Mensagem que circula em grupos de WhatsApp de “enfermeira indignada” é falsa

Uma mensagem que viralizou na internet relata que uma suposta enfermeira (sem identificação) está indignada com a situação dos hospitais diante do agravamento da pandemia do novo Coronavírus (Covid-19) no Brasil. A mensagem sem indicação do nome da fonte diz:

Reprodução/WhatsApp

A COAR verificou que o conteúdo acima é falso. Mensagens como essa são comuns circularem na internet e a maioria é falsa. Uma dica para você leitor é sempre se atentar a identificação da fonte. A mensagem não indica quem é a enfermeira e nem de qual estado reside.

Fora de contexto

Além de ser falsa, durante a nossa investigação descobrimos que a mensagem em questão tem como base o vídeo de uma mulher que falava da crise de saúde pública em Manaus (AM) no começo deste ano de 2021, e que foi tirado de contexto. 

No vídeo, a mulher identificada como Natálie Batista, que não é enfermeira e sim acompanhante de um paciente de 81 anos de idade, internado no Hospital Pronto-Socorro 28 de Agosto, relata uma situação que ocorreu com ela na unidade. 

Segundo ela, uma enfermeira teria abaixado o oxigênio do seu paciente e de outros no local, o que gerou revolta para alguns acompanhantes que foram retirados do hospital após reclamarem da medida. Natálie Batista, disse também que o idoso havia sofrido uma queda na saturação (nível de oxigênio no sangue) de 90 para 7. 

No vídeo, a mulher não chega a falar que a ordem era entubar e baixar o oxigênio para aumentar o número de mortos, nem de medidas de governo, tudo se tratava daquele momento em questão, diferente do que foi dito na mensagem compartilhada no WhatsApp e em outras redes sociais.

Crise de saúde pública

Naquele período, o Amazonas sofria com o agravamento da pandemia, aumento de casos, internações e falta de oxigênio para pacientes com o vírus. De acordo com uma nota publicada na época pela Secretaria de Estado de Saúde de Amazonas (SES-AM), as unidades de saúde estavam aderindo a um protocolo que envolvia reduzir o oxigênio para economizar o insumo e não matar os pacientes. 

Além disso, uma das medidas adotadas pelo governo do estado para salvar a vida das pessoas foi transferir os pacientes para seis estados da federação, enquanto o crise era solucionada no Amazonas. 

De acordo com o último boletim epidemiológico, de sexta-feira (26), o Amazonas possui 11.917 óbitos e 344.224 casos da Covid-19. Só na capital do estado, há 729 pessoas internadas com a doença e no interior, são 354 pessoas. Os dados são do Painel Covid-19 Amazonas. 

A COAR ressalta que ao receber uma mensagem duvidosa, desconfie e não forneça seus dados antes de ter certeza de que é verdadeira. Qualquer dúvida nos contate pelo nosso WhatsApp (86) 99517-9773 ou pelo Instagram (@coarnoticias).

Escrito por: Kryssyno Oliveira

LOCKDOWN: OMS não condena isolamento total

Com mais de 290 mil mortes registradas por Covid-19 no Brasil, o volume de desinformações sobre o vírus cresce cada vez mais. Nesse cenário, desinformações já verificadas e contestadas por fact-checkers e jornalistas em 2020 voltam a circular novamente este ano. Uma delas está em destaque abaixo:

A informação distorce o posicionamento da OMS

Primeiramente, os conteúdos desinformativos utilizam a imagem do diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom ao invés de David Nabarro, enviado especial da OMS, que concedeu uma entrevista para a revista britânica The Spectator, e onde apontou pontos positivos e negativos do lockdown.

A entrevista de David Nabarro, enviado especial da OMS foi distorcida e compartilhada por imagens, vídeos e textos nas redes sociais, principalmente no Facebook e WhatsaApp. Na verdade, Nabarro disse que o lockdown diminui a velocidade de contágio do vírus.

“Eu gostaria de afirmar novamente: nós, da Organização Mundial de Saúde, não defendemos o lockdown como o primeiro meio de controle do vírus. O único momento em que nós acreditamos que o lockdown é justificado é para ganhar tempo para reorganizar, reagrupar e rebalancear seus recursos; proteger seus profissionais de saúde que estão exaustos. Mas, em geral, nós preferimos não fazer isto”. Embora esteja ligado à OMS, David Nabarro não é um dos diretores da organização. Ele atua como enviado especial da OMS para assuntos relacionados à pandemia.

Dias após a entrevista de Nabarro, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, reforçou que a entidade não condena o isolamento total e declarou:

Existem muitas ferramentas à nossa disposição: a OMS recomenda localização de casos, isolamento, testes, cuidado compassivo, rastreamento de contato, quarentena, distanciamento físico, higiene das mãos, máscaras, etiqueta respiratória, ventilação, evitar multidões e muito mais.  Reconhecemos que, em certos pontos, alguns países não tiveram escolha a não ser emitir pedidos de permanência em casa e outras medidas para ganhar tempo. Muitos países usaram esse tempo para desenvolver planos, treinar profissionais de saúde, colocar suprimentos, aumentar a capacidade de teste, reduzir o tempo de teste e melhorar o atendimento aos pacientes. A OMS espera que os países usem intervenções direcionadas onde e quando necessário, com base na situação local.

A COAR ressalta que ao receber uma mensagem duvidosa, desconfie e não forneça seus dados antes de ter certeza de que é verdadeira. Qualquer dúvida nos contate pelo nosso WhatsApp (86) 99517-9773 ou pelo Instagram (@coarnoticias).

Escrito por: Marta Alencar

Referências da COAR:

The Spectator

Estadão Verifica