagem aérea de viagem sua a Lisboa. A declaração foi feita em março de 2018, durante o seminário de direito, organizado pelo Instituto Brasiliense de Direito Público, que ocorreu em Lisboa, Portugal.

O ministro ficou irritado com dois questionamentos do repórter: se ele voltaria para o julgamento do habeas corpus de Lula em 4 de abril e se o voo para Portugal tinha sido pago pelo STF. Diante de tais questionamentos, Mendes respondeu exaltado: “Devolva essa pergunta ao seu editor, manda ele enfiar isso na bunda. Isso é molecagem, esse tipo de pergunta é desrespeito, é desrespeito”, disse, visivelmente alterado.

A informação é verdadeira, mas fora de contexto. O ministro Gilmar Mendes realmente fez a declaração, mas em 2018 e não em 2020.

COAR alerta que, geralmente, textos maliciosos utilizam informações verdadeiras, mas fora de contexto no início (primeiros parágrafos) e em seguida distorce os dados e acrescenta informações falsas e sem fundamentação no restante do texto.

Escrito por: Marta Alencar

Referências da COAR:

Folha

VERIFICAMOS: Vídeo em que crianças atravessam rio é atual?

Um vídeo que mostra crianças atravessando um rio em uma boia para conseguir chegar até um ônibus escolar está sendo compartilhado no Whatsapp acompanhado da legenda “O dinheiro para a educação no Piauí, está sobrando [Sic]” atribuído de forma irônica e relacionando a situação ao esquema de lavagem de dinheiro na educação investigado pela Polícia Federal através da terceira fase Operação Topique, que tem como alvo a primeira-dama e deputada federal Rejane Dias (PT-PI).  A gravação, ficou evidente após checagem, foi feita no Piauí, mas está sendo usada em contexto errado.

Compartilhamento do vídeo que está sendo feito no Whatsapp

O item compartilhado não é recente, pois se trata de um vídeo feito em 26 de fevereiro de 2018, pelo professor Jefferson David Evangelista ao portal G1. Moradores da comunidade Passagem da Negra, no município de Campo Maior-PI, atravessam o Rio Longá em uma boia para conseguirem chegar à zona urbana da cidade. Esse vídeo repercutiu tanto que chegou a ser exibido em rede nacional no Programa Fantástico, da Rede Globo, em março de 2018.

Enquanto grava, o autor do vídeo ainda relata que o problema acontece constantemente no período do verão chuvoso, e que em anos anteriores já tentaram reivindicar a situação para as autoridades municipais, mas nada foi feito. Outro ponto mencionado durante a gravação que nos fez perceber que não é recente, foi o fato das crianças estarem indo à escola. Com o isolamento social devido à Covid-19, as aulas presenciais na cidade foram suspensas.

A equipe COAR conseguiu apurar que a obra não está relacionada à educação em 10 de janeiro de 2020. Pois, a Prefeitura de Campo Maior, liderada pelo atual gestor da cidade, Professor Ribinha (PT), assinou uma ordem de serviço para obra de uma ponte tipo passagem molhada, orçada no valor de R$500 mil.

Porém, a construção só iniciou no dia 20 de julho. A COAR entrou em contato com a assessoria de comunicação da prefeitura municipal e o atraso da obra foi atribuído ao período chuvoso. Segundo a assessoria, durante esse período o nível do Rio Longá aumenta e por isso foi necessário aguardar que diminuísse. O prazo de entrega da passagem molhada que dará à comunidade Passagem da Negra acesso à zona urbana de Campo Maior é de 120 dias (4 meses).

Em caso de qualquer dúvida sobre uma informação ou conteúdo que recebeu, você pode entrar em contato com nossa equipe pelo WhatsApp: (86) 99517-9773 ou pelo Instagram @coarnoticias que verificaremos para você.

Escrito por: Assislene Carvalho

Referências da COAR:

  1. G1 (1 e 2)
  2. Site da Prefeitura de Campo Maior (PI)

Isolamento social não é eficaz para redução de transmissão do novo coronavírus?

Uma mensagem, que menciona o deputado federal do Rio Grande do Sul Osmar Terra (MDB), e a Organização Mundial de Saúde (OMS), tem sido compartilhada no WhatsApp com um contexto errado. O conteúdo contém uma série de argumentos que defendem a tese de que a Hidroxicloroquina é capaz de curar a Covid-19, sem proporcionar grandes gastos aos cofres públicos. Em abril deste ano, os sites Aos Fatos e Boatos checaram esta informação, mas agora ela voltou a circular novamente em grupos do aplicativo e outras redes sociais. Confira abaixo um trecho da mensagem:

A mensagem questiona o isolamento social

Osmar Terra é também médico e sempre se mostrou contra o isolamento social mais abrangente (isolamento horizontal). Para o deputado, apenas o grupo de risco deveria permanecer no confinamento (isolamento vertical). Essa ideia, de que o isolamento vertical defendido por Terra é a melhor opção para a situação da Covid-19, é um dos pontos apresentados na mensagem viralizada.

A COAR verificou os canais oficiais da OMS e não encontrou nenhuma contraindicação em relação ao isolamento social. O que aconteceu foi a divulgação de uma declaração do diretor da organização, Tedros Ghebreyesus, fora do contexto original. Em uma coletiva no dia 30 de março de 2020, quando perguntado sobre os impactos econômicos e sociais da quarentena na Índia, ele falou:

“Sobre essa questão do lockdown [quarentena obrigatória], talvez alguns países já tenham tomado medidas de distanciamento físico, como fechar escolar e evitar aglomerações etc. Isso pode ajudar a ganhar tempo e, ao mesmo tempo, cada país é diferente do outro. Alguns têm uma forte rede de proteção social e outros, não. Eu sou da África, como vocês sabem, e eu conheço muitas pessoas que realmente precisam trabalhar todos os dias para comprar seu pão. Governos devem levar essas populações em conta; se eles estão fechando ou limitando movimentos, o que vai acontecer com essas pessoas que tem que ganhar seu sustento todos os dias? Cada um dos países tem que responder a essa pergunta com base na sua situação”.

No dia seguinte à coletiva, Tedros voltou a mencionar o assunto em sua conta no Twitter e dessa vez complementou:

“Pessoas sem fonte de renda regular ou sem qualquer reserva financeira merecem políticas sociais que garantam a dignidade e permitam que elas cumpram as medidas de saúde pública para a Covid-19 recomendadas pelas autoridades nacionais de saúde e pela OMS. Eu cresci pobre e entendo essa realidade. Convoco os países a desenvolverem políticas que forneçam proteção econômica às pessoas que não possam receber ou trabalhar devido à pandemia da Covid-19. Solidariedade”.

Ainda há desinformação quando o texto menciona que o confinamento aumenta os casos de Covid-19, o que não passa de uma sugestão da China sem nenhum estudo preliminar. A COAR verificou que existem vários artigos que comprovam a efetividade do isolamento no combate à disseminação do vírus. Um deles foi publicado na revista cientifica The Lancet no início de abril, onde pesquisadores da Universidade de Hong Kong avaliaram a eficácia de medidas restritivas, implementadas desde o mês de janeiro de 2020 em quatro cidades e 10 províncias chinesas.

Tweets feitos pelo diretor da OMS, Tedros Ghebreyesus (imagem retirada do site Aos Fatos).

Hidroxicloroquina como cura

Durante este período de pandemia a COAR já checou, em diversas oportunidades, remédios que supostamente curariam a Covid, esse é mais um desses casos. No texto é mencionado que a Hidroxicloroquina (constantemente recomendada pelo atual presidente Jair Bolsonaro) é capaz de curar a doença de forma mais barata. Essa informação também não é verdadeira.

O gerente de incidentes para Covid da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), Sylvain Aldighieri, mencionou, durante uma coletiva de imprensa na terça-feira (14), que a OMS suspendeu o tratamento à base de Hidroxicloroquina por “não observar os benefícios do medicamento”, portanto, a organização não recomenda o uso da Hidroxicloroquina em pacientes de Covid-19.

Na página oficial da OPAS, encontramos um posicionamento sobre a medicação:

“Até o momento, não há vacina nem medicamento antiviral específico para prevenir ou tratar a Covid-19. As pessoas infectadas devem receber cuidados de saúde para aliviar os sintomas. Pessoas com doenças graves devem ser hospitalizadas. A maioria dos pacientes se recupera graças aos cuidados de suporte”.


Atualmente há um esforço global, coordenado pela Organização Mundial da Saúde, para produção de uma vacina e medicamentos eficazes para prevenir (vacina) e/ou tratar (medicamentos) a Covid-19. Contudo, ainda não há nada pronto com eficacia comprovada cientificamente.

Em relação às formas de prevenção, a OPAS e a OMS seguem com as mesmas recomendações, confira:

  1. • Lavar as mãos frequentemente com água e sabão ou álcool em gel e cobrir a boca com o antebraço quando tossir ou espirrar (ou utilizar um lenço descartável e, após tossir/espirrar, joga-lo no lixo se lembrando de lavar as mãos logo em seguida).
  2. • Se uma pessoa tiver sintomas mais leves, como tosse leve ou febre leve, geralmente não há necessidade de procurar atendimento médico. O ideal é ficar em casa, fazer autoisolamento (conforme as orientações das autoridades nacionais) e monitorar os sintomas. Se eles evoluírem para uma dificuldade de respirar ou/e dor/pressão no peito procure atendimento médico imediatamente.

Escrito por: Assislene Carvalho

Edição: Wanderson Camêlo e Guilherme Cronemberger

Referências da COAR:

  1. Site Aos Fatos (mês de abril)
  2. Site Boatos (mês de abril)
  3. Artigo da revista The Lancet
  4. Site Correio Braziliense
  5. Site UOL (2004)
  6. Site OPAS/OMS

Áudio anunciando determinação judicial de bloqueio de WhatsApp por 48h

Áudio de um homem – não identificado – está circulando nos grupos de WhatsApp do Piauí informando que foi anunciada uma ordem judicial que determina o bloqueio do WhatsApp em todo o Brasil dentro de 48 horas. Segundo o mesmo, uma atualização do WhatsApp (caso fosse instalada) bloquearia o aplicativo no celular. Para embasar seu ponto, o autor do áudio ainda fala que basta pesquisar por: “Justiça brasileira determina bloqueio do WhatsApp” no site da Folha (versão digital da Folha de São Paulo) para encontrar informações detalhadas sobre o caso. A COAR checou as informações e esclarece alguns pontos.

O referido aplicativo já foi bloqueado no Brasil em três oportunidades. Primeiro ponto, a Folha de São Paulo realmente fez matérias cobrindo os casos, porém todas as matérias são de 2015 e 2016, época em que aconteceram os bloqueios do aplicativo por decisões judiciais. Inclusive em 2015, a determinação partiu de um juiz do Piauí, Luis Moura Correia (atualmente exerce o cargo de juiz auxiliar da Corregedoria), que determinou que empresas de telefonia suspendessem temporariamente o acesso ao aplicativo em todo o país.

No entanto, a COAR constatou por análise que o áudio está se referindo a última discussão no Supremo Tribunal Federal (STF) promovida na semana passada, de que se o WhatsApp poderia ou não ser bloqueado por decisões judiciais. O julgamento da causa possuía dois votos favoráveis ao não bloqueio antes de ter sido suspenso pelo pedido de visto do ministro Alexandre de Moraes. Assim sendo não há data prevista para a retomada do mesmo.

Segundo, este áudio não é a primeira fonte de desinformação circulando nas redes sociais relacionada ao assunto. Desde janeiro, várias desinformações sobre bloqueio de WhatsApp já circulam na internet. Uma delas é sobre um vídeo de uma reportagem da GloboNews, que foi retirado do contexto original. Na verdade, o vídeo fala sobre o bloqueio do aplicativo no país que ocorreu em dezembro de 2015. Mas foi tirado de contexto temporal para informar erroneamente por pessoas maliciosas de que o bloqueio ocorreria em abril deste ano. Muitas pessoas, inclusive, ficaram com medo de um novo bloqueio. Nesta situação, houve um anacronismo, algo que também pode ter acontecido com o referido áudio.

Por: Guilherme Cronemberger

Edição: Marta Alencar

Referências da Coar:

  1. Site Folha de S. Paulo
  2. Vídeo GloboNews

É FAKE? Decreto que proíbe comercialização e consumo de bebidas alcoólicas em Teresina

Imagens de uma seção interditada de bebidas alcoólicas de um supermercado – não identificado – com uma mensagem de proibição de venda vêm sendo compartilhadas em grupos de WhatsApp com atribuição da medida à Teresina, gerando dúvidas e curiosidade em usuários que recebem o conteúdo.

Na mensagem do cartaz é informado que foi proibida a venda de bebida alcoólica com base no Decreto de Nº 222 de 28 de abril de 2020. No entanto, o documento consta, na verdade, no Diário Oficial de Araguaína, em Tocantins. De acordo com o Art. 11 do mesmo documento, foi intensificada a proibição da comercialização e do consumo de bebidas alcoólicas na região. Inclusive as imagens compartilhadas foram encontradas em publicações de páginas do Facebook com referencia a Tocantins.

Imagens compartilhadas da seção de bebidas interditada em supermercado

O decreto que vigora em Teresina trata da proibição da distribuição de bebidas alcoólicas pelas distribuidoras e veda o funcionamento de bares, medidas adotadas para conter a Covid-19. Conforme informações da assessoria da Prefeitura de Teresina, não existe nenhum decreto específico semelhante ao feito em Araguaína.

As mesmas imagens compartilhadas em páginas do Facebook

Outra medida similar a esta já havia sido adotada pela Prefeitura de Jacobina, na Bahia. Onde o prefeito, em posse de suas atribuições para conter o vírus, decretou no dia 23 de março, a proibição do comércio de bebidas alcoólicas de qualquer tipo.

Escrito por: Leonardo Lima e Marta Alencar

Verba para carnaval no Piauí arrecadou cerca de R$3,7 milhões em emendas parlamentares?

Foram destinadas emendas parlamentares com valores superiores a R$3,7 milhões distribuídos entre os municípios piauienses, com o objetivo de ajudar na realização do Carnaval este ano. Entretanto, a verba fazia parte das despesas para contratação de bandas, que se apresentariam em eventos carnavalescos apoiados pela Secretaria de Turismo do Piauí (SETUR-PI). Os contratos foram assinados pelo secretário da pasta, Flávio Nogueira Júnior. Inclusive, os recursos foram arrecadados e liberados através de emendas parlamentares de outros deputados. A COAR verificou os dados divulgados e classificou a informação como FORA DE CONTEXTO.

A imagem que circulou nas redes sociais

Os deputados estaduais que destinaram suas emendas para o carnaval piauiense deste ano foram: Ziza Carvalho (PROS), Fábio Xavier (PR), Edvaldo Gomes (PTC), Lisiê Coelho (MDB), João Mádison (MDB), Jannaína Marques (PTB), B. Sá (PSB), Cícero Magalhães (PT), Oliveira Neto (PPS), Mardem Menezes (PSDB), Paulo Martins (PT), Francisco Lima (PT), Firmino Paulo (PP), Pablo Santos (MDB), Evaldo Gomes (PTC), Wilson Brandão (PP).

Entre as atrações contratadas pela Setur, estava a Banda Bill Coimbra, com agenda confirmada nos municípios de Nazária, Parnaíba, Valença e mais sete cidades. A banda chegou a faturar com esses contratos em torno de R$300 mil. O levantamento das emendas foi publicado neste domingo (12), no Blog Política do Portal 180 graus, contabilizando os outros contratos divulgados no Diário Oficial do Estado. As emendas podem ultrapassar o valor de R$3,7 milhões, já que há mais contratos que não foram publicados pela matéria.

Extrato de contrato da Banda Bill Coimbra publicado no Diário Oficial do Estado em março de 2020

A Banda Bill Coimbra é empresariada pelo jornalista e apresentador da TV Meio Norte, Ieldyson de Vasconcelos. Em janeiro deste ano, a empresa de eventos Ieleril Promoção de Eventos de propriedade do apresentador recebeu R$ 400 mil de emendas parlamentares. Os recursos supostamente entregues seriam para realizar prévias carnavalescas no Parque Potycabana, em Teresina.

Bill Coimbra faz agradecimento ao empresário da banda, Ieldyson Vasconcelos/ Foto: arquivo pessoal

Outras atrações também fizeram parte fizeram parte das contratações feitas com emendas parlamentares alocadas para a organização do carnaval no Piauí, a Banda Pilera tinha contrato de R$40 mil, João Pisada Estilizada R$30 mil, Waldo e Felipe R$30 mil, João Velloso R$30 mil, Banda Bill Coimbra R$30 mil, que se apresentaram em várias cidades. Além da empresa G M gravações e edições musicais no valor de R$80 mil.

Sobre o uso das emendas parlamentares utilizadas para as despesas do carnaval no estado, o secretário de turismo, Flávio Nogueira Junior, emitiu uma nota de esclarecimento para a COAR:

A Secretaria Estadual de Turismo explica que as emendas impositivas, como o próprio nome diz, são de definição exclusiva dos parlamentares que as destinam. Compete a cada um deles definir para que ações os recursos deverão ser executados. Ao executivo cabe apenas a execução.

O secretário estadual de Turismo que é também deputado, Flavio Nogueira Junior, destinou R$350 mil de suas emendas impositivas para o combate ao coronavírus, sendo R$150 mil para a aquisição de equipamentos de proteção individual aos profissionais de saúde do Estado, R$150 mil para o Hospital São Marcos, que cuida de pacientes com câncer, grupo vulnerável em relação à PANDEMIA e ainda r$100 mil para a Casa Abrigo São José, que presta assistência aos idosos, que também são considerados grupos de risco para o coronavírus.

De acordo com informações publicadas no site da Assembléia Legislativa do Piauí, o também Deputado Estadual Flávio Nogueira Júnior (PDT), destinou parte de sua emenda parlamentar individual no valor de R$350 mil para o combate do coronavírus no estado. Os ofícios foram encaminhados ao presidente da Assembleia Legislativa, Themístocles Filho. A orientação é destinar as emendas via Orçamento Geral do Estado.

Convém ressaltar que o mecanismo de distribuição de dinheiro público recebe o nome de emenda parlamentar. Ele é um instrumento garantido aos deputados e senadores, sendo liberados após a apresentação de um projeto detalhado que justifique o uso dos recursos. Em alguns casos, as emendas podem ser alocadas, ou seja redirecionada para atender uma demanda específica.

Escrito por: Ilrianny Alves e Igor Macêdo

Verba para produção do curta metragem “Cena Gay” aprovada em 2017

Por: Ilrianny Alves, Leonardo Lima e Marta Alencar

Circula nas redes sociais, o extrato de contrato para a produção do curta metragem “Cena Gay” do Instituto Punaré. O contrato foi assinado em 2019 com recursos financiados pela Secretaria de Cultura do Piauí (SECULT). A seleção do projeto se deu mediante o edital Piauí de Seleção de Projetos Audiovisual nº 01/2017, na categoria Longa-Mentragem Documentário Histórico. A informação é verdadeira, mas a COAR confirma que está sendo utilizada FORA DE CONTEXTO.

Informação que circula fora de contexto

O Instituto Punaré se intitula como uma associação que agrega artistas na criação artística, gestão e produção cultural de projetos e atividades voltadas para o desenvolvimento das artes. Fundado em Teresina no ano de 2007, a entidade apoiou projetos culturais, realizou co-produções e firmou parcerias com organizações nacionais e internacionais. Entre elas: Petrobrás, MINC (ex-Ministério da Cultura), SESC (Serviço Social do Comércio), Itaú Cultural, Caixa Econômica Federal, Prefeitura Municipal de Teresina, Secretaria Municipal da Juventude de Teresina (SEMJUV) e Secretaria de Cultura do Piauí (SECULT).

O investimento para a produção audiovisual, no valor de R$223 mil, foi questionado em virtude da crise econômica causada pela pandemia do coronavírus. no país A liberação do recurso foi registrada no Diário Oficial do Estado em setembro de 2019.

A convocação para os aprovados no edital de 2017 aconteceu somente em fevereiro do ano seguinte, o financiamento para a seleção dos projetos partiu da SECULT e da Agência Nacional do Cinema (Ancine), através do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). O valor total de R$6 milhões oriundos das fontes orçamentárias vigentes na época.

Lista de aprovados no edital, o filme “Cena Gay” aparece em terceiro lugar

Em nota, a SECULT esclareceu outros pontos importantes a respeito deste edital.

Acerca da matéria “Filme “Cena Gay” consome R$ 223 mil do erário piauiense em plena crise mundial de saúde”, publicada em 9 de abril de 2020, neste portal de notícia, a Secretaria de Estado de Cultura (Secult) esclarece que:

1.            A publicação contida no diário oficial citado na matéria é apenas uma prorrogação de vigência do edital de 2017 – quando não havia pandemia de coronavírus, portanto – e foi necessária para que houvesse a conclusão do filme em tela. O edital publicado em 2017 trata da produção de um total de 14 filmes, cujo investimento com recursos da Secult – no valor de R$ 2 milhões – é a contrapartida que se soma aos R$ 4 milhões destinados ao projeto pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), através de uma seleção pública. Dessa forma, além de aquecer o mercado audiovisual local, as produções impactam não apenas no cenário cultural do Piauí, como também favorecem a circulação de recursos e a geração de emprego e renda no setor.

2.            Os filmes foram selecionados através de edital e avaliados por uma banca de especialistas qualificados e respeitados, o que dá respaldo e pertinência às temáticas apresentadas. Dentre os 14 filmes, dois já foram lançados: um deles o Documentário “Torquato Neto – Todas as horas do fim”, que rendeu 10 premiações, e o Documentário “Niède Guidon – Memórias da vida”, que foi selecionado para o Festival É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários, em São Paulo.

3.            Indaga-se porque, dentre os 14 filmes escolhidos, apenas o curta-metragem “Cena Gay” foi citado e questionado na matéria? Há algum tipo de preconceito por tratar da temática gay? É prioritário lembrar, que o público gay, como qualquer outro, merece seu lugar de fala assegurado em todos os setores da sociedade. Isto inclui o cultural, onde deve ser incentivada e amplamente debatida a construção da cidadania plena da população LGBTQI, bem como o respeito aos seus direitos civis e sociais. O filme, inclusive, aborda a violência sofrida pelo público gay em Teresina, como forma de denunciar estas práticas deploráveis que ainda campeiam nas estatísticas policiais da capital.

4.            Sobre a realização de “shows de vaquejada”, como foi destacado, informamos que é de competência da Secult valorizar e engrandecer esse produto arraigado na cultura piauiense, que permeia a história e formação socioeconômica do Estado. Contudo, faz-se necessário esclarecer que se trata de evento financiado com recursos de emenda parlamentares impositivas, em que não cabe ao gestor discutir a temática ou as cifras destinadas.

5.            A respeito das prioridades da Cultura, todo o trabalho da atual gestão tem como base um planejamento estruturado, revisado, aprovado e atualizado, sempre respeitando os interesses dos mais diversos setores da sociedade, bem como a eventuais necessidades de adequação financeira ou econômica do Estado.

6.            Por fim, reiteramos nosso compromisso com a transparência e a valorização da cultura piauiense em todos os seus aspectos. Reforçamos que, em todos seus projetos e ações, a Secult considera de extrema importância o livre debate, a pluralidade, a diversidade, a inclusão e a representatividade de todos os setores da sociedade piauiense.

Em entrevista ao portal do jornalista Toni Rodrigues, o secretário de Cultura do Estado do Piauí, Fábio Novo, afirmou que os recursos destinados para combater a pandemia de coronavírus, não sofreram interferência. Inclusive os 14 filmes contemplados pelo edital possuem verba específica para esta finalidade. “Estamos tentando incluir no Piauí uma política de audiovisual, nós já tivemos dois filmes de muito sucesso, primeiro deles foi o documentário de Torquato Neto que rendeu dez prêmios em vários festivais”, declarou o secretário.

O filme “Cena Gay” retrata a situação das travestis violentadas no Centro de Teresina. As filmagens já foram concluídas e passa por processo de finalização. O trabalho foi contemplado por tratar sobre a violência de gênero. O Nordeste registrou nos últimos anos, um alto índice de mortalidade dessa população no Brasil.

Vídeo de jornalista que circula nas redes sociais não é sobre prefeito de São José do Divino

Em vários municípios do Piauí, circula nos grupos de WhatsApp, um vídeo de uma entrevista do jornalista Pedro Alcântara da TV Antena 10. O vídeo foi claramente editado para enganar os que visualizam o conteúdo. Foi cortado justamente o momento em que o jornalista comenta sobre a morte de um homem, identificado como José Brito Melo, que teria morrido não de Covid-19, mas de pneumonia.

O vídeo #foradecontexto atribui a declaração do jornalista ao prefeito da cidade de São José do Divino, Antônio Nonato Lima Gomes, registrado como o primeiro óbito pela Covid-19 no Piauí.

Ao ter conhecimento sobre o vídeo editado, a jornalista Tacyane Machado, residente da cidade de Parnaíba, desmentiu a vinculação do conteúdo ao prefeito do município de São José do Divino. Ela conta que o vídeo está sendo amplamente divulgado em grupos de WhatsApp. “A negação da morte por coronavírus do prefeito de São José do Divino é uma tentativa de confundir a cabeça das pessoas. Ao cortar o vídeo e deixar só o nome da cidade, faz com que a pessoa pense que o vídeo é dele”, contou.

A COAR teve acesso ao vídeo completo, sem cortes. A morte que o jornalista Pedro Alcântara esclarece no programa é a do cidadão José Brito Melo de 58 anos, morador da cidade de São José do Divino, que morreu no hospital de Monte Castelo em Teresina (PI). Ele não estava com Covid-19, morreu por contrair uma pneumonia aguda, que se tornou fatal devido ao seu histórico de doenças como diabetes e tuberculose.

Veja o vídeo completo na íntegra:

Escrito por: Gabrielle Alcântara e Marta Alencar

Imagem fora de contexto de Bolsonaro rezando pelos brasileiros diante dos casos da Covid-19

Por: Leonardo Lima e Marta Alencar

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se declara católico, mas corteja o eleitorado evangélico. Isso todo mundo já sabe. Inclusive uma imagem do presidente ajoelhado em uma igreja católica vem circulando nas redes sociais, atribuída ao período de pandemia do novo coronavírus. Embora a imagem seja verdadeira, a COAR classifica como totalmente fora de contexto.

Muitos seguidores de Bolsonaro creditaram que a imagem representa o presidente orando pelos brasileiros diante dos casos da Covid-19.

A imagem foi tirada no dia 05 de janeiro de 2020 em uma visita de Bolsonaro a Catedral Metropolitana de Brasília. Bolsonaro ficou poucos minutos no local, depois partiu para a Esplanada. Nesse mesmo período ainda não tínhamos registros do surto da Covid-19 no Brasil. Até porque o primeiro registro no país foi em 24 de fevereiro.

O chefe do Executivo, embora seja batizado em uma cerimônia evangélica em 2016, no rio Jordão, continua se declarando católico; enquanto sua mulher, Michelle Bolsonaro, considera-se evangélica.