LOCKDOWN: OMS não condena isolamento total

Com mais de 290 mil mortes registradas por Covid-19 no Brasil, o volume de desinformações sobre o vírus cresce cada vez mais. Nesse cenário, desinformações já verificadas e contestadas por fact-checkers e jornalistas em 2020 voltam a circular novamente este ano. Uma delas está em destaque abaixo:

A informação distorce o posicionamento da OMS

Primeiramente, os conteúdos desinformativos utilizam a imagem do diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom ao invés de David Nabarro, enviado especial da OMS, que concedeu uma entrevista para a revista britânica The Spectator, e onde apontou pontos positivos e negativos do lockdown.

A entrevista de David Nabarro, enviado especial da OMS foi distorcida e compartilhada por imagens, vídeos e textos nas redes sociais, principalmente no Facebook e WhatsaApp. Na verdade, Nabarro disse que o lockdown diminui a velocidade de contágio do vírus.

“Eu gostaria de afirmar novamente: nós, da Organização Mundial de Saúde, não defendemos o lockdown como o primeiro meio de controle do vírus. O único momento em que nós acreditamos que o lockdown é justificado é para ganhar tempo para reorganizar, reagrupar e rebalancear seus recursos; proteger seus profissionais de saúde que estão exaustos. Mas, em geral, nós preferimos não fazer isto”. Embora esteja ligado à OMS, David Nabarro não é um dos diretores da organização. Ele atua como enviado especial da OMS para assuntos relacionados à pandemia.

Dias após a entrevista de Nabarro, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, reforçou que a entidade não condena o isolamento total e declarou:

Existem muitas ferramentas à nossa disposição: a OMS recomenda localização de casos, isolamento, testes, cuidado compassivo, rastreamento de contato, quarentena, distanciamento físico, higiene das mãos, máscaras, etiqueta respiratória, ventilação, evitar multidões e muito mais.  Reconhecemos que, em certos pontos, alguns países não tiveram escolha a não ser emitir pedidos de permanência em casa e outras medidas para ganhar tempo. Muitos países usaram esse tempo para desenvolver planos, treinar profissionais de saúde, colocar suprimentos, aumentar a capacidade de teste, reduzir o tempo de teste e melhorar o atendimento aos pacientes. A OMS espera que os países usem intervenções direcionadas onde e quando necessário, com base na situação local.

A COAR ressalta que ao receber uma mensagem duvidosa, desconfie e não forneça seus dados antes de ter certeza de que é verdadeira. Qualquer dúvida nos contate pelo nosso WhatsApp (86) 99517-9773 ou pelo Instagram (@coarnoticias).

Escrito por: Marta Alencar

Referências da COAR:

The Spectator

Estadão Verifica

Uso prolongado de máscara aumenta quadro de intoxicação, torna sangue ácido e promove câncer, além de outras doenças? COAMOS imagem na internet

É comum a COAR desinformações sobre o uso de máscara no combate à Covid-19. Um dos mais recentes afirma que o uso excessivo de máscara permite que as pessoas absorvam gás carbônico e assim transformando o sangue mais ácido e promovendo novas doenças, como câncer. Esses rumores não se baseiam em comprovações científicas, pois segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), “usar máscaras médicas durante muito tempo pode ser desconfortável, mas não provoca intoxicação por dióxido de carbono nem hipóxia”.

Informação é falsa

Especialistas alertam que não procede a informação de que usar máscara deixa o sangue ácido e enfraquece o sistema imunológico, já que não há evidências de que o equipamento cause hipercapnia. Além disso, o Ministério da Saúde já havia anunciado que não há embasamento técnico científico que comprove a ocorrência de acidificação do sangue por causa do uso de máscaras.

Em maio de 2020, uma mensagem falsa viralizou nas redes sociais. O conteúdo continha “sem consentimento” a assinatura de um médico do Rio de Janeiro, que supostamente alertava sobre o uso de máscara por um longo período de tempo causa hipóxia (deficiência de oxigênio no sangue, que pode alterações no tato, na visão e coordenação motora). A suposta mensagem creditava como fonte oficial: o clínico geral Eduardo Herrera, do Rio Janeiro. No entanto, a COAR verificou o conteúdo, que é falso e ainda encontrou o perfil do médico citado no Facebook, que negou ter dado tal informação. Em seu perfil, o próprio médico reforça o uso de máscara. “USEM MÁSCARAS! EU USO A MÁSCARA E TE PROTEJO…VOCÊ USA A MÁSCARA E ME PROTEGE”.

Segundo o infectologista Gilvan Nunes, nenhum desses quadros pode ser provocado pelo uso da máscara, mesmo que prolongado, ao contrário do conteúdo da mensagem divulgada que isso intoxicaria o usuário. O médico reiterou também a importância do uso da máscara como uma das medidas defendidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no combate à Covid-19.

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Escrito por: Marta Alencar

Referências da COAR:

Aos Fatos

El País

VACINA chinesa contra Covid-19 reduzirá a população mundial e mudará código genético? COAMOS conteúdo desinformativo na internet

Áudios e vídeos do engenheiro agrônomo, Marcelo Frazão de Almeida, sobre a vacina chinesa contra Covid-19, são divulgados frequentemente na internet. A questão é que os conteúdos – a maioria – são distorcidos, manipulados e sem quaisquer comprovações científicas. O engenheiro também está concorrendo às eleições deste ano para a Prefeitura de São Simão (SP) pelo partido Patriota.

Mensagem e áudio do engenheiro agrônomo, Marcelo Frazão de Almeida

“A Organização Mundial de Saúde está repetindo agora o que o presidente Jair Bolsonaro já dizia lá no início, que essa porcaria de resfriado não mata ninguém… O povo brasileiro tem um fetiche por ser controle pelo Estado com o uso dessa máscara. O governador do Estado (São Paulo), esse canalha, comunista e filho de terrorista, que foi expulso do país, que vai obrigar a todo mundo tomar essa vacina… Ninguém vai me obrigar a uma vacina que não quero. Graças a Deus que o presidente Jair Bolsonaro não vai obrigar a ninguém a tomar nada. Mas aconselho a vocês a fazerem o mesmo, pois essa vacina irá alterar o código genético (RNA), que causa síndromes perigosas, inclusive no sentido de fertilidade, de homossexualismo. Se você quer o bem dos seus filhos não os vacine. Não existem provas de que essa vacina vai funcionar. Pois, uma vacina demora em torno de 15 anos para ser produzida. “

No dia 3 de julho, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já havia autorizado novo teste para vacina (CoronaVac) adsorvida Covid-19 (inativada). O estudo aprovado é um ensaio clínico fase III duplo-cego, randomizado, controlado com placebo para avaliação de eficácia e segurança em profissionais da saúde. Conforme informações no site da Anvisa, a vacina é feita a partir de cepas inativadas do novo coronavírus. Para esta autorização, a Anvisa analisou os dados das etapas anteriores de desenvolvimento do produto. Foram realizados estudos não clínicos em animais, cujos resultados demonstraram que a vacina apresenta segurança aceitável. Também foram realizados estudos de fase I e II em seres humanos adultos saudáveis. Esses estudos demonstraram segurança e imunogenicidade favoráveis com o esquema de duas doses da vacina. 

Com base em informações do site Vox, tanto as vacinas de mRNA quanto as vacinas de vetor de adenovírus se baseiam na ideia de uma vacina de subunidade. No caso do SARS-CoV-2, o vírus que causa a Covid-19, a subunidade de interesse mais comum é a proteína spike. Os cientistas argumentam que podem persuadir o sistema imunológico a gerar anticorpos contra essa proteína. Os anticorpos são proteínas feitas pelo sistema imunológico que se ligam a partes específicas de um patógeno, desativando-o ou marcando-o para destruição por outras células imunológicas. As vacinas de mRNA usam mRNA, enquanto as vacinas de adenovírus usam DNA.

O processo acaba não apenas imitando uma estrutura-chave do vírus, mas também imitando como o vírus funciona durante uma infecção, o que poderia gerar uma resposta imunológica mais forte e produzir uma proteção melhor em comparação com outras abordagens. E como essas proteínas são produzidas de dentro das células, em vez de serem injetadas de fora, podem ter menos probabilidade de provocar reações adversas no receptor. Além disso, especialistas ressaltam que embora um pedaço do DNA humano de interesse seja conectado ao plasmídeo de uma bactéria, ou seja, a uma molécula do DNA bacteriano, formando o DNA recombinante. Não é possível de forma alguma que o código genético humano seja alterado ou modificado, mas sim o do micro-organismo. Ou seja, é totalmente infundado que as vacinas produzidas causariam homossexualismo ou autismo, conforme apontado pelo autor do áudio. Claramente o engenheiro informa dados e declarações homofóbicas e sem quaisquer comprovações científicas.

Todavia, a CoronaVac não insere um gene do vírus no corpo para estimular o sistema imune, informa o site do Butantan. Portanto, a Sinovac Biotech (empresa que fabrica a vacina chinesa) está produzindo uma imunização com o vírus inativado. No site do Butantan esclarece que a vacina é produzida com fragmentos “desativadas” do coronavírus para inoculação em humanos. Com a aplicação da dose, o sistema imunológico passaria a produzir anticorpos contra o agente causador da COVID-19. É o mesmo princípio usado em outras vacinas globalmente bem-sucedidas, como as do sarampo e poliomielite.

No dia 3 de novembro, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou o engenheiro Marcelo Frazão de Oliveira, por associar a vacina chinesa CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan contra a Covid-19, à homossexualidade, conforme reportagem do G1.

Covid-19 é apenas um resfriado?

O autor do áudio ainda ressalta que a Covid-19 é apenas um resfriado qualquer. A verdade é que a Covid-19 (doença provocada pelo vírus Sars-Cov-2), é uma infecção respiratória que começa com sintomas como febre e tosse seca e, pode provocar falta de ar. Especialistas apontam sintomas parecidos aos da gripe, no entanto,  a única diferença é que na covid-19 é muito frequente a anosmia (ausência de olfato).

Informações constadas em matéria no site El País

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Escrito por: Kryssyno Oliveira e Marta Alencar

Referências da COAR:

Vox

Instituto Butantan

Aos Fatos

G1

El País

Vacina mRNA contra a Covid-19 altera e causa danos irreversíveis ao DNA?

Um texto atribuído ao advogado e ambientalista norte-americano, Robert F. Kennedy Jr., sobrinho do presidente John F. Kennedy, viralizou nas redes sociais. O conteúdo informa que as vacinas de mRNA mudariam o material genético das pessoas. No entanto, a COAR constatou que além da declaração ser falsa, ela não pertence de fato ao Kennedy Jr. e não encontrou a fonte oficial que teria feito tal afirmação.

A COAR elencou vários perfis e páginas que publicaram a mensagem contra a vacina (apresentação em slideshow). Diante da mensagem que informa sobre a manipulação de DNA por meio da vacina, a COAR esclarece que mRNA baseia-se na injeção de fragmentos de material genético de um vírus, ou seja, células humanas. Este processo cria proteínas virais que imitam o coronavírus, treinando o sistema imunitário para reconhecer a sua presença. Para esclarecer melhor sobre o assunto, a nossa equipe entrou em contato com o infectologista Carlos Henrique Nery Costa , que esclareceu que não há nenhuma menção sobre manipulação genética de qualquer vacina na literatura médica.

Não, a quimioterapia ela não é ineficaz. Existe algumas pesquisas que estão sendo realizadas com a retirada do carboidrato da redução de carboidratos na dieta para quem possui algum tipo de tumor, mas são pesquisa que não foram feitos em humanos ainda, então nós não temos bases científicas suficiente para fazer essa afirmação. Então quem faz quimioterapia não deve cortar o carboidrato, a pessoa deve manter uma alimentação completa e ter um bom acompanhamento nutricional que é essencial para as pessoas e a quimioterapia ela não perde a sua eficácia para quem consome esse macronutriente. Então não é não precisa se preocupar com isso, pois é apenas um boato.

Ativista e patrocinador de movimentos antivacinas nos Estados Unidos. O World Mercury Project, liderado por Kennedy, e uma organização com sede na Califórnia chamada Stop Mandatory Vaccination comprou 54% dos anúncios no Facebook para espalhar desinformação.


Outros sites de fact-checking já haviam esclarecido o assunto: Uol, Estadão, Lupa etc.

COAR alerta mais uma vez para que você desconfie de links incluídos em mensagens sobre ações ligadas a instituições, porém, não publicadas no site oficial da mesma.

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Escrito por: Marta Alencar

VERIFICAMOS: Covid-19 não é nome de vírus. É um plano internacional de controle e redução da população em 2020?

Diante da pandemia do novo coronavírus, movimentos antivacinas vêm crescendo em todo o mundo. Esses grupos há meses vêm semeando dúvidas e conspirações na internet. Um vídeo do médico italiano, Roberto Petrella, que é militante antivacina, viralizou nas redes sociais e propaga medo para a população.  No vídeo, o médico lê um texto sobre a COVID-19 , doença causada pelo coronavírus SARS-CoV-2, e declara que não é o nome de um vírus e que corresponde na verdade há um plano internacional de controle de redução da população. O militante ainda incita as pessoas a não fazerem testes para a doença. A COAR checou as afirmações do médico e certifica que todas são falsas.

No vídeo, o médico faz a seguinte declaração:

“Covid-19 não é o nome do vírus. É o nome do plano internacional de controle e de redução da população desenvolvido nas últimas décadas e lançado em 2020. O que reativa o vírus é o terreno imunológico onde ele se encontra enfraquecido pelas vacinas anteriores. O que pretendem injetar dentro de nós vai ser a mais terrível vacina de todas. É uma verdadeira descida ao inferno com o objetivo de despovoamento massivo de 80% da população mundial. Não façam os testes, porque os testes não são confiáveis. Eu sempre digo isso e vou repetir assim como muitos produtores de testes afirmam: nenhum dos testes é capaz de detectar com precisão o vírus Sars Cov-2…. Covid-19 significa programa de extermínio em massa… Eu prefiro a morte, mas nunca a vacinação.”

A COAR constatou contradições e informações falsas na declaração do médico e elencou-as abaixo:

1- Em março de 2020, a Organização Mundial de Saúde (OMS) decretou que o novo coronavírus, chamado de Sars-Cov-2, era pandêmico. Após o número de casos de Covid-19 fora da China ter aumentado e atingido milhões de pessoas em poucos meses. Atualmente, há mais de 25 milhões de casos confirmados no mundo todo.

Além disso, o médico italiano afirma que a COVID-19 é “um plano internacional de controle e redução populacional lançado em 2020”. Evidências científicas comprovam que o vírus não foi criado em laboratório e indicam que sua origem é natural. Outra questão é que desde dezembro, há informações que autoridades sanitárias chinesas teriam informado a OMS sobre casos de pneumonia de origem desconhecida na cidade de Wuhan, centro-sul da China.

2 – Ainda no vídeo, Petrella declara que “o que reativa o vírus é o campo imunológico enfraquecido da vacinação”. A própria Organização Mundial de Saúde reafirma que todas as vacinas são seguras e rigorosamente testadas ao longo das diferentes fases dos testes clínicos e continuam a ser avaliadas regularmente assim que são comercializadas. E que interagem com o sistema imunológico e produzem uma resposta imunológica semelhante à gerada por infecções naturais, mas sem causar doenças ou colocar o imunizado em risco de possíveis complicações. 

O cenário atual é tão catastrófico com relação a desinformação que a própria Organização Mundial da Saúde já considerava a rejeição à imunização como uma das principais ameaça sanitárias em 2019 e, não em 2020, como alerta o médico em vídeo.

Escrito por: Marta Alencar

Referências da COAR:

Saúde Abril

OMS

El País

VERIFICAMOS: Eficácia de Hidroxicloroquina, zinco e azitromicina para curar Covid-19

Um vídeo da declaração da médica africana, Stella Immanuel, tem gerado controvérsias e discussões na internet. A médica garante que 350 pacientes foram curados por meio da combinação dos fármacos: hidroxicloroquina, zinco e azitromicina. Stella tem formação pela Universidade de Calabar, na Nigéria, e dirige uma clínica em Houston, nos Estados Unidos.

Embora a declaração seja de uma médica, a informação é considerada falsa. Existem vários estudos sobre o assunto, inclusive um desenvolvido pelo projeto Recovery, ensaio clínico do Reino Unido, que testou a hidroxicloroquina em 1.542 pacientes com Covid-19, escolhidos aleatoriamente. Entretanto, o medicamento não colaborou para a recuperação dos participantes. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) declara que não há medicamento ou vacina capaz de curar a doença ainda.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), chegou a divulgar a declaração da médica em seu Twitter com 84 milhões de seguidores, na segunda-feira (27). Entretanto, a publicação foi excluída por possuir “informações falsas de tratamento ou cura para a Covid-19”.

A divulgação na rede social foi removida

Outras publicações também estão sendo excluídas no YouTube, Facebook e Instagram — como ocorreu no Instagram da cantora Madonna, que acabou deletando a postagem.

No Brasil, o conteúdo foi disseminado por vários apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que acreditam na eficácia desses medicamentos e defendem o uso dos mesmos.

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Publicado por: Maria Luísa Araújo

Edição: Marta Alencar

Referências:

Compartilhamentos do vídeo no Twitter ( 1 e 2)

Compartilhamentos do vídeo no Instagram (1, 2 e 3)

Conselho Médico do Texas

Site da OMS

Pesquisa Francesa sobre as consequências da hidroxicloroquina junto à azitromicina, como tratamento antiviral para COVID-19 em humanos

https://www.recoverytrial.net/news/statement-from-the-chief-investigators-of-the-randomised-evaluation-of-covid-19-therapy-recovery-trial-on-hydroxychloroquine-5-june-2020-no-clinical-benefit-from-use-of-hydroxychloroquine-in-hospitalised-patients-with-covid-19

Tratamento retal anunciado pelo prefeito de Itajaí não é eficaz

Em meio a diversas tentativas de busca por uma cura para o novo coronavírus, o que repercutiu nesta terça-feira (4) foi o anúncio feito pelo prefeito de Itajaí (SC), Volnei Morastone. O gestor disse que pretende adotar a Ozonioterapia para cuidar de pacientes infectados pela covid-19. Em uma live, transmitida pelo Facebook da prefeitura na segunda-feira (3), Morastone explica que será oferecido o ozônio, em uma aplicação via retal, simples e rápida. No entanto, a COAR informa que o tratamento indicado pelo prefeito não é eficaz.

Filiado ao MDB, Morastoni também é médico. Segundo reportagem publicada no Uol, ele graduou-se em Medicina pela Universidade Federal do Paraná e fez pós-graduação em Pediatria e em Saúde Pública.

Na live, o administrador municipal chegou a declarar:

“Vamos oferecer o ozônio. É uma aplicação simples, rápida, de 2,3 minutinhos por dia. Provavelmente vai ser uma aplicação via retal, que é uma aplicação tranquilíssima, rapidíssima de dois minutos. Num catéter fininho, e isso dá um resultado excelente. Vamos, em breve, estar implantando isso também. E a pessoa tem que fazer durante 10 dias seguidos. São dez sessões de ozônio.”

O ozônio é usado como terapia complementar e trata mais de 250 patologias, inclusive patologias estéticas. O ozônio tem um poder de cicatrização excelente. Mas não é um tratamento definitivo para a Covid-19.

O prefeito de Itajaí (SC), Volnei Morastone, já passou outros tratamentos, sem eficácia comprovada, para o novo coronavírus. A ivermectina foi um dos medicamentos distribuídos em Itajarí, no mês de julho.  A prefeitura também tentou hemopatia e cloroquina como tratamento para a covid-19. Todos sem eficácia comprovada.

Perfil do prefeito

A OMS (Organização Mundial de Saúde) já alertou, diversas vezes, que ainda não existem tratamentos eficazes contra o novo coronavírus. “até o momento, não há vacinas ou medicamentos específicos para a COVID-19. Os tratamentos estão sendo investigados e serão testados por meio de estudos clínicos.” Organização Mundial da Saúde.

Em caso de qualquer dúvida você pode entrar em contato com nossa equipe pelo WhatsApp: (86) 99517-9773 ou pelo Instagram @coarnoticias que verificaremos para você.

Escrito por: Naiane Feitosa e Jackelany Vasconcelos

Edição: Marta Alencar

Referências:

Site UOL

Site G1

VERIFICAMOS: Informação de que 80% da população é imune à Covid-19

Voltou a circular na internet, a informação de que 80% da população é imune à Covid-19. A COAR verificou a informação e constatou que é falsa. Pois, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ainda não há estudos suficientes sobre o novo coronavírus para confirmar quem pode ter imunidade sobre a doença ou não.

Um dos perfis que ajudou a disseminar essa desinformação foi o do investidor e empresário brasileiro, Winston Ling, que tem 81,9K de seguidores no Twitter. Ele fez várias publicações com base nos dados de uma matéria da Frontliner. Eis o primeiro dos tweets:

O tweet publicado por Winston Ling em junho

Uma das bases teóricas para a matéria publicada no Frontliner é o estudo Targets of T Cell Responses to SARS-CoV-2 Coronavirus in Humans with COVID-19 Disease and Unexposed Individuals, publicado em meados de maio na revista científica Cell, da Elsevier. Nele é sugerido que entre 40% e 60% das pessoas não expostas ao Covid-19 têm resistência devido à imunidade adquirida por terem tido contato com outros tipos de coronavírus. O estudo basicamente pegou o sangue de alguns doadores que havia sido doado entre 2015 e 2018 e o expôs ao novo vírus.

As células sanguíneas, após serem expostas, apresentaram uma reação ligada ao sistema imune do corpo. Especula-se que, devido ao contato que os doadores possam ter tido com algum tipo de coronavírus, o sangue tenha desenvolvido uma proteção ao Covid-19. A hipótese não é infundada. É provável que o contato anterior com alguns tipos mais leves de coronavírus tenham feito aquelas células desenvolverem uma certa defesa ao Covid-19, porém isso ainda não foi plenamente confirmado e ainda trata-se de uma hipótese.

Diante de tantas polêmicas e discussões sobre o assunto, a COAR entrevistou o médico infectologista, Carlos Henrique Nery Costa, que explica sobre o estudo publicado na revista Cell.

“O que a pesquisa publicada na revista Cell do Instituto La Jolla, na Califórnia, mostrou foi que uma proporção daquela específica e limitada população tinha imunidade. Chamamos isso do tipo celular não detectada por anticorpos para outros coronavírus. E a partir daí vem toda uma série de especulações sobre o quanto essa imunidade existiria nas diversas populações globais.” 

O infectologista alertou que os números citados no estudo não devem ser levados em conta. A informação, porém, não quer dizer que assintomáticos não transmitam à Covid-19 adiante de forma alguma.

É importante ressaltar que o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom, veio a público, no dia 10 de junho, confirmar isso (o que foi dito anteriormente), alertando sobre a necessidade de mais estudos sobre o tema para confirmar algo de fato.

Em caso de qualquer dúvida você pode entrar em contato com nossa equipe pelo WhatsApp: (86) 99517-9773 ou pelo Instagram @coarnoticias que verificaremos para você.

Por: Jackelany Vasconcelos e Guilherme Cronemberger

Edição: Wanderson Camêlo

Referências da COAR:

  1. Site Exame
  2. Site Frontliner (link 1, link 2)
  3. Site Relevante News
  4. Site Cell
  5. Independent Stage
  6. Site Galileu
  7. Site Saúde Abril
  8. Site Uol

Isolamento social não é eficaz para redução de transmissão do novo coronavírus?

Uma mensagem, que menciona o deputado federal do Rio Grande do Sul Osmar Terra (MDB), e a Organização Mundial de Saúde (OMS), tem sido compartilhada no WhatsApp com um contexto errado. O conteúdo contém uma série de argumentos que defendem a tese de que a Hidroxicloroquina é capaz de curar a Covid-19, sem proporcionar grandes gastos aos cofres públicos. Em abril deste ano, os sites Aos Fatos e Boatos checaram esta informação, mas agora ela voltou a circular novamente em grupos do aplicativo e outras redes sociais. Confira abaixo um trecho da mensagem:

A mensagem questiona o isolamento social

Osmar Terra é também médico e sempre se mostrou contra o isolamento social mais abrangente (isolamento horizontal). Para o deputado, apenas o grupo de risco deveria permanecer no confinamento (isolamento vertical). Essa ideia, de que o isolamento vertical defendido por Terra é a melhor opção para a situação da Covid-19, é um dos pontos apresentados na mensagem viralizada.

A COAR verificou os canais oficiais da OMS e não encontrou nenhuma contraindicação em relação ao isolamento social. O que aconteceu foi a divulgação de uma declaração do diretor da organização, Tedros Ghebreyesus, fora do contexto original. Em uma coletiva no dia 30 de março de 2020, quando perguntado sobre os impactos econômicos e sociais da quarentena na Índia, ele falou:

“Sobre essa questão do lockdown [quarentena obrigatória], talvez alguns países já tenham tomado medidas de distanciamento físico, como fechar escolar e evitar aglomerações etc. Isso pode ajudar a ganhar tempo e, ao mesmo tempo, cada país é diferente do outro. Alguns têm uma forte rede de proteção social e outros, não. Eu sou da África, como vocês sabem, e eu conheço muitas pessoas que realmente precisam trabalhar todos os dias para comprar seu pão. Governos devem levar essas populações em conta; se eles estão fechando ou limitando movimentos, o que vai acontecer com essas pessoas que tem que ganhar seu sustento todos os dias? Cada um dos países tem que responder a essa pergunta com base na sua situação”.

No dia seguinte à coletiva, Tedros voltou a mencionar o assunto em sua conta no Twitter e dessa vez complementou:

“Pessoas sem fonte de renda regular ou sem qualquer reserva financeira merecem políticas sociais que garantam a dignidade e permitam que elas cumpram as medidas de saúde pública para a Covid-19 recomendadas pelas autoridades nacionais de saúde e pela OMS. Eu cresci pobre e entendo essa realidade. Convoco os países a desenvolverem políticas que forneçam proteção econômica às pessoas que não possam receber ou trabalhar devido à pandemia da Covid-19. Solidariedade”.

Ainda há desinformação quando o texto menciona que o confinamento aumenta os casos de Covid-19, o que não passa de uma sugestão da China sem nenhum estudo preliminar. A COAR verificou que existem vários artigos que comprovam a efetividade do isolamento no combate à disseminação do vírus. Um deles foi publicado na revista cientifica The Lancet no início de abril, onde pesquisadores da Universidade de Hong Kong avaliaram a eficácia de medidas restritivas, implementadas desde o mês de janeiro de 2020 em quatro cidades e 10 províncias chinesas.

Tweets feitos pelo diretor da OMS, Tedros Ghebreyesus (imagem retirada do site Aos Fatos).

Hidroxicloroquina como cura

Durante este período de pandemia a COAR já checou, em diversas oportunidades, remédios que supostamente curariam a Covid, esse é mais um desses casos. No texto é mencionado que a Hidroxicloroquina (constantemente recomendada pelo atual presidente Jair Bolsonaro) é capaz de curar a doença de forma mais barata. Essa informação também não é verdadeira.

O gerente de incidentes para Covid da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), Sylvain Aldighieri, mencionou, durante uma coletiva de imprensa na terça-feira (14), que a OMS suspendeu o tratamento à base de Hidroxicloroquina por “não observar os benefícios do medicamento”, portanto, a organização não recomenda o uso da Hidroxicloroquina em pacientes de Covid-19.

Na página oficial da OPAS, encontramos um posicionamento sobre a medicação:

“Até o momento, não há vacina nem medicamento antiviral específico para prevenir ou tratar a Covid-19. As pessoas infectadas devem receber cuidados de saúde para aliviar os sintomas. Pessoas com doenças graves devem ser hospitalizadas. A maioria dos pacientes se recupera graças aos cuidados de suporte”.


Atualmente há um esforço global, coordenado pela Organização Mundial da Saúde, para produção de uma vacina e medicamentos eficazes para prevenir (vacina) e/ou tratar (medicamentos) a Covid-19. Contudo, ainda não há nada pronto com eficacia comprovada cientificamente.

Em relação às formas de prevenção, a OPAS e a OMS seguem com as mesmas recomendações, confira:

  1. • Lavar as mãos frequentemente com água e sabão ou álcool em gel e cobrir a boca com o antebraço quando tossir ou espirrar (ou utilizar um lenço descartável e, após tossir/espirrar, joga-lo no lixo se lembrando de lavar as mãos logo em seguida).
  2. • Se uma pessoa tiver sintomas mais leves, como tosse leve ou febre leve, geralmente não há necessidade de procurar atendimento médico. O ideal é ficar em casa, fazer autoisolamento (conforme as orientações das autoridades nacionais) e monitorar os sintomas. Se eles evoluírem para uma dificuldade de respirar ou/e dor/pressão no peito procure atendimento médico imediatamente.

Escrito por: Assislene Carvalho

Edição: Wanderson Camêlo e Guilherme Cronemberger

Referências da COAR:

  1. Site Aos Fatos (mês de abril)
  2. Site Boatos (mês de abril)
  3. Artigo da revista The Lancet
  4. Site Correio Braziliense
  5. Site UOL (2004)
  6. Site OPAS/OMS

Chás de boldo e erva doce não curam Covid-19

Mensagens, áudios ou vídeos. Essas são algumas das inúmeras ferramentas usadas para compartilhar conteúdos enganosos, falsos ou sem fundamentação científica. Dessa vez, um áudio de uma mulher – não identificada – narrando sobre a eficácia do chá de boldo para Covid-19 viralizou nas redes sociais. A autora do áudio diz que os sintomas da doença desaparecem em até três horas após a ingestão do chá.

O próprio Ministério da Saúde desmistificou essa informação e outra a respeito de efeitos milagrosos do chá de erva doce. Segundo o órgão, nenhuma receita caseira pode ser utilizada para substituir um tratamento adequado contra a gripe, muito menos contra o novo coronavírus. Até o momento, não há nenhum medicamento, substância, vitamina, alimento específico ou vacina que possa prevenir a infecção pelo coronavírus.

A COAR entrou em contato com o infectologista Carlos Henrique Nery Costa, que explicou sobre a ineficiência desses chás caseiros para Covid-19.

“Esses chás não têm base científica. Não existe comprovação de que eles têm efeito de cura ou mesmo de amenizar os sintomas de Covid-19. Além disso, a população deve continuar seguindo as medidas de segurança, que são adotadas pelos órgãos de Saúde: isolamento social, uso de máscaras, a higienização das mãos, entre outras”.

Diante da desinformação sobre assuntos relacionados a saúde, o Dr. Carlos Henrique Nery Costa ressalta que todo remédio ou medicamento segue evidências científicas, além de longo processo de testabilidade por pesquisadores e médicos para validar se aquele medicamento ou receita realmente é eficaz para combater uma determinada doença. Inclusive, há publicações internacionais e nacionais que são importantes pra validar essas evidências. “Até o momento não há vacina ou medicamento que seja 100% recomendável para prevenção do novo coronavírus”, esclareceu.

O médico ainda reforça que é importante as pessoas evitarem confiar em informações que recebem nas redes sociais. “Elas devem ler informações com comprovação científica”. 

Se houver dúvidas sobre um conteúdo que recebeu no WhatsApp, dê preferência a sites de credibilidade, entre os quais de notícias e de órgãos da Saúde.

Escrito por: Naiane Feitosa e Marta Alencar