Uso prolongado de máscara aumenta quadro de intoxicação, torna sangue ácido e promove câncer, além de outras doenças? COAMOS imagem na internet

É comum a COAR desinformações sobre o uso de máscara no combate à Covid-19. Um dos mais recentes afirma que o uso excessivo de máscara permite que as pessoas absorvam gás carbônico e assim transformando o sangue mais ácido e promovendo novas doenças, como câncer. Esses rumores não se baseiam em comprovações científicas, pois segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), “usar máscaras médicas durante muito tempo pode ser desconfortável, mas não provoca intoxicação por dióxido de carbono nem hipóxia”.

Informação é falsa

Especialistas alertam que não procede a informação de que usar máscara deixa o sangue ácido e enfraquece o sistema imunológico, já que não há evidências de que o equipamento cause hipercapnia. Além disso, o Ministério da Saúde já havia anunciado que não há embasamento técnico científico que comprove a ocorrência de acidificação do sangue por causa do uso de máscaras.

Em maio de 2020, uma mensagem falsa viralizou nas redes sociais. O conteúdo continha “sem consentimento” a assinatura de um médico do Rio de Janeiro, que supostamente alertava sobre o uso de máscara por um longo período de tempo causa hipóxia (deficiência de oxigênio no sangue, que pode alterações no tato, na visão e coordenação motora). A suposta mensagem creditava como fonte oficial: o clínico geral Eduardo Herrera, do Rio Janeiro. No entanto, a COAR verificou o conteúdo, que é falso e ainda encontrou o perfil do médico citado no Facebook, que negou ter dado tal informação. Em seu perfil, o próprio médico reforça o uso de máscara. “USEM MÁSCARAS! EU USO A MÁSCARA E TE PROTEJO…VOCÊ USA A MÁSCARA E ME PROTEGE”.

Segundo o infectologista Gilvan Nunes, nenhum desses quadros pode ser provocado pelo uso da máscara, mesmo que prolongado, ao contrário do conteúdo da mensagem divulgada que isso intoxicaria o usuário. O médico reiterou também a importância do uso da máscara como uma das medidas defendidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no combate à Covid-19.

Caso você receba mensagens com informações duvidosas, questione e não compartilhe. Entre em contato conosco por meio do WhatsApp: (86) 99517-9773 ou pelo Instagram @coarnoticias.

Escrito por: Marta Alencar

Referências da COAR:

Aos Fatos

El País

Cogumelo do sol, graviola e chá verde curam câncer? Confira boatos e verdades sobre alimentação na internet

A COAR estréia hoje no site, o Quadro “Saúde sem Desinformação”, onde aborda boatos e verdades acerca da alimentação. Para responder alguns boatos mais comuns na internet, a COAR entrevistou a nutricionista e mestranda do Programa de Pós-graduação de Ciências e Saúde da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Ana Rafaela Pereira. Quinzenalmente, a nutricionista responderá alguns dos inúmeros boatos que circulam na rede. Confira os primeiros:

(Foto: Ana Rafaela Pereira/ Arquivo Pessoal)

Quimioterapia é ineficaz para quem come carboidrato?

Nutricionista Ana Rafaela Pereira: “Existem algumas pesquisas que estão sendo realizadas com a redução de carboidratos na dieta para quem possui algum tipo de tumor, mas são pesquisas que não foram feitas em humanos ainda. Por isso não temos bases científicas suficientes para fazer essa afirmação. Quem faz quimioterapia não deve cortar o carboidrato, a pessoa deve manter uma alimentação completa e ter um bom acompanhamento nutricional (que é essencial para as pessoas). A quimioterapia não perde a sua eficácia em quem consome esse macro nutriente.”

Proteínas de origem animal (carne vermelha, ovos e queijos) aumentam algum tumor?

Nutricionista Ana Rafaela Pereira: “As proteínas vão servir para o bom funcionamento das nossas células e do nosso organismo, tendo em vista que elas possuem várias funções, inclusive a de transportar substâncias por todo nosso corpo. Logo, o paciente que tem redução dessas proteínas pode ter um agravamento no seu quadro de saúde, não só do tumor, mas também da saúde completa do seu corpo, complicando o tratamento. Pessoas que não queiram (ou que não gostem de consumir esses tipos de proteínas de origem animal) podem encontrá-la em vários tipos de alimentos, como o feijão, a ervilha e até mesmo a soja, que é um grão. Dessa maneira, a absorção da proteína não vai diminuir, e a sua inclusão na dieta não vai aumentar o tumor. Desde que a pessoa faça o tratamento, esses macro nutrientes vão auxiliar o tratamento, ao invés de prejudicá-lo.”

Cogumelo do sol, noni, graviola e chá verde curam câncer?

Nutricionista Ana Rafaela Pereira: “Nenhum desses alimentos, nem chás ou preparações (que muitas pessoas costumam fazer com outros tipos de alimentos e plantas) são eficazes sozinhos a ponto de curar o câncer. A cura do câncer ainda se restringe às questões de tratamentos, como a quimioterapia, radioterapia e as próprias cirurgias, entre outras possibilidades. Alguns alimentos podem, na verdade, auxiliar durante o tratamento do câncer para que as células normais do nosso corpo não sofram tanto durante o processo. Os principais fatores que devemos levar em conta dizem respeito às formas de prevenção da doença, ou seja: buscar sempre manter uma boa alimentação e uma boa qualidade de vida (priorizando tanto a saúde mental, como a física, através de exercícios).

Há questões também relacionadas a fatores externos que podem ajudar nessa prevenção, tais como: exposição moderada ao Sol e às substâncias químicas e radioativas (que devem ser evitadas). E, também os fatores internos nos fatores genéticos que podem condicionar um padrão hereditário que passa de família em família. Alguns deles podem ajudar a prevenir devido à grande quantidade de antioxidantes que possuem, sendo estes encontrados em frutas e verduras. Já no que se refere ao noni, devemos até levar em consideração que por um grande período de tempo foi dito que ele realmente curava o câncer, principalmente quando ingerido em conjunto com o suco de uva, mas pesquisas foram realizadas e mostraram até mesmo efeito reverso, uma vez que essa fruta tem uma substância que apresenta certa toxicidade quando a mesma é ingerida de uma forma exacerbada.”

Carboidratos (pão, farinha de trigo, açúcar, arroz e etc) aumentam tumor?

Nutricionista Ana Rafaela Pereira: “Quanto a essa informação, devemos ter um pouco de cuidado. Não que seja totalmente verdadeira, mas a partir do princípio em que pensamos que as nossas células necessitam de energia para continuarem suas funções, os carboidratos são uma grande e importante fonte de energia para as mesmas. Porém, quando retirado da alimentação, por exemplo, uma pessoa que venha a ter o tumor recebe essa informação e quer cortar totalmente o carboidrato de sua dieta. Só que o organismo é muito mais inteligente do que a gente pensa, e então o corpo dessa pessoa começará a pegar ‘proteínas’, utilizando-as como combustível para suas células. Nesse contexto, já adentramos outro problema: o paciente pode apresentar perda de massa muscular (o que é extremamente perigoso, principalmente em alguns casos).

Por isso que em pacientes oncológicos a gente sempre fica fazendo a checagem de força muscular para constatar se estão ocorrendo ou não alguma dessas deficiências. Logo, é importante que quem apresente algum tumor, e que esteja passando principalmente por um tratamento, não faça a retirada dos carboidratos, pois eles servem sim de “alimento” para as células, e também porque todo nosso corpo vai necessitar, não só o tumor. Nesse sentido, fazer o acompanhamento de forma correta com o nutricionista é essencial, pois retirar o carboidrato de forma errada vai prejudicar muito mais a situação do paciente”.

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Escrito por: Arnaldo Silva

Edição: Marta Alencar

Ipê roxo é 10 mil vezes mais potente que a quimioterapia no tratamento do câncer?

Um vídeo postado no perfil do compositor José Coelho no Facebook informa que Ipê roxo (Pau D’arco mais conhecido no Nordeste) é 10 mil vezes mais potente que a quimioterapia para o tratamento do câncer. O vídeo foi compartilhado em vários grupos de WhatsApp e em outras redes sociais. Ao ver o vídeo, a COAR fez uma análise das fontes citadas e informa o porquê da informação ser falsa.

Ipês roxos. Foto: (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O autor do vídeo declara o seguinte: “Segundo algumas pesquisas, entre elas do Dr. Jaime Bruning e de outros médicos no Youtube, o ipê roxo é dez vezes mil mais potente do que a quimioterapia no tratamento do câncer. Só que não é ela só. Ela tem que ser ingerida junto com a folha da graviola”. Em seguida, o autor informa os procedimentos da suposta receita de chá, sem qualquer comprovação científica.

Primeiramente, qual é o potencial medicinal do ipê roxo? O pau-d’arco, que é parte da casca do ipê, concentra certas propriedades medicinais da planta. No entanto, o oncologista Cláudio Rocha explica que não há nenhum estudo científico que comprove a eficácia do ipê roxo para cura de câncer ou que ele seja 10 mil vezes mais eficaz que a quimioterapia. O especialista ainda alerta que as pessoas não devem abandonar tratamentos ou seguir receitas na internet sem antes consultar seu médico.

Quem é Jaime Bruning?

Com 178 mil inscritos no Youtube, o autointitulado terapeuta naturista Jaime Bruning não é médico e é autor de diversos livros. Ele já divulgou conteúdos falsos sobre doenças como dengue e febre amarela.

Em fevereiro, o terapeuta holístico foi acusado de disseminar informações falsas sobre a eficácia e os efeitos de vacinas. Ele foi convocado pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga notícias falsas e assédio nas redes sociais (CPI Mista das Fake News) para dar um depoimento, já que faz parte do movimento antivacinação no país.

COAR alerta que ao receber uma mensagem duvidosa, desconfie e não forneça seus dados antes de ter certeza de que é verdadeira. Qualquer dúvida nos contate pelo nosso WhatsApp (86) 99517-9773 ou pelo Instagram(@coarnoticias).

Escrito por: Marta Alencar

Referências da COAR:

Folha

Agência Senado

Perfil do José Coelho