COAMOS: Governo federal divulgou nova lista com datas de vacinação contra a Covid-19?

Uma lista, supostamente divulgada pelo governo federal, com datas relacionadas à nova etapa de vacinação contra a Covid-19 circula nas redes sociais. Nossa reportagem recebeu a informação e checou a veracidade do conteúdo.

De acordo com o texto, a previsão de imunização para a população de 20 a 18 anos, por exemplo, é para o mês de agosto deste ano. O conteúdo continua sendo dissipado em grupos de WhatsApp.

Foto: reprodução/WhatsApp

Analisando a mensagem em termos gramaticais, é possível deduzir que se trata de mais uma chamada “fake news”. Quando o autor (desconhecido) se refere à doença causada pelo novo coronavírus, não há a separação do número “19” com o hífen.

A crase antes uma faixa etária e outra (problema detectado em boa parte do texto) também está aplicada de forma errada. Não se usa o acento indicativo de crase antes de palavras masculinas: no caso, “anos”.

Ademais, em outros pontos a crase é trocada pelo acento agudo.

Nossa reportagem também consultou a Fundação Municipal de Saúde de Teresina (FMS). Além de negar a veracidade da mensagem, a instituição divulgou uma tabela com as reais datas de imunização na capital.

Foto: divulgação/FMS

De acordo com o Ministério, “estados e municípios têm autonomia para montar seu próprio esquema de vacinação e dar vazão à fila de acordo com as características de sua população, demandas específicas de cada região e doses disponibilizadas”. Ou seja, o calendário de imunização não parte exclusivamente do governo federal, como deixa a entender a informação checada.

A COAR ressalta que ao receber uma mensagem duvidosa, desconfie e não forneça seus dados antes de ter certeza de que é verdadeira. Qualquer dúvida nos contate pelo nosso WhatsApp (86) 99517-9773 ou pelo Instagram (@coarnoticias).

Escrito por: Wanderson Camêlo

Referências da COAR:

Agência Brasil

Ivermectina na prevenção de Covid-19

A COAR recebeu via Whatsapp o áudio de um homem paraibano – não identificado – que afirma trabalhar no IASS (Instituto de Assistência à Saúde do Servidor) e ter participado de uma palestra sobre Ivermectina, medicamento que nos últimos meses vem sendo usado como objeto de disseminação de várias desinformações. De acordo com ele, o remédio – que geralmente é utilizado como vermífugo, pode ser usado como cura e prevenção ao novo coronavírus. Essa informação poderia até ser animadora, se não fosse falsa.

No áudio é afirmado que o medicamento quebra o ciclo celular do vírus e impede que este se multiplique. O responsável pela gravação ainda informa que a Ivermectina pode ser usada em casos leves, graves e também antes do contágio, como forma de prevenção. Ele apresenta como forma de embasamento para sua fala a informação de que na Austrália 550 médicos tomaram uma única dose do remédio, variando a quantidade de comprimidos de acordo com o peso de cada pessoa. Essa única dose serviria como forma de imunização por 6 meses ou até mesmo 1 ano.

Áudio e imagem que estão sendo compartilhados via Whatsapp.

Primeiramente, nossa equipe buscou em sites oficiais, como o do Ministério da Saúde, para elencar algum posicionamento sobre o uso do medicamento. De acordo com as informações encontradas, ainda não existe nada capaz de curar nem prevenir a doença; as medicações utilizadas nos tratamentos hospitalares são apenas para ajudar a minimizar os sintomas e promover uma maior resistência do organismo para evitar que se chegue a situações mais graves e até mesmo a morte.

Em segundo momento, buscamos informações de profissionais que estão na linha de frente do combate à pandemia. O médico Darllan Barros, diretor do hospital de campanha Nossa Senhora de Fátima, no município de Parnaíba (norte do Piauí), informou que a Ivermectina é um medicamento que tem eficácia comprovada no tratamento de algumas doenças causadas por vírus, bactérias, vermes, insetos e ácaros.

O estudo australiano sobre o medicamento como combatente à Covid-19 foi feito a partir de testes em laboratório e realmente mostrou um impedimento da multiplicação do vírus. Porém, segundo Darllan Barros, em laboratório as condições são diferentes e mais controladas do que no corpo humano.

“Precisamos esperar para ver se ela vai funcionar quando testada em humanos, qual a quantidade que precisará ser ministrada e quais os riscos ela trará à nossa saúde. Por enquanto, ninguém tem certeza”, afirma Barros.


Riscos da automedicação

O médico ainda alerta que o próprio efeito colateral da Ivermectina pode se confundir com a manifestação clínica da Covid-19. De acordo com ele, se “em meio a uma pandemia você tomar por conta própria um remédio, pode induzir sintomas e confundir o diagnóstico, comprometendo também o tratamento”.

Em relação à dosagem do medicamento ele informou à nossa equipe que, para impedir a reprodução do coronavírus, seria necessária uma dose muito mais alta do que a utilizada no tratamento de outras verminoses e que doses muito altas podem ser tóxicas, além disso, podem oferecer maiores riscos à saúde do paciente.

Darllan Barros também nos informou que até agora não há comprovação que a medicação sirva como forma de prevenção à Covid-19 e nem registros de outro medicamento que possa servir neste sentido. O que está sendo feito nos hospitais é apenas tratamento dos sintomas por meio de medicamentos, de acordo com o diagnóstico dos profissionais de saúde.

“Tudo ainda é muito novo! Não existe uma comprovação científica segura!”, concluiu.

Escrito por: Assislene Carvalho
Edição: Wanderson Camêlo

Referências da Coar

Site do Ministério da Saúde