FALSA: Mensagem “Wellington Dias não comprou vacinas contra Covid-19”

É verdade que o governador Wellington Dias (PT) não agilizou a compra de vacinas contra o novo coronavírus para o Piauí? A informação (abaixo) mostra uma imagem do petista, com a bandeira do Brasil ao fundo, e as seguintes informações:

“Governo Federal: 2.176.820 doses [de vacinas contra a Covid-19] enviadas para o Piauí pelo Ministério da Saúde. Zero [vacinas] compradas pelo Wellington Dias”, diz o texto da montagem, dissipada no Facebook.

MENSAGEM IMPRECISA

O site do Ministério da Saúde mostra que atualmente o número de vacinas enviadas ao estado é de 3.085.180, ou seja, ultrapassou já o contingente destacado na imagem checada, o que mostra que a mesma não é recente.

E o governador Wellington Dias, ele realmente não agilizou a compra de nenhum imunizante? Falso. Ainda este mês o Piauí negociou, por meio do Instituto Butantã, a compra de 500 mil doses da vacina chinesa Coronavac. A informação foi confirmada pelo chefe do executivo piauiense no último dia 13. A entrega deve acontecer já no próximo mês de setembro.

Wellington, antes, tentou viabilizar, através do Consórcio de Governadores do Nordeste, a compra de imunizantes russos contra a doença, mas esbarrou em uma série de condicionantes impostos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A volta atrás foi anunciada no dia 05 deste mês. Era prevista a compra de 37 milhões de doses da Sputnik V, a serem distribuídas entre todos os estados do Nordeste.

A COAR ressalta que ao receber uma mensagem duvidosa, desconfie e não forneça seus dados antes de ter certeza de que é verdadeira. Qualquer dúvida nos contate pelo nosso WhatsApp (86) 99517-9773 ou pelo Instagram (@coarnoticias).

Referências da COAR:

Ministério da Saúde

Portal Cidade Verde

VERIFICAMOS: Eficácia de Hidroxicloroquina, zinco e azitromicina para curar Covid-19

Um vídeo da declaração da médica africana, Stella Immanuel, tem gerado controvérsias e discussões na internet. A médica garante que 350 pacientes foram curados por meio da combinação dos fármacos: hidroxicloroquina, zinco e azitromicina. Stella tem formação pela Universidade de Calabar, na Nigéria, e dirige uma clínica em Houston, nos Estados Unidos.

Embora a declaração seja de uma médica, a informação é considerada falsa. Existem vários estudos sobre o assunto, inclusive um desenvolvido pelo projeto Recovery, ensaio clínico do Reino Unido, que testou a hidroxicloroquina em 1.542 pacientes com Covid-19, escolhidos aleatoriamente. Entretanto, o medicamento não colaborou para a recuperação dos participantes. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) declara que não há medicamento ou vacina capaz de curar a doença ainda.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), chegou a divulgar a declaração da médica em seu Twitter com 84 milhões de seguidores, na segunda-feira (27). Entretanto, a publicação foi excluída por possuir “informações falsas de tratamento ou cura para a Covid-19”.

A divulgação na rede social foi removida

Outras publicações também estão sendo excluídas no YouTube, Facebook e Instagram — como ocorreu no Instagram da cantora Madonna, que acabou deletando a postagem.

No Brasil, o conteúdo foi disseminado por vários apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que acreditam na eficácia desses medicamentos e defendem o uso dos mesmos.

Caso você receba mensagens com informações duvidosas, questione e não compartilhe. Entre em contato conosco através do WhatsApp: (86) 99517-9773 ou pelo Instagram @coarnoticias.

Publicado por: Maria Luísa Araújo

Edição: Marta Alencar

Referências:

Compartilhamentos do vídeo no Twitter ( 1 e 2)

Compartilhamentos do vídeo no Instagram (1, 2 e 3)

Conselho Médico do Texas

Site da OMS

Pesquisa Francesa sobre as consequências da hidroxicloroquina junto à azitromicina, como tratamento antiviral para COVID-19 em humanos

https://www.recoverytrial.net/news/statement-from-the-chief-investigators-of-the-randomised-evaluation-of-covid-19-therapy-recovery-trial-on-hydroxychloroquine-5-june-2020-no-clinical-benefit-from-use-of-hydroxychloroquine-in-hospitalised-patients-with-covid-19

VERIFICAMOS: Distribuição de kits Covid-19 da Unimed

Uma informação de que a Unimed, filial em Santa Catarina, vem distribuindo “Kits Covid-19” viralizou no Twitter. O conteúdo informa que o tal Kit conta com medicamentos, como hidroxicloroquina, ivermectina, vitamina D, zinco quelado, além de uma orientação sobre como usar a medicação de maneira preventiva. A COAR constatou que a informação é verdadeira, embora com algumas ressalvas.

O kit é distribuído pela unidade, no entanto, a empresa esclareceu que o coquetel com hidroxicloroquina, ivermectina, vitamina D, e Zinco quelado, não é recomendado a toda a população (como fica subentendido na descrição de algumas postagens), e que a intenção do kit é, especificamente, evitar que médicos contraiam o vírus Sars- Cov-2 (transmissor da Covid-19). Destacou também que a receita é enviada apenas aos profissionais que efetivaram exames para comprovar possíveis reações indesejáveis.

O estabelecimento se posicionou sobre o assunto através do Twitter oficial da Unimed Brasil.

A utilização não é compulsória e o kit foi entregue a profissionais da linha de frente com orientações. Também foram realizados exames para excluir doenças que possam ser agravadas pelo uso da profilaxia. A Unimed orienta suas cooperativas a seguirem as diretrizes previstas pelas associações e sociedades de especialidades médicas brasileiras, além dos protocolos aprovados pela OMS.

Pelo princípio cooperativista, as cooperativas têm autonomia para desenvolver e executar as ações que julgarem pertinentes às suas necessidades, bem como os médicos que as compõem têm autonomia para indicar tratamentos e procedimentos de acordo com as diretrizes estabelecidas pelo Conselho Federal de Medicina.”

De fato, a ética médica diz que cada profissional tem autonomia para prescrever a receita que julgar mais eficaz. Outra, não há um medicamento ideal contra o novo coronavírus. O Ministério da Saúde recomenda o coquetel de dois medicamentos associados à azitromicina: a cloroquina e o sulfato de hidroxicloroquina ao tratamento precoce da doença no Sistema Único de Saúde (SUS). Entretanto, o acesso desses fármacos só é possível por meio de prescrição médica e da assinatura do paciente no Termo de Ciência e Consentimento.

A equipe da COAR reforça que em caso de dúvidas você pode entrar em contato com o WhatsApp: (86) 995179773 ou pelo Instagram @coarnoticias.

Escrito por: Maria Luísa Araújo

Edição: Wanderson Camêlo

Referências da COAR:

  1. Perfil no Twitter Unimed Brasil
  2. Perfil no Twitter Medicina em Debate

Prefeitura de Vitória da Conquista usa protocolo com lista de remédios profiláticos contra a Covid-19?

Nos últimos quatro meses, os internautas têm sofrido um verdadeiro bombardeio com informações sobre o novo coronavírus. Uma dessas informações que ganhou o país e tem sido compartilhada por muitos usuários é um conteúdo com uma lista de remédios que seriam eficientes no tratamento profilático contra o coronavírus. No cabeçalho do “panfleto digital” é destacado o logotipo da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista (na Bahia), seguido do título ‘Comitê para o combate ao coronavírus Covid-19’.

O tratamento indicado na mensagem existe conforme a Fundação Municipal de Saúde de Teresina (FMS) e a Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi), mas não é usado pelo executivo da cidade baiana, como fica subentendido na arte gráfica. Portanto, trata-se de uma um conteúdo falso.

A suposta profilaxia seria utilizada por profissionais da saúde em Vitória da Conquista

Em seu site, a prefeitura de Vitória da Conquista publicou uma nota informando que não havia divulgado nenhum protocolo com medicamentos que seriam usados para prevenção contra a Covid-19.

VEJA A NOTA:

A Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista esclarece que não é a responsável pela divulgação de um card com suposto tratamento precoce da COVID-19 e desconhece sua autoria.

A Secretaria Municipal de Saúde tem agido com total transparência em relação às medidas de prevenção, controle e combate à pandemia do novo coronavírus no município e todas as informações são disponibilizadas no site criado para divulgação exclusiva das ações da Prefeitura: http://www.pmvc.ba.gov.br/coronavirus

É importante ainda reforçar que nenhum servidor público tem autorização para utilizar o logotipo do Governo Municipal em materiais de divulgação sem a devida autorização da Secretaria de Comunicação.

Sobre a lista, a COAR apurou junto à FMS que ela existe, como já dito. Tanto a Fundação Municipal de Saúde quanto a Secretaria de Estado da Saúde disponibilizam em seus sites protocolos com remédios que podem ser usados pelas pessoas.

No protocolo da Fundação, aparece, por exemplo, a cloroquina ou hidroxicloroquina, e a azitromicina como indicadas para pacientes com quadro leve da doença.

Para quem está com o quadro moderado, são indicados a prescrição da ivermectina 6mg, a dexamesatona e a ceftriaxona, por exemplo.

A quem está com o quadro grave da doença é recomendado prescrever a heparina não fracionada.

Se você recebeu uma informação, seja ela escrita, foto ou vídeo que você achou um pouco estranho, contate-nos, que avaliamos se é passível de checagem.

Em caso de dúvidas você pode entrar em contato com nossa esquipe pelo WhatsApp: (86) 995179773 ou pelo Instagram @coarnoticias.

Escrito por: Daniel Silva

Edição: Wanderson Camêlo

Referências da COAR:

  1. Site Prefeitura de Vitória da Conquista
  2. Site Fundação Municipal de Saúde de Teresina (FMS)
  3. Site SESAPI


Isolamento social não é eficaz para redução de transmissão do novo coronavírus?

Uma mensagem, que menciona o deputado federal do Rio Grande do Sul Osmar Terra (MDB), e a Organização Mundial de Saúde (OMS), tem sido compartilhada no WhatsApp com um contexto errado. O conteúdo contém uma série de argumentos que defendem a tese de que a Hidroxicloroquina é capaz de curar a Covid-19, sem proporcionar grandes gastos aos cofres públicos. Em abril deste ano, os sites Aos Fatos e Boatos checaram esta informação, mas agora ela voltou a circular novamente em grupos do aplicativo e outras redes sociais. Confira abaixo um trecho da mensagem:

A mensagem questiona o isolamento social

Osmar Terra é também médico e sempre se mostrou contra o isolamento social mais abrangente (isolamento horizontal). Para o deputado, apenas o grupo de risco deveria permanecer no confinamento (isolamento vertical). Essa ideia, de que o isolamento vertical defendido por Terra é a melhor opção para a situação da Covid-19, é um dos pontos apresentados na mensagem viralizada.

A COAR verificou os canais oficiais da OMS e não encontrou nenhuma contraindicação em relação ao isolamento social. O que aconteceu foi a divulgação de uma declaração do diretor da organização, Tedros Ghebreyesus, fora do contexto original. Em uma coletiva no dia 30 de março de 2020, quando perguntado sobre os impactos econômicos e sociais da quarentena na Índia, ele falou:

“Sobre essa questão do lockdown [quarentena obrigatória], talvez alguns países já tenham tomado medidas de distanciamento físico, como fechar escolar e evitar aglomerações etc. Isso pode ajudar a ganhar tempo e, ao mesmo tempo, cada país é diferente do outro. Alguns têm uma forte rede de proteção social e outros, não. Eu sou da África, como vocês sabem, e eu conheço muitas pessoas que realmente precisam trabalhar todos os dias para comprar seu pão. Governos devem levar essas populações em conta; se eles estão fechando ou limitando movimentos, o que vai acontecer com essas pessoas que tem que ganhar seu sustento todos os dias? Cada um dos países tem que responder a essa pergunta com base na sua situação”.

No dia seguinte à coletiva, Tedros voltou a mencionar o assunto em sua conta no Twitter e dessa vez complementou:

“Pessoas sem fonte de renda regular ou sem qualquer reserva financeira merecem políticas sociais que garantam a dignidade e permitam que elas cumpram as medidas de saúde pública para a Covid-19 recomendadas pelas autoridades nacionais de saúde e pela OMS. Eu cresci pobre e entendo essa realidade. Convoco os países a desenvolverem políticas que forneçam proteção econômica às pessoas que não possam receber ou trabalhar devido à pandemia da Covid-19. Solidariedade”.

Ainda há desinformação quando o texto menciona que o confinamento aumenta os casos de Covid-19, o que não passa de uma sugestão da China sem nenhum estudo preliminar. A COAR verificou que existem vários artigos que comprovam a efetividade do isolamento no combate à disseminação do vírus. Um deles foi publicado na revista cientifica The Lancet no início de abril, onde pesquisadores da Universidade de Hong Kong avaliaram a eficácia de medidas restritivas, implementadas desde o mês de janeiro de 2020 em quatro cidades e 10 províncias chinesas.

Tweets feitos pelo diretor da OMS, Tedros Ghebreyesus (imagem retirada do site Aos Fatos).

Hidroxicloroquina como cura

Durante este período de pandemia a COAR já checou, em diversas oportunidades, remédios que supostamente curariam a Covid, esse é mais um desses casos. No texto é mencionado que a Hidroxicloroquina (constantemente recomendada pelo atual presidente Jair Bolsonaro) é capaz de curar a doença de forma mais barata. Essa informação também não é verdadeira.

O gerente de incidentes para Covid da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), Sylvain Aldighieri, mencionou, durante uma coletiva de imprensa na terça-feira (14), que a OMS suspendeu o tratamento à base de Hidroxicloroquina por “não observar os benefícios do medicamento”, portanto, a organização não recomenda o uso da Hidroxicloroquina em pacientes de Covid-19.

Na página oficial da OPAS, encontramos um posicionamento sobre a medicação:

“Até o momento, não há vacina nem medicamento antiviral específico para prevenir ou tratar a Covid-19. As pessoas infectadas devem receber cuidados de saúde para aliviar os sintomas. Pessoas com doenças graves devem ser hospitalizadas. A maioria dos pacientes se recupera graças aos cuidados de suporte”.


Atualmente há um esforço global, coordenado pela Organização Mundial da Saúde, para produção de uma vacina e medicamentos eficazes para prevenir (vacina) e/ou tratar (medicamentos) a Covid-19. Contudo, ainda não há nada pronto com eficacia comprovada cientificamente.

Em relação às formas de prevenção, a OPAS e a OMS seguem com as mesmas recomendações, confira:

  1. • Lavar as mãos frequentemente com água e sabão ou álcool em gel e cobrir a boca com o antebraço quando tossir ou espirrar (ou utilizar um lenço descartável e, após tossir/espirrar, joga-lo no lixo se lembrando de lavar as mãos logo em seguida).
  2. • Se uma pessoa tiver sintomas mais leves, como tosse leve ou febre leve, geralmente não há necessidade de procurar atendimento médico. O ideal é ficar em casa, fazer autoisolamento (conforme as orientações das autoridades nacionais) e monitorar os sintomas. Se eles evoluírem para uma dificuldade de respirar ou/e dor/pressão no peito procure atendimento médico imediatamente.

Escrito por: Assislene Carvalho

Edição: Wanderson Camêlo e Guilherme Cronemberger

Referências da COAR:

  1. Site Aos Fatos (mês de abril)
  2. Site Boatos (mês de abril)
  3. Artigo da revista The Lancet
  4. Site Correio Braziliense
  5. Site UOL (2004)
  6. Site OPAS/OMS

Consumo de alimentos alcalinos ajuda o organismo a combater coronavírus?

A COAR recebeu uma imagem que relaciona a COVID-19 ao potencial hidrogeniônico (pH) do organismo humano. O conteúdo que está sendo repassado nas redes sociais mostra que o consumo de alimentos alcalinos, ou seja, com pH alto pode blindar a saúde e combater o novo coronavírus. Entretanto, a informação é falsa.

Apesar de não haver comprovações científicas, as informações destacam que o vírus não adere-se a organismos que possua o pH maior que 5,5. Para isso, a ilustração recomenda o consumo de frutas alcalinas apresentando uma tabela de alimentos como o limão, abacate, laranja, manga, alho, tangerina e abacaxi.

A mensagem sugere que a informação seja compartilhada.

A COAR entrevistou o médico infectologista Kelson Veras. Ele esclarece que a entrada do Sars-CoV-2 ocorre na mucosa do trato respiratório e não pelo estômago. O clínico geral também destaca que o pH do sistema respiratório é imutável.

“O pH do trato respiratório é mantido entre 7,35 a 7,45 por uma série de mecanismos reguladores inatos ao nosso organismo. O que comemos não altera o pH de nossas células. Por outro lado, a ingestão de alimentos em quantidade normal também é incapaz de manter uma alteração do pH gástrico por todo o dia. Ademais, mesmo que fosse possível, não seria saudável, pois o pH do estômago é mantido em um nível ideal para permitir a digestão das proteínas, substâncias fundamentais para a manutenção de nossos músculos e da resposta imunológica”.

Além disso, o site do Ministério da Saúde também explica que alimentos alcalinos não evitam a COVID-19 e que até o momento, não há medicamento, substância, vitamina, alimento específico ou vacina que possa prevenir a infecção pelo novo coronavírus. Para a devida prevenção é necessário basicamente:

–  Lavar as mãos frequentemente, com água e sabão;

– Higienizar as mãos com álcool em gel 70%;

– Cobrir o nariz e boca com lenço ou braço quando tossir ou espirrar;

– Evitar contato próximo com pessoas que possuam sintomas parecidos com os da gripe;

 – Permanecer em casa;

– Evite tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas;

– Não compartilhar objetos pessoais (como talheres, toalhas, pratos e copos);

– Manter os ambientes ventilados.

Assim como o Ministério da Saúde analisa as Fake News em seu site, a COAR verifica informações duvidosas através do WhatsApp (86) 99517-9773 ou pelo Instagram (@coarnoticias). Qualquer dúvida entre em contato com nossa equipe.

Escrito Por: Maria Luísa Araújo

Edição: Daniel Silva

Referências da COAR:

  1. Site do Ministério da Saúde

Máscaras do Piauí com número 666 não estão infectadas

Exclusiva COAR

29/04/2020 8h50

Por: Letícia Santos

Desde as primeiras recomendações das autoridades em saúde sobre a utilização de máscaras, o objeto vem sendo alvo de conteúdos falsos no Piauí. Desta vez, uma mensagem compartilhada massivamente no Whatsapp, Twitter e Youtube dá conta de que máscaras estampadas com o número “666” vindas da China estariam contaminadas com o coronavírus e que a população piauiense deveria evitá-las.  A publicação ainda alerta de que o número “666” seria o da “besta fera” e que a Bíblia está revelando que o fim está próximo. 

A COAR investigou a respeito do conteúdo e encontrou a mesma imagem sendo divulgada de formas diferentes em vários estados, não somente no Piauí. No entanto, devido a mensagem está circulando massivamente no Estado, entramos em contato com a Secretaria de Saúde do Piauí (Sesapi) para comentar a respeito da mensagem com tom religioso e sem embasamento científico.

De acordo com a pasta, todos os equipamentos de proteção individual (EPIs) são avaliados pela vigilância sanitária antes de serem distribuídos. Portanto, a mensagem é infundada e falsa. Além disso, os EPIs são destinados aos profissionais de saúde. E o número em questão não tem relação com as máscaras de proteção ou com qualquer suposição de ataque terrorista.

O Ministério da Saúde já esclareceu que não há nenhuma evidência de produtos enviados da China para o Brasil, que tenham tragam o coronavírus (Covid-19).

Leia mais: #FALSO: Áudio alertando sobre máscaras contaminadas distribuídas no Piauí

De acordo com estudos científicos, os vírus sobrevivem no tecido entre 72 e 96 horas. A médica infectologista, Jéssica Sousa, confirma essa informação e explica que não existem estudos específicos sobre o novo coronavírus, mas pode-se levar em consideração estudos de outros vírus já conhecidos.

Cuidados com a máscara de tecido

A infectologista afirma que é necessário ter cuidado com a máscara de tecido. Ao sair de casa, a recomendação é que a máscara não seja manuseada pela parte da frente, somente pelo elástico. Além disso, o ideal é que a máscara não fique folgada no rosto. A recomendação é que ao chegar em casa, a máscara seja colocada de molho em água com sabão ou hipoclorito (água sanitária) e lavada manualmente. 

“É importante ter cuidado nos momentos de retirar e colocar a máscara, considerando sempre que aquela região anterior esteja contaminada. Evite colocar a mão na máscara o tempo inteiro quando sair para a rua, porque sua mãos podem estar contaminadas”, aconselha a infectologista.

A médica infectologista também chama atenção para o perigo das informações falsas que circulam nas redes sociais sobre os equipamentos de proteção individual.

“Quando que você vir uma notícia que considera duvidosa, entre em contato com profissionais ou especialistas área de saúde para esclarecer, antes de sair divulgando uma informação inverídica”, finaliza a médica.

É FALSO? Medicamento antiparasitário que ‘mata’ Covid-19 em 48 horas

Por: Gabrielle Alcântara

É comum encontrarmos no WhatsApp, receitas milagrosas e até supostas descobertas científicas com links suspeitos. Inclusive, já verificamos muitas delas aqui, na COAR. Um exemplo disso é a matéria que recebemos, indicada por um leitor, para análise:

A informação foi compartilhada em vários sites

O site intitulado Mundo Ao Minuto veiculou uma matéria com o título “Identificado medicamento parasitário que ‘mata’ Covid-19 em 48 horas”. De acordo com o site, o medicamento chamado “Ivermectin” do Laboratório na Austrália, poderia remover essencialmente todo o RNA viral no espaço de 48 horas ou em até 24 horas – com uma redução significativa.

Ontem (3), o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que um estudo publicado em um periódico científico é “muito frágil”, mas que o governo vai autorizar o uso da cloroquina no tratamento para o coronavírus também para pacientes graves. Até então, a substância era permitida apenas para pacientes considerados críticos, aqueles internados em leitos de UTI.

A COAR verificou no site do Ministério da Saúde e em diversos sites de credibilidade nacional e internacional para buscar notícias sobre o remédio de cura defendido pela matéria, mas não há veiculação sobre qualquer remédio ou vacina contra o coronavírus.

A notícia, então, é falsa. A COAR reitera o compromisso com a informação e indica que a população verifique sempre o site de notícia e evite clicar em links desconhecidos.