Vídeo mostra secretária de Saúde tomando vacina com seringa aparentemente vazia?

Desde quarta-feira (19), um vídeo com áudios e imagens viralizou nas redes sociais onde mostra uma profissional da saúde supostamente vacinada contra a Covid-19 com uma seringa vazia. Diante da repercussão, a Prefeitura de Quixadá, no interior do Ceará, denunciou, na delegacia do município e no Ministério Público.

Confira o vídeo na íntegra:

No vídeo original, a mesma mulher aparece sendo vacinada normalmente, com uma dose da Coronavac, vacina que chegou ao Ceará na segunda-feira (18). Confira a nota de repúdio da prefeitura diante da divulgação dos conteúdos falsos:

Nenhuma descrição de foto disponível.

Caso você receba mensagens com informações duvidosas, questione e não compartilhe. Entre em contato conosco por meio do WhatsApp: (86) 99517-9773 ou pelo Instagram @coarnoticias.

Escrito por: Marta Alencar

Referências da COAR:

Prefeitura de Quixadá

Consumo de alimentos alcalinos ajuda o organismo a combater coronavírus?

A COAR recebeu uma imagem que relaciona a COVID-19 ao potencial hidrogeniônico (pH) do organismo humano. O conteúdo que está sendo repassado nas redes sociais mostra que o consumo de alimentos alcalinos, ou seja, com pH alto pode blindar a saúde e combater o novo coronavírus. Entretanto, a informação é falsa.

Apesar de não haver comprovações científicas, as informações destacam que o vírus não adere-se a organismos que possua o pH maior que 5,5. Para isso, a ilustração recomenda o consumo de frutas alcalinas apresentando uma tabela de alimentos como o limão, abacate, laranja, manga, alho, tangerina e abacaxi.

A mensagem sugere que a informação seja compartilhada.

A COAR entrevistou o médico infectologista Kelson Veras. Ele esclarece que a entrada do Sars-CoV-2 ocorre na mucosa do trato respiratório e não pelo estômago. O clínico geral também destaca que o pH do sistema respiratório é imutável.

“O pH do trato respiratório é mantido entre 7,35 a 7,45 por uma série de mecanismos reguladores inatos ao nosso organismo. O que comemos não altera o pH de nossas células. Por outro lado, a ingestão de alimentos em quantidade normal também é incapaz de manter uma alteração do pH gástrico por todo o dia. Ademais, mesmo que fosse possível, não seria saudável, pois o pH do estômago é mantido em um nível ideal para permitir a digestão das proteínas, substâncias fundamentais para a manutenção de nossos músculos e da resposta imunológica”.

Além disso, o site do Ministério da Saúde também explica que alimentos alcalinos não evitam a COVID-19 e que até o momento, não há medicamento, substância, vitamina, alimento específico ou vacina que possa prevenir a infecção pelo novo coronavírus. Para a devida prevenção é necessário basicamente:

–  Lavar as mãos frequentemente, com água e sabão;

– Higienizar as mãos com álcool em gel 70%;

– Cobrir o nariz e boca com lenço ou braço quando tossir ou espirrar;

– Evitar contato próximo com pessoas que possuam sintomas parecidos com os da gripe;

 – Permanecer em casa;

– Evite tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas;

– Não compartilhar objetos pessoais (como talheres, toalhas, pratos e copos);

– Manter os ambientes ventilados.

Assim como o Ministério da Saúde analisa as Fake News em seu site, a COAR verifica informações duvidosas através do WhatsApp (86) 99517-9773 ou pelo Instagram (@coarnoticias). Qualquer dúvida entre em contato com nossa equipe.

Escrito Por: Maria Luísa Araújo

Edição: Daniel Silva

Referências da COAR:

  1. Site do Ministério da Saúde

VERIFICAMOS: Brasil não é o segundo maior país com maior número de curados devido protocolo da cloroquina

Desde maio, imagens e textos circulam na internet atribuindo a mudança do protocolo de cloroquina, utilizado pelo Ministério da Saúde, como a responsável pelo Brasil está em segundo lugar com maior número de curados de Covid-19 no mundo. A COAR checou essas informações e verificou que a interpretação atribuída a esses dados é IMPRECISA e explica o porquê.

Imagem circula em várias redes sociais

Vários portais de âmbito nacional divulgaram a informação acima atrelando a questão do uso do protocolo com cloroquina ao número elevado de curados no país: R7.com; ND Mais; Pleno.news; Sbnotícias; Top mídia news; Hcnotícias; Surgiu; Farol da Bahia e Portal do Generoso.

É verdade que o Brasil é o segundo país com maior número de recuperados da Covid-19 com 302.084 curados, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (8). O país perde na estatística, apenas para os Estados Unidos. Contudo o dado não é tão animador quanto aparenta. Apesar dos números empolgarem, a realidade é melhor demonstrada, observando o percentual de curados que cada país possui em relação ao Covid-19. A COAR elenca esses resultados e faz um comparativo com os países com maior número de casos no mundo.

Alemanha – 91,2% das pessoas que contraíram o Covid-19 foram curadas (169.549 curados)

Irã – 78,4% das pessoas que contraíram o Covid-19 foram curadas (136.360 curados)

Itália – 70,8% das pessoas que contraíram o Covid-19 foram curadas (166.584 curados)

Espanha – 62,2% das pessoas que contraíram o Covid-19 foram curadas (150.376 curados)

Índia – 48,5% das pessoas que contraíram o Covid-19 foram curadas (124.430 curados)

Rússia – 48,4% das pessoas que contraíram o Covid-19 foram curadas (230.688 curados)

Peru – 44,8% das pessoas que contraíram o Covid-19 foram curadas (89.556 curados)

Brasil – 43,5% das pessoas que contraíram o Covid-19 foram curadas (302.084 curados)

EUA – 26,5% das pessoas que contraíram o Covid-19 foram curadas (529.742 curados)

Reino Unido – Não divulga o número de recuperados.

Como é possível verificar, a lista apresenta que o Brasil, em números absolutos, consta com um bom percentual de pessoas curadas, porém é importante uma análise mais profunda sobre os dados de pessoas infectadas. Conforme dados apresentados, mais da metade dos pacientes que contraíram Covid-19 no país estão doentes ou morreram. Enquanto em países como a Alemanha, mais de 90% dos infectados já estão curados.

Milagre da Cloroquina?

A imagem analisada possui a frase “Após protocolo da Cloroquina, Brasil se torna o segundo país do mundo em curados da Covid-19”. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, até o dia 19 de maio, 106.794* brasileiros haviam sido curados, embora com 271.628 casos confirmados. No dia seguinte, o país mudou o protocolo da cloroquina, onde autorizou o uso do remédio em pacientes nos primeiros estágios da doença. Os dados são estes:

  • Antes da Cloroquina: 271.628 casos confirmados e 106.794 curados (39,3%)*
  • Após o uso da Cloroquina: 694.116 casos confirmados e 302.084 curados (43,5%)

O percentual dos curados após a utilização da cloroquina realmente aumentou. No entanto, há então uma relação direta entre o uso da cloroquina e o número de curados? Para compreendermos melhor se essa relação é válida. Para maiores informações, a COAR consultou o infectologista Dr. Carlos Henrique Nery Costa, que explicou que os dois estudos mais recentes no mundo, apontaram que não havia nenhum efeito da cloroquina no tocante a melhorar a sobrevida e o bem estar dos pacientes quanto ao novo coronavírus.

Se não há uma relação direta, então por que após a mudança no protocolo mais pessoas foram curadas? O Dr. Carlos Henrique Nery Costa explica:

“Primeiro, o Brasil é um dos países que tem mais casos no mundo. Segundo é um dos países que mais usam (a cloroquina) no mundo, com patrocínio da presidência da república. É um país que ousou contrariar as recomendações médicas. Isso explica o porquê de ter tantas pessoas “curadas”, que foram tratadas com a cloroquina no país”, finaliza.

*Número atualizado de acordo com as revisões feitas pelo Ministério da Saúde.

Escrito por: Guilherme Cronemberger, Assislene Carvalho e Marta Alencar

Referências da Coar:

  1. R7
  2. ND Mais
  3. Pleno News
  4. SBT Notícia
  5. Top Mídia
  6. HC Notícia
  7. Surgiu
  8. Farol da Bahia
  9. Portal do Generoso
  10. Ministério da Saúde

Chás de boldo e erva doce não curam Covid-19

Mensagens, áudios ou vídeos. Essas são algumas das inúmeras ferramentas usadas para compartilhar conteúdos enganosos, falsos ou sem fundamentação científica. Dessa vez, um áudio de uma mulher – não identificada – narrando sobre a eficácia do chá de boldo para Covid-19 viralizou nas redes sociais. A autora do áudio diz que os sintomas da doença desaparecem em até três horas após a ingestão do chá.

O próprio Ministério da Saúde desmistificou essa informação e outra a respeito de efeitos milagrosos do chá de erva doce. Segundo o órgão, nenhuma receita caseira pode ser utilizada para substituir um tratamento adequado contra a gripe, muito menos contra o novo coronavírus. Até o momento, não há nenhum medicamento, substância, vitamina, alimento específico ou vacina que possa prevenir a infecção pelo coronavírus.

A COAR entrou em contato com o infectologista Carlos Henrique Nery Costa, que explicou sobre a ineficiência desses chás caseiros para Covid-19.

“Esses chás não têm base científica. Não existe comprovação de que eles têm efeito de cura ou mesmo de amenizar os sintomas de Covid-19. Além disso, a população deve continuar seguindo as medidas de segurança, que são adotadas pelos órgãos de Saúde: isolamento social, uso de máscaras, a higienização das mãos, entre outras”.

Diante da desinformação sobre assuntos relacionados a saúde, o Dr. Carlos Henrique Nery Costa ressalta que todo remédio ou medicamento segue evidências científicas, além de longo processo de testabilidade por pesquisadores e médicos para validar se aquele medicamento ou receita realmente é eficaz para combater uma determinada doença. Inclusive, há publicações internacionais e nacionais que são importantes pra validar essas evidências. “Até o momento não há vacina ou medicamento que seja 100% recomendável para prevenção do novo coronavírus”, esclareceu.

O médico ainda reforça que é importante as pessoas evitarem confiar em informações que recebem nas redes sociais. “Elas devem ler informações com comprovação científica”. 

Se houver dúvidas sobre um conteúdo que recebeu no WhatsApp, dê preferência a sites de credibilidade, entre os quais de notícias e de órgãos da Saúde.

Escrito por: Naiane Feitosa e Marta Alencar

VERIFICAMOS: Distribuição de Kits Covid-19 e aplicação de testes rápidos em Parnaíba

A COAR recebeu informações sobre a existência de um suposto kit para tratamento de Covid-19 fornecido pela Secretaria Municipal da Saúde de Parnaíba para pacientes diagnosticados com coronavírus. A mensagem é divulgada juntamente com uma imagem de medicamentos: azitromicina, ivermectina, dipirona e cloroquina. Além do logotipo de uma Secretaria Municipal de Saúde (não é possível identificá-lo em primeira instância), embora o conteúdo esteja sendo amplamente divulgado como sendo do município de Parnaíba.

A informação é IMPRECISA, pois o kit entregue em Parnaíba – segue o mesmo protocolo de Floriano. Inclusive nesta imagem consta alguns medicamentos que não são entregues aos pacientes que farão tratamento. O kit distribuído consta na verdade com hidroxicloroquina e azitromicina – para fazer o tratamento por sete dias em casa. Em entrevista para a COAR, a secretária municipal de saúde de Parnaíba, Rejane Moreira, confirmou que a imagem é falsa, pois não é referente ao kit que está sendo distribuído.

“O nosso protocolo é o mesmo de Floriano, que conta com orientação da médica Marina Bucar Barjud. Todo o nosso trabalho é de forma preventiva, sendo que os tratamentos são realizados em domicílio“, disse a secretária.

A imagem mostra o conteúdo do kit covid-19

O kit Covid-19 divulgado na imagem faz parte de uma iniciativa do município de Tucumã, localizado no Estado do Pará. A Prefeitura confirmou a distribuição do kit, que acontece depois de uma avaliação médica dos sintomas, em certas ocasiões dispensa a testagem positivada do paciente já que o teste rápido reconhece o vírus apenas após o oitavo dia de sintomas, um funcionário treinado da Secretaria Municipal de Tucumã é responsável pela entrega dos medicamentos.

Já em Altamira (PA), um método semelhante foi adotado. Desta vez os kits em questão contêm apenas três medicamentos: azitromicina, ivermectina, e hidroxicloroquina. Mas somente podem ser retirados nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) mediante a comprovação do teste positivo para coronavírus, além de prescrição médica recomendada.

Em Parnaíba, os pacientes que não necessitam de internação, estão sendo acompanhados em casa por uma equipe multidisciplinar da Secretaria Municipal de Saúde. O atendimento contempla pacientes com síndrome gripal com possibilidade de Covid-19. As pessoas também podem ligar para um número telefônico disponibilizado pela Secretaria Municipal de Saúde e informar sobre possíveis sintomas de contaminação.

DETERMINAÇÃO DE MÃO SANTA?

Alguns sites locais informaram em títulos de matéria que testes rápidos de Covid-19 vêm sendo aplicados por determinação do próprio prefeito Mão Santa (MDB). No entanto, a informação é IMPRECISA. Na verdade, técnicos do Ministério da Saúde estão realizando testes rápidos em várias cidades do país e não por determinação de Mão Santa. Embora o prefeito tenha solicitado que agentes da Secretaria Municipal de Saúde dessem assistência aos técnicos.

Nota de esclarecimento

A COAR esclarece que houve a correção de uma etiqueta na classificação do conteúdo, anteriormente, considerado como falso. Pedimos desculpas pelo equívoco.

Escrito por: Ilriany Alves

Edição: Marta Alencar

Máscaras do Piauí com número 666 não estão infectadas

Exclusiva COAR

29/04/2020 8h50

Por: Letícia Santos

Desde as primeiras recomendações das autoridades em saúde sobre a utilização de máscaras, o objeto vem sendo alvo de conteúdos falsos no Piauí. Desta vez, uma mensagem compartilhada massivamente no Whatsapp, Twitter e Youtube dá conta de que máscaras estampadas com o número “666” vindas da China estariam contaminadas com o coronavírus e que a população piauiense deveria evitá-las.  A publicação ainda alerta de que o número “666” seria o da “besta fera” e que a Bíblia está revelando que o fim está próximo. 

A COAR investigou a respeito do conteúdo e encontrou a mesma imagem sendo divulgada de formas diferentes em vários estados, não somente no Piauí. No entanto, devido a mensagem está circulando massivamente no Estado, entramos em contato com a Secretaria de Saúde do Piauí (Sesapi) para comentar a respeito da mensagem com tom religioso e sem embasamento científico.

De acordo com a pasta, todos os equipamentos de proteção individual (EPIs) são avaliados pela vigilância sanitária antes de serem distribuídos. Portanto, a mensagem é infundada e falsa. Além disso, os EPIs são destinados aos profissionais de saúde. E o número em questão não tem relação com as máscaras de proteção ou com qualquer suposição de ataque terrorista.

O Ministério da Saúde já esclareceu que não há nenhuma evidência de produtos enviados da China para o Brasil, que tenham tragam o coronavírus (Covid-19).

Leia mais: #FALSO: Áudio alertando sobre máscaras contaminadas distribuídas no Piauí

De acordo com estudos científicos, os vírus sobrevivem no tecido entre 72 e 96 horas. A médica infectologista, Jéssica Sousa, confirma essa informação e explica que não existem estudos específicos sobre o novo coronavírus, mas pode-se levar em consideração estudos de outros vírus já conhecidos.

Cuidados com a máscara de tecido

A infectologista afirma que é necessário ter cuidado com a máscara de tecido. Ao sair de casa, a recomendação é que a máscara não seja manuseada pela parte da frente, somente pelo elástico. Além disso, o ideal é que a máscara não fique folgada no rosto. A recomendação é que ao chegar em casa, a máscara seja colocada de molho em água com sabão ou hipoclorito (água sanitária) e lavada manualmente. 

“É importante ter cuidado nos momentos de retirar e colocar a máscara, considerando sempre que aquela região anterior esteja contaminada. Evite colocar a mão na máscara o tempo inteiro quando sair para a rua, porque sua mãos podem estar contaminadas”, aconselha a infectologista.

A médica infectologista também chama atenção para o perigo das informações falsas que circulam nas redes sociais sobre os equipamentos de proteção individual.

“Quando que você vir uma notícia que considera duvidosa, entre em contato com profissionais ou especialistas área de saúde para esclarecer, antes de sair divulgando uma informação inverídica”, finaliza a médica.

Ligação do Ministério da Saúde pelos números 136 ou 0136 não é golpe para clonar WhatsApp

Um dos maiores dilemas na atualidade são golpes por ligações. No Piauí, uma mensagem vem circulando em grupos de WhatApp e alertando que golpes estão sendo aplicados por meio de uma falsa pesquisa do Ministério da Saúde. No conteúdo, a pessoa – não identificada – afirma que um amigo de sua filha recebeu uma ligação do número 0136 e teve o número do WhatsApp clonado. A verdade é que o Ministério da Saúde vem realmente entrando em contato com milhares de brasileiros para identificar casos suspeitos de coronavírus.

Mensagem enviada por um leitor da COAR

A mesma mensagem viralizou em vários estados, conforme a nossa investigação. Inclusive alguns sites de fact-checking esclareceram sobre o boato. Embora a ligação pareça suspeita, não se trata de nenhum golpe. Desde o início deste mês, o Ministério da Saúde vem fazendo este monitoramento à distância por meio do número 136 ou 00136, do Disque Saúde. Durante a ligação, uma atendente virtual realiza as seguintes perguntas: “Aqui é do Ministério da Saúde. Você pode falar agora?” e “Você tem apresentado febre e tosse, ou febre e dor de garganta?”. Todas as perguntas devem ser respondidas apenas com “sim” ou “não”.

O Ministério da Saúde inclusive fez uma postagem em sua página oficial no Facebook confirmando essa informação. E reforça que não solicita dados pessoais, nem doações ou transferências em dinheiro.

A COAR orienta a não clicar em links duvidosos ou códigos por mensagem, caso não sejam confirmados por órgãos oficiais.

Escrito por: Letícia Santos e Marta Alencar

Confira mais no E-COAR

Áudio alertando sobre máscaras contaminadas distribuídas no Piauí

Um áudio com tom alarmista vem circulando, na última semana, nas redes sociais. Trata-se de um conteúdo feito por uma mulher – não identificada – que afirma que máscaras contaminadas, vindas da China, estão sendo distribuídas em residências por profissionais de postos de saúde. Ainda segundo o áudio, seria um lote de 600 milhões de máscaras.

“Irmãs, pelo amor de Deus. Se chegar pessoas na porta de vocês com máscaras que o posto de saúde, o governo municipal e estadual está mandando para que todo mundo use, não peguem essas máscaras que tá vindo pelos postos de saúde. Porque essas máscaras, foi comprovado agora, foi a maior descoberta, todas estão vindo contaminadas da China”, diz a mensagem.

No áudio, a mulher ainda aconselha que os trabalhadores da área da saúde não usem as máscaras distribuídas nas unidades de saúde pública, sejam elas do âmbito municipal ou estadual.

“Eu soube de fonte segura que todas as máscaras, 600 milhões, que vieram da China estão vindo todas contaminadas pra justamente o país chegar ao caos”, disse no áudio.

A COAR apurou o áudio e ressalta que a primeira informação equivocada é a declaração da mulher ao afirmar que “…uma fonte segura”, mas que informação é esta? Caro leitor, sempre duvide de conteúdos ou mensagens que não dizem a fonte. É bom também enfatizar que o Ministério da Saúde não iria de forma alguma distribuir Equipamentos de Proteção Individual (EPI) sem os devidos cuidados.

Outro ponto verificado pela COAR é que o mesmo áudio vem sendo distribuído em vários estados, tendo sido investigado por sites de checagens e de notícias: UOL, Cada Minuto, Estadão, Projeto Comprova e Boatos.org. Inclusive o Projeto Comprova verificou um áudio de um homem que também repassou as mesmas informações da mulher não identificada.

A COAR entrou em contato com a Secretária de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi), que alertou que a informação é totalmente falsa e enganosa. Segundo a Sesapi, não está acontecendo qualquer tipo de distribuição de máscaras em residências. 

O vírus pode vir em uma carga da China? 

No dia 8 de abril, o Ministério da Saúde anunciou ter comprado da China 240 milhões de máscaras para proteger os profissionais de saúde que atendem pacientes com a Covid-19. Desde o anúncio, boatos sobre contaminação de máscaras têm circulado em aplicativos de mensagens e em grupos de redes sociais no país.

Diante das inúmeras desinformações sobre as máscaras vindas da China, a COAR entrevistou o doutorando em Biologia Parasitária, Raimundo Leoberto, que explica que os vírus só são capazes de sobreviver no interior das células. “Não tem como isso ser verdade, porque os vírus são parasitas intracelulares obrigatórios, o que significa que eles sobrevivem, especificamente, dentro de células. Porque eles precisam de células para poderem se replicar e contaminar outras células. É assim que se origina a patogenia da doença”, disse.

Leia mais: #FALSO: Doutorando em Biologia Parasitária, entrevistado pela COAR, desmente que vírus está sendo utilizado em testes rápidos da Covid-19

Um estudo publicado por pesquisadores dos Centros dos Estados Unidos para Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Universidade da Califórnia, Los Angeles e Princeton, avalia o potencial de sobrevivência do coronavírus fora das células, em determinadas superfícies. Confira algumas delas: 

  • Aço inoxidável: 72 horas
  • Plástico: 72 horas
  • Papelão: 24 horas
  • Cobre: 4 horas

Considerando a logística envolvida para transportar uma carga entre a China e o Brasil, o tempo de chegada no destino seria de aproximadamente uma semana. Além disso, o vírus experimentaria variações bruscas de temperatura, o que impossibilitaria sua sobrevivência.

Lotes de máscaras para o Piauí

O Governo do Estado recebeu, na sexta-feira (17), um novo lote de 20 mil máscaras N-95 para reforçar o estoque de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) usados pelos servidores da saúde. De acordo com informações da Secretaria de Saúde já foram distribuídas 16.053 unidades de máscaras N-95 para os hospitais do Piauí.

A Sesapi está aguardando mais uma remessa de 20 mil máscaras N-95 para os próximos dias, além de outros kits de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

Máscaras caseiras 

No início do mês, o Ministério da Saúde já havia alertado da escassez de máscaras no mercado. O uso delas fica reservado a profissionais que estão atuando na linha de frente no combate à pandemia. Devido essa escassez, o Ministério recomenda às pessoas que precisarem sair de casa que façam máscaras caseiras.  

No entanto, a máscara caseira precisa seguir algumas especificações simples. De acordo com o Ministério da Saúde, é preciso que a máscara tenha pelo menos duas camadas de pano, ou seja dupla face. E mais uma informação importante: ela é individual. Não pode ser dividida com ninguém.

As máscaras caseiras podem ser feitas em tecido de algodão, tricoline, TNT ou outros tecidos, desde que desenhadas e higienizadas corretamente. O importante é que a máscara seja produzidas nas medidas corretas cobrindo totalmente a boca e nariz e que estejam bem ajustadas ao rosto, sem deixar espaços nas laterais.

Quer aprender a fazer uma máscara? Acompanhe as dicas do Ministério da Saúde no site oficial.

Informações do E-Coar

COAR é uma iniciativa, genuinamente piauiense, apartidária, que preza pela transparência das fontes, do financiamento e da organização, com uma política de correções aberta e honesta. Até o momento, decidimos não receber nenhum tipo de financiamento. A própria equipe financia o projeto, porque acredita na relevância do mesmo para o Piauí.

Escrito por: Igor Macêdo e Marta Alencar

É FALSO? Medicamento antiparasitário que ‘mata’ Covid-19 em 48 horas

Por: Gabrielle Alcântara

É comum encontrarmos no WhatsApp, receitas milagrosas e até supostas descobertas científicas com links suspeitos. Inclusive, já verificamos muitas delas aqui, na COAR. Um exemplo disso é a matéria que recebemos, indicada por um leitor, para análise:

A informação foi compartilhada em vários sites

O site intitulado Mundo Ao Minuto veiculou uma matéria com o título “Identificado medicamento parasitário que ‘mata’ Covid-19 em 48 horas”. De acordo com o site, o medicamento chamado “Ivermectin” do Laboratório na Austrália, poderia remover essencialmente todo o RNA viral no espaço de 48 horas ou em até 24 horas – com uma redução significativa.

Ontem (3), o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que um estudo publicado em um periódico científico é “muito frágil”, mas que o governo vai autorizar o uso da cloroquina no tratamento para o coronavírus também para pacientes graves. Até então, a substância era permitida apenas para pacientes considerados críticos, aqueles internados em leitos de UTI.

A COAR verificou no site do Ministério da Saúde e em diversos sites de credibilidade nacional e internacional para buscar notícias sobre o remédio de cura defendido pela matéria, mas não há veiculação sobre qualquer remédio ou vacina contra o coronavírus.

A notícia, então, é falsa. A COAR reitera o compromisso com a informação e indica que a população verifique sempre o site de notícia e evite clicar em links desconhecidos.