FALSA: Mensagem “Wellington Dias não comprou vacinas contra Covid-19”

É verdade que o governador Wellington Dias (PT) não agilizou a compra de vacinas contra o novo coronavírus para o Piauí? A informação (abaixo) mostra uma imagem do petista, com a bandeira do Brasil ao fundo, e as seguintes informações:

“Governo Federal: 2.176.820 doses [de vacinas contra a Covid-19] enviadas para o Piauí pelo Ministério da Saúde. Zero [vacinas] compradas pelo Wellington Dias”, diz o texto da montagem, dissipada no Facebook.

MENSAGEM IMPRECISA

O site do Ministério da Saúde mostra que atualmente o número de vacinas enviadas ao estado é de 3.085.180, ou seja, ultrapassou já o contingente destacado na imagem checada, o que mostra que a mesma não é recente.

E o governador Wellington Dias, ele realmente não agilizou a compra de nenhum imunizante? Falso. Ainda este mês o Piauí negociou, por meio do Instituto Butantã, a compra de 500 mil doses da vacina chinesa Coronavac. A informação foi confirmada pelo chefe do executivo piauiense no último dia 13. A entrega deve acontecer já no próximo mês de setembro.

Wellington, antes, tentou viabilizar, através do Consórcio de Governadores do Nordeste, a compra de imunizantes russos contra a doença, mas esbarrou em uma série de condicionantes impostos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A volta atrás foi anunciada no dia 05 deste mês. Era prevista a compra de 37 milhões de doses da Sputnik V, a serem distribuídas entre todos os estados do Nordeste.

A COAR ressalta que ao receber uma mensagem duvidosa, desconfie e não forneça seus dados antes de ter certeza de que é verdadeira. Qualquer dúvida nos contate pelo nosso WhatsApp (86) 99517-9773 ou pelo Instagram (@coarnoticias).

Referências da COAR:

Ministério da Saúde

Portal Cidade Verde

Vídeo mostra secretária de Saúde tomando vacina com seringa aparentemente vazia?

Desde quarta-feira (19), um vídeo com áudios e imagens viralizou nas redes sociais onde mostra uma profissional da saúde supostamente vacinada contra a Covid-19 com uma seringa vazia. Diante da repercussão, a Prefeitura de Quixadá, no interior do Ceará, denunciou, na delegacia do município e no Ministério Público.

Confira o vídeo na íntegra:

No vídeo original, a mesma mulher aparece sendo vacinada normalmente, com uma dose da Coronavac, vacina que chegou ao Ceará na segunda-feira (18). Confira a nota de repúdio da prefeitura diante da divulgação dos conteúdos falsos:

Nenhuma descrição de foto disponível.

Caso você receba mensagens com informações duvidosas, questione e não compartilhe. Entre em contato conosco por meio do WhatsApp: (86) 99517-9773 ou pelo Instagram @coarnoticias.

Escrito por: Marta Alencar

Referências da COAR:

Prefeitura de Quixadá

Áudio de teresinense alertando sobre vacina Coronavac é sem fundamento científico e espalha boatos em grupo de WhatsApp

No domingo (17), em São Paulo ocorreu a primeira aplicação da dose da CoronaVac com a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do uso emergencial da vacina contra a Covid-19, mas em seguida proliferaram áudios, vídeos e postagens distorcendo sobre a eficácia da vacina chinesa em grupos de WhatsApp. Um deles é um áudio de uma teresinense que alerta, sem qualquer fundamento científico, boatos contra a vacina. A COAR checou cada um dos pontos colocados no áudio pela usuária em questão:

No áudio, a usuária afirma que se chama Tânia e é de Teresina. Ela alerta que com base nas teorias conspiratórias do juiz Oscar Anibal Chiappano (existem informações contraditórias sobre o juiz na internet), que as pessoas não devem tomar a vacina, porque o imunizante teria o RNA e que onde tem a internet 5G, a pessoa que foi vacinada poderia morrer caso o sinal do 5G fosse desligado. Mas a informação não procede. É importante compreender que a vacina Coronavac, da farmacêutica chinesa Sinovac Biotech e do Instituto Butantan, é elaborada usando o próprio vírus inativado (morto), ou seja, usa vírus inativados, que foram expostos em laboratório a calor e produtos químicos para não serem capazes de se reproduzir.

A COAR ressalta que a vacina Astrazeneca, a da Fiocruz, usa um outro vírus, que é inofensivo, para levar apenas informações genéticas do coronavírus. E a Coronavac, a do Butantan, usa o coronavírus, mas inativado, sem a capacidade de se replicar no organismo, conforme especialistas em reportagem do G1.

Além disso, o Exército Brasileiro não fará qualquer intervenção no uso das vacinas, até porque o próprio presidente Jair Bolsonaro que sempre criticou a vacina chinesa declarou nesta segunda-feira (18), que a vacina é “do Brasil, não é de nenhum governador”. Vale lembrar que o presidente já vinculou diversas vezes a CoronaVac ao governador de São Paulo, chamando o imunizante inclusive de “vacina chinesa do João Doria”.

Saúde pede ao Butantan a entrega "imediata" das 6 milhões de doses da  Coronavac; Governo de SP deve recorrer, diz site
Vacina chinesa aprovada pela Anvisa. Foto/Reprodução: Infomoney

Termômetros na testa queimam os neurônios?

O site da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já havia alertado no ano passado que é falsa a informação de que o uso de termômetros infravermelhos direcionados para a testa pode fazer mal ao ser humano, em especial à região da glândula pineal. A glândula tem função de produção e regulação de hormônios e fica localizada próximo ao tálamo e hipotálamo, na parte mais central do cérebro. 

O órgão ainda ressalta que a radiação infravermelha é um tipo de luz, num espectro que não é visível ao ser humano, emitido por todo corpo quente. Os termômetros infravermelhos, destes usados para medição de temperatura corporal em avaliação clínica médica de pacientes ou para triagem de pessoas em estabelecimentos comerciais, usa um sensor passivo para detectar a radiação infravermelha emitida pelo calor do corpo. O termômetro não emite radiação, ele somente detecta a radiação emitida pelo corpo.

Caso você receba mensagens com informações duvidosas, questione e não compartilhe. Entre em contato conosco por meio do WhatsApp: (86) 99517-9773 ou pelo Instagram @coarnoticias.

Escrito por: Marta Alencar

Referências da COAR:

Anvisa

Uol

G1

CORONAVAC: 50,38%, 78% ou 100%? Infectologista Carlos Henrique Nery Costa explica sobre a eficácia da vacina diante de boatos e fake news

Diante da repercussão do novo anúncio nesta semana da taxa de 50,38% de eficácia global da  vacina contra a covid-19 desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan em relação ao que foi divulgado na semana passada da taxa de 78% de proteção para casos leves e moderados fez com que muitas pessoas duvidassem ou questionassem sobre a eficácia da vacina chinesa, principalmente gerando memes ou sátiras sobre os percentuais apresentados. A COAR explica as diferenças dos dados em questão:

A COAR entrevistou o infectologista Carlos Henrique Nery Costa, que garantiu que a Coronavac é a melhor vacina no momento para o Brasil. Além disso o médico explicou sobre os percentuais que estão confundindo muitos brasileiros sobre a eficácia do imunizante chinês. “Mede-se a eficácia da vacina através de estudos comparativos entre pessoas que tomam o imunizante e outras que não tomam. Mede-se a incidência da doença nos dois grupos ao longo do tempo. O estudo mostrou que o grupo vacinado teve a metade da incidência da doença leve do que o grupo não vacinado. Mostrou que essa vantagem é só para 78% quando a doença é moderada e a proteção foi de 100% da doença grave. Ou seja, a vacina é muito eficaz. Os estudos vão variar de um lugar pro outro por diversas circunstâncias. Mas a vacina é excelente e está disponível e a metodologia é segura e bastante conhecida e as condições de armazenamento são ótimas. Vamos tomar a Coronavac, pois o melhor cenário é tomar tal vacina e o pior é não tomá-la”, declarou.

O estudo da eficácia da vacina foi feito com 13.060 voluntários, todos profissionais da saúde, uma população muito exposta à doença. Metade do grupo tomou a vacina CoronaVac e a outra parte recebeu placebo. Desde o início do ensaio, em julho, 252 pessoas foram infectadas com covid-19 —167 do grupo placebo e 85 entre os vacinados. Se não houve nenhum caso no grupo vacinado, isso configura em uma eficácia de 100% para evitar casos graves, moderados, internações e mortes pela doença – conforme informações destacadas na matéria do site Uol.

Para as infecções que foram leves, ou seja, quando pessoa apresentou poucos sintomas de Covid-19 e recebeu algum tipo de assistência médica, mas não precisou de internação, houve sete casos no grupo vacinado e 31 no grupo de placebo. Isso significa que a eficácia é de 78%. Esse número é calculado com os 252 casos de pessoas que adoeceram dos dois grupos (o placebo e o vacinado), com qualquer gravidade da doença, na qual a proteção foi de 50,38%.

Além disso, o infectologista Carlos Henrique Nery Costa já havia explicado em checagem da COAR, que o chá de boldo não combate os sintomas provocados pelo novo coronavírus — a preparação caseira costuma ser usada para tratar problemas gastrointestinais e ressacas. Dr. Carlos Henrique Nery Costa ressalta que todo remédio ou medicamento deve seguir evidências científicas. O médico ainda reforça que é importante as pessoas evitarem confiar em informações que recebem nas redes sociais. “Elas devem ler informações com comprovação científica”. 

A COAR ressalta que ao receber uma mensagem duvidosa, desconfie e não forneça seus dados antes de ter certeza de que é verdadeira. Qualquer dúvida nos contate pelo nosso WhatsApp (86) 99517-9773 ou pelo Instagram (@coarnoticias).

Escrito por: Kryssyno Oliveira e Marta Alencar

Referências da COAR:

Uol

COAMOS: China não registrou novo surto da Covid-19 e não teve vacinação?

Desde o surgimento do novo coronavírus, na cidade de Wuhan, a China sofre ataques desmedidos; muitas das vezes relacionando teorias da conspiração do tipo: “o coronavírus foi criado intencionalmente em laboratório pelos chineses para abalar a economia do restante do mundo”.

Já checamos várias informações responsabilizando a China pela pandemia e outras tantas que põem em cheque a segurança da vacina desenvolvida por laboratórios do país para combater a doença. Nossa equipe checou mais uma dessas mensagens em tom de ataque ao país asiático.

Na informação, dissipada em grupos de WhatsApp, o autor (não identificado), faz os seguintes questionamentos: “nada de vacinação; nada de segunda onda? Qual o segredo? ”.

Foto: reprodução/WhatsApp

A resposta para a primeira pergunta está em reportagem publicada no portal Diário do Nordeste no dia 11 de setembro.

“Sinopharm, laboratório da China que desenvolve duas vacinas candidatas contra a Covid-19, já aplicou as fórmulas em centenas de milhares de pessoas no país asiático, ainda que durante a fase de testes. Outra companhia chinesa, a Sinovac Biotech, que testa sua vacina candidata no Brasil, já imunizou 3 mil pessoas. Os contemplados seriam funcionários da empresa e seus familiares, incluindo o presidente do laboratório”, diz trecho do texto.

A segunda onda de infecção pelo novo coronavírus na China também existiu. O fato foi registrado em maio deste ano, praticamente no início da pandemia aqui no Brasil, e foi registrado em matérias jornalísticas publicadas por portais do mundo todo.

Casos de reincidência da doença foram registrados primeiramente nas províncias de Heilongjiang e Jilin, Nordeste do país asiático.

Também houve registro de um novo surto da Covid-19 na província de Sichuan no início deste mês. Devido a isso, o governo chinês adotou medida de caráter urgente para imunizar 2 milhões de pessoas que pertencem ao grupo de risco da região.

A COAR ressalta que ao receber uma mensagem duvidosa, desconfie e não forneça seus dados antes de ter certeza de que é verdadeira. Qualquer dúvida nos contate pelo nosso WhatsApp (86) 99517-9773 ou pelo Instagram (@coarnoticias).

Escrito por: Wanderson Camêlo

Referências da COAR:

Portal UOL

Revista Super Interessante

Brasileiros são cobaias de vacinas da China e Inglaterra? COAMOS vídeo de enfermeiro

Seguido por mais de 70 mil pessoas no Facebook e com quase dois mil inscritos no Youtube, o enfermeiro de Cabo Frio, Anthony Ferrari Penza, que permite às vezes ser chamado de médico em vídeo e nas redes sociais, é conhecido por divulgar informações imprecisas e distorcidas na internet, principalmente sobre Covid-19.

Foto/Reprodução: Youtube (2020)

“Não estou fazendo apologia as pessoas a não se vacinarem. Mas estou defendendo por uma vacina eficaz. Existem três vacinas que estão sendo fabricadas e vindo para o nosso país: China, Oxford e Rússia. A vacina mais rápida criada no mundo demorou dez anos para ser fabricada e comprovada sua eficácia… Os brasileiros estão sendo feitos de cobaias… O coronavírus não é vírus letal como se prega por aí. Preocupa porque tem um contágio muito grande… Você pode ou não ser cobaia…” (Trecho da declaração do enfermeiro em vídeo viralizado na internet).

Ainda segundo o enfermeiro, as vacinas produzidas transmitiriam ou provocariam: doenças autoimunes, reações inflamatórias, doenças cognitivas, depressão, além de doenças neurológicas. A verdade é que a única vacina chinesa que vem sendo desenvolvida para distribuição no Brasil é a CoronaVac, da Sinovac Biotech. O acordo com o governo de São Paulo prevê a importação de 60 milhões de doses, mas também que a tecnologia será transferida para o Instituto Butantan, que produzirá a vacina no país. Até dezembro deste ano, o Butantan pode produzir até 40 milhões de ampolas, conforme reportagem do site NSC Total.

Leia mais: VACINA chinesa contra Covid-19 reduzirá a população mundial e mudará código genético? COAMOS conteúdo desinformativo na internet

No esboço do panorama das vacinas candidatas COVID-19 da Organização Mundial de Saúde (OMS) há as fases dos medicamentos em teste e seus níveis de segurança. A vacina de Oxford e a  CoronaVac, produzida pela Sinovac Biotech, foram testadas em macacos antes dos testes clínicos em humanos. Além disso, as imunizações foram liberadas para testes clínicos no Brasil pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) por terem nível de segurança considerado aceitável

Quanto à possível alteração no código genético, a COAR  já havia checado anteriormente e informado que especialistas ressaltam que embora um pedaço do DNA humano de interesse seja conectado ao plasmídeo de uma bactéria, ou seja, a uma molécula do DNA bacteriano, formando o DNA recombinante. Não é possível de forma alguma que o código genético humano seja alterado ou modificado, mas sim o do micro-organismo

Canal do enfermeiro distorce dados

Em uma matéria intitulada “Médicos e enfermeiros são alvos de denúncias por fake news e cura milagrosa“, de 28 de junho, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) consta a informação que é o profissional é investigado pelo Conselho Regional do Rio de Janeiro, publicou vídeos nas redes sociais afirmando que estados e municípios recebem dinheiro do governo federal por pacientes mortos vítimas da Covid-19. Entramos em contato com a assessoria do Cofen-RJ para apurar as informações sobre a conduta do enfermeiro. “Sim, ele está passando por processo ético e foi citado mesmo antes da Resolução do Cofen que suspendia todos os processos, por conta da pandemia. Os tribunais éticos são presenciais”, disse a nota enviada por email.

O enfermeiro polêmico por suas declarações também concorre a vaga de vereador no município de Cabo Frio (RJ) pelo Partido Social Democrático (PSD).

Sites que já divulgaram boatos espalhados pelo enfermeiro:

NEXO JORNAL

Uol

Folha

Aos Fatos

Escrito por: Marta Alencar

Caso você receba mensagens com informações duvidosas, questione e não compartilhe. Entre em contato conosco por meio do WhatsApp: (86) 99517-9773 ou pelo Instagram @coarnoticias.

Referências da COAR:

Anvisa

Aos Fatos

G1

Vacina CoronaVac é produzida pela mesma empresa que vendia vacinas falsas contra pólio, tétano e difteria em 2018?

Novamente um conteúdo verificado anteriormente pela COAR é divulgado nas redes sociais, com uma matéria do site G1 publicada em 2018, tratando sobre a venda de vacinas falsas por uma empresa chinesa.  Em checagem anterior, a COAR identificou que o conteúdo desinformativo citava uma matéria do site Uol.

Desinformação compartilhada nas redes sociais

O conteúdo distorce informações sobre o potencial que as vacinas chinesas possuem no combate à Covid-19. Em meses anteriores, precisamente em 20 de junho deste ano, a COAR já havia feito uma análise do mesmo conteúdo, que vinculava a vacina CoronoVac (produzida pela empresa Sinovac Biotech) com outra empresa chinesa, que foi multada por ter vendido 250 mil doses de vacina contra a difteria, o tétano e a poliomielite, conforme constatado em matérias jornalísticas de 2018. 

Conteúdo checado pela COAR em junho deste ano. A matéria de 2018 divulgada em grupos de WhatsApp era divulgada por usuários para denegrir as vacinas chinesas em contexto errado e manipulado.

A questão é que as vacinas mencionadas são/produzidas por empresas distintas. A CoronaVac é fabricada pela companhia biofarmacêutica chinesa Sinovac Biotech.  E a mencionada no conteúdo (checado) de 2018 é a Changsheng Life Science – conforme a imagem verificada. Nenhuma empresa tem qualquer relação, muito menos as vacinas.

Em 2018, a empresa Changchun Changsheng foi indiciada pelo governo chinês pela fabricação de vacinas para tétano, difteria e poliomielite (paralisia infantil). Com fluídos misturados e expirados de validação e dados de produção falsos. No total, foram 250 mil o número de doses feitas pela Changsheng Life Science que já estavam sendo distribuídas. A empresa foi multada em 9,1 bilhões de yuans (moeda chinesa), aproximadamente R$ 6, 916 bilhões. Em 2019, a organização anunciou falência.

Em checagens recentes, a COAR citou os testes das vacinas chinesas e a segurança delas com base em informações coletadas nos sites da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A COAR aponta que o conteúdo foi divulgado recentemente pelo perfil “Médicos Pela Liberdade” no Twitter. A página conta com mais de 46 mil seguidores. O grupo formado por médicos da direita reafirma em seu perfil que luta “em prol das liberdades individuais e contra o totalitarismo disfarçado de ciência”. No entanto, existem várias publicações distorcidas sobre a vacina chinesa, principalmente sensacionalistas e com tom ácido sobre as publicações científicas.

Caso você receba mensagens com informações duvidosas, questione e não compartilhe. Entre em contato conosco por meio do WhatsApp: (86) 99517-9773 ou pelo Instagram @coarnoticias.

Escrito por: Marta Alencar e Danilo Kelvin

Referências da COAR:

G1
UOL 

VACINA chinesa contra Covid-19 reduzirá a população mundial e mudará código genético? COAMOS conteúdo desinformativo na internet

Áudios e vídeos do engenheiro agrônomo, Marcelo Frazão de Almeida, sobre a vacina chinesa contra Covid-19, são divulgados frequentemente na internet. A questão é que os conteúdos – a maioria – são distorcidos, manipulados e sem quaisquer comprovações científicas. O engenheiro também está concorrendo às eleições deste ano para a Prefeitura de São Simão (SP) pelo partido Patriota.

Mensagem e áudio do engenheiro agrônomo, Marcelo Frazão de Almeida

“A Organização Mundial de Saúde está repetindo agora o que o presidente Jair Bolsonaro já dizia lá no início, que essa porcaria de resfriado não mata ninguém… O povo brasileiro tem um fetiche por ser controle pelo Estado com o uso dessa máscara. O governador do Estado (São Paulo), esse canalha, comunista e filho de terrorista, que foi expulso do país, que vai obrigar a todo mundo tomar essa vacina… Ninguém vai me obrigar a uma vacina que não quero. Graças a Deus que o presidente Jair Bolsonaro não vai obrigar a ninguém a tomar nada. Mas aconselho a vocês a fazerem o mesmo, pois essa vacina irá alterar o código genético (RNA), que causa síndromes perigosas, inclusive no sentido de fertilidade, de homossexualismo. Se você quer o bem dos seus filhos não os vacine. Não existem provas de que essa vacina vai funcionar. Pois, uma vacina demora em torno de 15 anos para ser produzida. “

No dia 3 de julho, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já havia autorizado novo teste para vacina (CoronaVac) adsorvida Covid-19 (inativada). O estudo aprovado é um ensaio clínico fase III duplo-cego, randomizado, controlado com placebo para avaliação de eficácia e segurança em profissionais da saúde. Conforme informações no site da Anvisa, a vacina é feita a partir de cepas inativadas do novo coronavírus. Para esta autorização, a Anvisa analisou os dados das etapas anteriores de desenvolvimento do produto. Foram realizados estudos não clínicos em animais, cujos resultados demonstraram que a vacina apresenta segurança aceitável. Também foram realizados estudos de fase I e II em seres humanos adultos saudáveis. Esses estudos demonstraram segurança e imunogenicidade favoráveis com o esquema de duas doses da vacina. 

Com base em informações do site Vox, tanto as vacinas de mRNA quanto as vacinas de vetor de adenovírus se baseiam na ideia de uma vacina de subunidade. No caso do SARS-CoV-2, o vírus que causa a Covid-19, a subunidade de interesse mais comum é a proteína spike. Os cientistas argumentam que podem persuadir o sistema imunológico a gerar anticorpos contra essa proteína. Os anticorpos são proteínas feitas pelo sistema imunológico que se ligam a partes específicas de um patógeno, desativando-o ou marcando-o para destruição por outras células imunológicas. As vacinas de mRNA usam mRNA, enquanto as vacinas de adenovírus usam DNA.

O processo acaba não apenas imitando uma estrutura-chave do vírus, mas também imitando como o vírus funciona durante uma infecção, o que poderia gerar uma resposta imunológica mais forte e produzir uma proteção melhor em comparação com outras abordagens. E como essas proteínas são produzidas de dentro das células, em vez de serem injetadas de fora, podem ter menos probabilidade de provocar reações adversas no receptor. Além disso, especialistas ressaltam que embora um pedaço do DNA humano de interesse seja conectado ao plasmídeo de uma bactéria, ou seja, a uma molécula do DNA bacteriano, formando o DNA recombinante. Não é possível de forma alguma que o código genético humano seja alterado ou modificado, mas sim o do micro-organismo. Ou seja, é totalmente infundado que as vacinas produzidas causariam homossexualismo ou autismo, conforme apontado pelo autor do áudio. Claramente o engenheiro informa dados e declarações homofóbicas e sem quaisquer comprovações científicas.

Todavia, a CoronaVac não insere um gene do vírus no corpo para estimular o sistema imune, informa o site do Butantan. Portanto, a Sinovac Biotech (empresa que fabrica a vacina chinesa) está produzindo uma imunização com o vírus inativado. No site do Butantan esclarece que a vacina é produzida com fragmentos “desativadas” do coronavírus para inoculação em humanos. Com a aplicação da dose, o sistema imunológico passaria a produzir anticorpos contra o agente causador da COVID-19. É o mesmo princípio usado em outras vacinas globalmente bem-sucedidas, como as do sarampo e poliomielite.

No dia 3 de novembro, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou o engenheiro Marcelo Frazão de Oliveira, por associar a vacina chinesa CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan contra a Covid-19, à homossexualidade, conforme reportagem do G1.

Covid-19 é apenas um resfriado?

O autor do áudio ainda ressalta que a Covid-19 é apenas um resfriado qualquer. A verdade é que a Covid-19 (doença provocada pelo vírus Sars-Cov-2), é uma infecção respiratória que começa com sintomas como febre e tosse seca e, pode provocar falta de ar. Especialistas apontam sintomas parecidos aos da gripe, no entanto,  a única diferença é que na covid-19 é muito frequente a anosmia (ausência de olfato).

Informações constadas em matéria no site El País

Caso você receba mensagens com informações duvidosas, questione e não compartilhe. Entre em contato conosco por meio do WhatsApp: (86) 99517-9773 ou pelo Instagram @coarnoticias.

Escrito por: Kryssyno Oliveira e Marta Alencar

Referências da COAR:

Vox

Instituto Butantan

Aos Fatos

G1

El País