13ª Parcela do Auxílio Emergencial foi liberado pelo Governo? COAMOS conteúdo no WhatsApp

Desde o ano passado circula uma mensagem em grupos de WhatsApp sobre a liberação instantânea do 13º salário do Bolsa Família para beneficiários do programa. A mensagem continha um link que redirecionava o usuário para uma página onde eram solicitados os dados pessoais, como nome completo, CPF e endereço. Uma mensagem semelhante a essa vem sendo propagada no aplicativo de mensagens informando que o Governo Federal liberou a 13ª parcela do Auxílio Emergencial com valor reajustado de até R$ 1.200.

O 13º salário para os beneficiários do Bolsa Família é uma promessa de campanha de Jair Bolsonaro conforme matéria publicada no site da Folha e em 2019 foi pago para mais de 13 milhões de famílias. A Medida Provisória 898 que tratava do benefício só assegurou o pagamento em 2019, apesar de o presidente Jair Bolsonaro assegurar que o 13º seria anual. Mas em 2020 a promessa não deverá se cumprir, pois o Ministério da Economia já declarou que não existe previsão orçamentária para o pagamento. Além disso, não consta nenhuma informação no site do Governo Federal noticiando sobre o benefício nesse valor relacionado ao Auxílio Emergencial.

Convém acrescentar que a proposta do 13º salário para o Bolsa Família foi uma das promessas de campanha de Bolsonaro e chegou a ser incluída nas metas de 100 dias do governo.

A COAR alerta para não clicar no link da mensagem já que o benefício em questão relacionado ao Auxílio Emergencial não existe. Esses links são utilizados por golpistas para roubar dados dos usuários.

Informação é falsa

A COAR ressalta que ao receber uma mensagem duvidosa, desconfie e não forneça seus dados antes de ter certeza de que é verdadeira. Qualquer dúvida nos contate pelo nosso WhatsApp (86) 99517-9773 ou pelo Instagram (@coarnoticias).

Escrito por: Marta Alencar

Referências da COAR:

Governo Federal

G1

Reconta Aí

2020 registra menos mortes em comparação com 2019 no Brasil?

Em muitos grupos de WhatsApp, circula um texto informando que em 2019, houve 119.390 mortes no mês de julho. E em comparação com o mesmo período, o conteúdo noticia que em 2020, o número de óbitos foi menor, cerca de 113.475. Inclusive, a mensagem cita o link do Portal da Transparência, da seção Registro Civil, com dados totalmente distorcidos. COAR verificou a informação e constatou que é falsa.

Mensagem circula em grupos de WhatsApp

Conforme levantamento da seção Registro Civil no site da Transparência, a COAR observou que no período de julho de 2019, o número de mortes, na verdade foi de 119.541. Enquanto o de julho de 2020, é de 120.835 óbitos.

É importante ressaltar que os disponibilizados pelas Secretarias Estaduais de Saúde, em relação aos casos de Covid-19, assim como os da Corregedorias-Gerais de Justiça, com os números de óbitos, de alguns estados são distintos em comparação ao total de óbitos contabilizado pelos cartórios de registro civil. Pois, os prazos em que são finalizados os registros variam de estado para estado.

Além disso, perfis no Facebook também divulgaram o conteúdo conforme busca:

Vários perfis compartilharam sem verificar a autenticidade do conteúdo

Aos Fatos também verificou o conteúdo recentemente.

Escrito por: Marta Alencar

Referências da COAR:

Site da Transparência/Registro Civil

VERIFICAMOS: Conteúdos sobre ações da Prefeitura de Teresina no combate à Covid-19

Em abril, a COAR fez um levantamento sobre as informações que viralizaram à respeito de medidas e ações que vêm sendo adotadas pelo Governo do Estado neste período de pandemia, especialmente postagens de usuários que discutiam sobre essas medidas.

O conteúdo especial foi em menção a um mês de lançamento da COAR. Quase 15 dias depois, estamos lançando um material com conteúdos que viralizaram nas redes sociais de denúncias, postagens verídicas ou dados manipulados sobre ações da gestão municipal no combate à Covid-19.

#FALSO: Guarda municipal e PM estão multando quem estiver dirigindo sem máscara em Teresina

O primeiro destaque foi um dos que mais repercutiu e viralizou nos grupos de WhatsApp e, pela máxima de que o que é ruim se espalha mais rápido, era totalmente falso. O material dava conta de que a Guarda Municipal, que tem atuado na fiscalização do cumprimento das medidas preventivas ao coronavírus, estava aplicando multa nos motoristas que estavam dirigindo sem usar máscara. Apontava até a perda de pontos na carteira de habilitação. Informa, ainda, que a multa era de R$ 128,00. Não era verdade. Embora, para muitos munícipes essa talvez seja a única forma de os manter em casa, já em em alguns bairros o índice de isolamento social é baixo e muita gente anda sem máscara.

VEJA A MATÉRIA NA ÍNTEGRA: https://coarnoticias.com/2020/04/29/falso-guarda-municipal-e-pm-estao-multando-quem-estiver-dirigindo-sem-mascara-em-teresina/

#VERDADE: Paralisação de transporte coletivo em Teresina é interrompida. Ônibus voltam a circular nesta terça-feira (28)

As desinformações ganham sempre destaque em grupos de WhatsApp de Teresina. Não por acaso, foi grande o compartilhamento da informação sobre a paralisação dos ônibus em Teresina. A população buscada saber se era verdade ou não. E era. O próprio presidente do SINTETRO, Fernando Feijão, confirmou que houve a paralisação, mas findada ao final do dia, com o retorno às atividades no dia seguinte. Dessa vez, a rápida disseminação da informação acabou ajudando na confirmação do seu teor.

VEJA A MATÉRIA NA ÍNTEGRA: https://coarnoticias.com/2020/04/27/verdade-paralisacao-de-onibus-em-teresina-por-tempo-indeterminado/

#VERIFICAMOS: Leitos de hospital de campanha do Governo são menos estruturados que os da Prefeitura de Teresina?

Leitos do hospital de campanha localizado no Ginásio Verdão (Fonte: Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi)

Quando se une redes sociais, rápida disseminação de conteúdos fabricados e uma pitada de politicagem, aí o problema se agrava. Pois bem, outra checagem que a COAR se debruçou foi sobre uma imagem que está sendo divulgada nas redes sociais com uma legenda afirmando que a estrutura dos leitos dos hospitais de campanha do Governo do Estado é pior do que a da Prefeitura de Teresina.

As imagens como estão sendo divulgadas não provam a realidade dos fatos, já que, até o momento, nenhum hospital de campanha foi concluído. No caso, as fotos mostram apenas macas, não sendo suficiente para que essa afirmação seja verdadeira. A COAR acompanha a construção dos referidos hospitais de campanha: no Ginásio Verdão, no Centro de Treinamento de badminton, na Universidade Federal do Piauí (UFPI) e no local onde funcionava o Lar da Fraternidade, no bairro Ilhotas.

VEJA A MATÉRIA NA ÍNTEGRA: https://coarnoticias.com/2020/05/04/verificamos-leitos-de-hospitais-de-campanha-do-governo-sao-inferiores-aos-da-prefeitura-de-teresina/

SÁTIRA: Vídeo irônico simula diálogo entre prefeito Firmino Filho e senador Ciro Nogueira

Perfil oficial do Prefeito Firmino Filho no Twitter

Um vídeo que viralizou em grupos de WhatsApp com tom satírico simula, ironicamente, um diálogo entre o prefeito de Teresina, Firmino Filho (PSDB), e o senador Ciro Nogueira (PP). A COAR classificou o conteúdo como sátiro, pois tem o intuito de fazer humor, mas com potencial de enganar, já que há pessoas tomando-o como verdadeiro.

VEJA A MATÉRIA NA ÍNTEGRA: https://coarnoticias.com/2020/05/02/satira-video-ironico-simula-dialogo-entre-prefeito-de-teresina-e-senador-ciro-nogueira/

#VERIFICAMOS: Denúncia de ex-vereador sobre contrato de empresa para cavar covas em Teresina

Termo de Ratificação de Dispensa de licitação

Em vídeo bastante polêmico, o ex-vereador Antônio José Lira denunciou que a Prefeitura de Teresina contratou uma empresa para cavar 600 covas para enterrar pessoas mortas pelo novo coronavírus.

VEJA A MATÉRIA NA ÍNTEGRA: https://coarnoticias.com/2020/04/27/verificamos-denuncia-de-ex-vereador-sobre-contrato-de-empresa-para-cavar-covas-em-teresina/

#VERIFICAMOS: Golpes e fakes no WhatsApp de bandidos disfarçados de agentes da Prefeitura sobre Auxílio Emergencial

Mensagem viralizada em grupos

Vários áudios e mensagens vêm sendo compartilhados em grupos de WhatsApp, com informações verdadeiras ou imprecisas sobre o benefício. A COAR elencou que é verídica a de que bandidos disfarçados de agentes da Prefeitura estariam aplicando golpes, oferecendo ajuda para o cadastramento do Auxílio Emergencial.

A Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (SEMCASPI) informa que os atendimentos estão acontecendo, exclusivamente, nas escolas, onde os CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) estão atuando.

VEJA A MATÉRIA NA ÍNTEGRA: https://coarnoticias.com/2020/04/18/verificamos-golpes-e-fakes-relacionados-ao-auxilio-emergencial-em-teresina/

IMPRECISA: Funcionários de empresa de segurança contaminados por Covid-19 em Teresina

Recebemos dois áudios – feitos por uma pessoa não identificada – supostamente um funcionário da empresa de segurança Prosegur, que denuncia que mais de 30 funcionários da empresa estariam contaminados com o novo coronavírus (Covid-19). Ainda segundo o denunciante, os funcionários teriam transmitido para colaboradores do supermercado Carvalho. Diante da denúncia, a COAR categoriza como #imprecisa e explica o porquê.

A Prosegur é uma empresa multinacional de segurança, que possui sede em Madrid. A empresa presta serviços para bancos, varejo, eventos e portos no Brasil. A conduta da empresa em relação ao novo coronavírus foi denunciada na última quinta-feira (23). Uma decisão liminar, proferida na cidade de Eunápoliss, no sul do Estado da Bahia, determinou o fechamento da filial localizada no município. A base da decisão considerou que a empresa de transporte de valores não tomou os cuidados necessários para proteger os funcionários da pandemia.

Segundo o Ministério Público do Trabalho da Bahia (MPT-BA), a empresa conta com cerca de cem empregados em Eunápolis, dos quais nove já foram contaminados pelo coronavírus, além de cinco familiares desses trabalhadores. Outros 17 empregados estão em condição de suspeita. Além disso o MPT-BA cobrou o fechamento da unidade e a adoção de medidas para proteger os demais empregados, tanto dessa unidade quanto das outras 117 existentes em todo o país, incluindo a de Teresina.

Na capital piauiense, a empresa presta serviços ao Grupo R Carvalho. Em contato com o Grupo R Carvalho, a assessoria negou que informação sobre os casos de coronavírus é inverídica e não há casos registrados de colaboradores contaminados em quaisquer um de seus estabelecimentos. A assessoria ainda informou em nota para a COAR, que não compactua com informações falsas com o intuito de causar pânico à sociedade. E que o grupo está tomando todas as medidas de combate ao Covid-19, orientadas pelo Ministério da Saúde.

A COAR também entrou em contato com o Grupo Vanguarda, que através de um comunicado informou que a denúncia não se trata de nenhuma das Unidades Carvalho Super e Carvalho Mercadão. O comunicado ainda ressalta as medidas de prevenção adotadas em todas as lojas desde o início da pandemia. O Grupo reiterou que não há nenhum caso de Covid-19 na equipe. Embora não tenha confirmado se tem contrato ou não com a empresa de segurança Prosegur.

Até o fechamento desta publicação, a empresa Prosegur não respondeu os questionamentos feitos por nossa equipe.

O outro lado

Desde 2019, os empresários Reginaldo Carvalho e Van Fernandes, decidiram após a separação, dividir as lojas que compunham o Grupo Carvalho em: Grupo R Carvalho (pertencente à Reginaldo Carvalho) e Grupo Vanguarda (Pertencente à Van Fernandes). Ambos pessoas jurídicas diferentes, independentes entre si.

Confira os áudios na íntegra:

Escrito por: Gabrielle Alcântara e Marta Alencar

Uso de imóveis particulares no combate à pandemia?

O Piauí é o quinto estado do país com menor número de casos confirmados de Covid-19. No entanto, o Decreto Estadual nº 18.942 do governo do Piauí vem repercutindo no país, principalmente quanto ao seu intuito de combater a pandemia. A iniciativa, tomada no dia 16 de abril, não vem soando de forma positiva para muitos piauienses. Teve até quem usou as redes sociais para acusar o chefe do executivo de se aproveitar da classe empresarial usando como pretexto o momento delicado vivido no âmbito da saúde.

Mas foi a publicação da matéria “Governador do Piauí autoriza servidores a esvaziar casas e desapropriar imóveis” do site O Antagonista, que a decisão do governador Wellington Dias ganhou maior destaque em âmbito nacional. Diante da repercussão do assunto, a COAR observou e analisou o documento, que autoriza a Secretaria de Estado da Defesa Civil (Sedec) a usar de propriedade particular para executar ações de combate ao novo coronavírus.

Alguns usuários vêm chamando o governador de ditador

A COAR entrou em contato o secretário de Estado da Defesa Civil, Geraldo Magela, para esclarecer a respeito do assunto – especificamente sobre o ponto de  autorização do uso de propriedade particular. “Este ponto da autorização de uso de propriedade particular será somente em caso de extrema necessidade. Iremos entrar em contato com os proprietários de imóveis para um acordo quanto ao uso do espaço. Mas enquanto isso, o Governo do Estado utilizará terrenos ou imóveis públicos disponíveis”.


Decreto nº 18.942, de 16 de abril de 2020

O Decreto vai além e autoriza que os agentes da Defesa Civil adentrem em residências para prestar socorro ou para determinar pronta evacuação – neste ponto, alguns usuários piauienses demonstraram indignação com a gestão estadual. O secretário ainda explicou que o governador vai facilitar que os agentes da Defesa Civil entrem nas casas para evitar situações já vividas na Itália e no Equador. Nos dois países, por conta do colapso do sistema de saúde, cadáveres de pessoas acometidas pelo coronavírus chegaram a ficar por dias em residências. No entanto, o número de casos no Piauí é bem inferior em comparação aos países citados.

Para o presidente da Comissão de Direito Imobiliário da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Piauí (OAB-PI), Sílvio Augusto de Moura Fé, a justificativa do secretário Geraldo Magela é vaga e fora de tempo. “Pois, a hora de fazer hospital é agora e não mais tarde. Porque nós estamos no olho do furacão”, disse. Segundo o Dr. Moura Fé, o Decreto Estadual é arbitrário e deturpado em alguns pontos. Principalmente quanto aos artigos terceiro e quarto, que segundo ele, são inconstitucionais.

“O governo está puxando um outro tipo de flagelo para a pandemia. Está se aproveitando e criando um instituto dentro de outro. O governo tem que especificar no corpo da lei, quais tipos de prédios (imóveis) serão suscetíveis para acomodação dos doentes por Covid-19. Essa questão do Decreto é como um cheque em branco para o governo desapropriar qualquer imóvel, porque isso representa desvio de função e abuso de poder. Esse decreto seria para outras questões específicas, não especificamente para esta calamidade pública”, criticou o presidente.

Ainda de acordo com Dr. Moura Fé, é preciso que haja um ajuste no Decreto, porque senão, vai ficar sempre deturpado. No uso de um imóvel particular, o governo deve avaliá-lo. E em seguida, deposita em juízo, o valor que acredita ser do imóvel.

“Se a parte não concorda, ela contesta e faz o laudo imobiliário (por volta de três laudos). No caso de um Decreto desse, não parece que a indenização seria justa. Se for amigo do governador, ele coloca um preço bom, mas se for inimigo, ele coloca outro preço”, declarou.

O presidente da Comissão de Direito Imobiliário da OAB-PI, acrescenta que o Decreto Estadual estaria completamente correto se os artigos fossem específicos sobre quais imóveis seriam apropriados para atender os contaminados, ou seja, estruturas de hospitais de campanha.

“O governador tem o direito de editar qualquer decreto quando quiser. No entanto ele fez algo que vai ter validade, mas que a gente não sabe para quê de fato”.

A COAR também entrevistou a advogada e especialista em Direito Civil e Processual Civil, Direito Previdenciário e Direito do Trabalho, Cândida Araújo, que considera que o Governo do Estado pode sim usar, temporariamente, um imóvel particular pelo perigo iminente. Segundo a advogada, é um regulamento já previsto na Constituição Federal e que deve ser esclarecido de forma detalhada, respeitando o princípio da legalidade. Embora após o uso, o Estado deva pagar uma indenização justa aos proprietários.

“Nesse caso deve ser uma indenização paga de forma posterior e caso ocorra danos conforme a lei determina, e no caso de desapropriações a indenização é prévia e justa, mas dificilmente isso vai acontecer A questão é que, geralmente, os poderes estaduais pagam um valor abaixo do valor que realmente houve de prejuízos no imóvel, ou do valor avaliação de mercado do imóvel”, disse.

Assim como o presidente da Comissão de Direito Imobiliário, a advogada apontou que o artigo terceiro do Decreto Estadual, é vago e impreciso.

“A obscuridade do Decreto é notória. Além do mais, este artigo em questão não está detalhado e futuramente pode ser questionado judicialmente e inclusive é inconstitucional, por não explicar de forma coesa como seria os procedimentos de requisição ou até mesmo de desapropriação. Além dele, discordo do artigo 4, pois ele deveria ter trago a regulamentação de quais serviços irão ser contratados sem licitação. Ou seja, em relação às contratações sem licitação o artigo é, também, impreciso”, argumentou.

Outro ponto interessante do documento, segundo a advogada, é referente à retirada de pessoas de propriedade particular em áreas de risco.

“Quando falamos dessa desapropriação temos implicações decorrentes disso como o direito de pertencimento à cidade. É feito de forma urgente pela necessidade, mas como se darão essas retiradas? Posteriormente, essa comunidade vai poder voltar? Como vai ser a adequação para o retorno? Não existe nada sobre isso no Decreto. É necessário debater e repensar tudo, uma vez que não adianta legislações serem feitas à ‘galope’ cobertas de arbitrariedade ”, finalizou a advogada.

Escrito por: Marta Alencar e Wanderson Camêlo

A COAR é uma iniciativa, genuinamente piauiense, apartidária e imparcial, que preza pela transparência das fontes, do financiamento e da organização, com uma política de correções aberta e honesta. Até o momento, decidimos não receber nenhum tipo de financiamento.

Áudio alertando sobre máscaras contaminadas distribuídas no Piauí

Um áudio com tom alarmista vem circulando, na última semana, nas redes sociais. Trata-se de um conteúdo feito por uma mulher – não identificada – que afirma que máscaras contaminadas, vindas da China, estão sendo distribuídas em residências por profissionais de postos de saúde. Ainda segundo o áudio, seria um lote de 600 milhões de máscaras.

“Irmãs, pelo amor de Deus. Se chegar pessoas na porta de vocês com máscaras que o posto de saúde, o governo municipal e estadual está mandando para que todo mundo use, não peguem essas máscaras que tá vindo pelos postos de saúde. Porque essas máscaras, foi comprovado agora, foi a maior descoberta, todas estão vindo contaminadas da China”, diz a mensagem.

No áudio, a mulher ainda aconselha que os trabalhadores da área da saúde não usem as máscaras distribuídas nas unidades de saúde pública, sejam elas do âmbito municipal ou estadual.

“Eu soube de fonte segura que todas as máscaras, 600 milhões, que vieram da China estão vindo todas contaminadas pra justamente o país chegar ao caos”, disse no áudio.

A COAR apurou o áudio e ressalta que a primeira informação equivocada é a declaração da mulher ao afirmar que “…uma fonte segura”, mas que informação é esta? Caro leitor, sempre duvide de conteúdos ou mensagens que não dizem a fonte. É bom também enfatizar que o Ministério da Saúde não iria de forma alguma distribuir Equipamentos de Proteção Individual (EPI) sem os devidos cuidados.

Outro ponto verificado pela COAR é que o mesmo áudio vem sendo distribuído em vários estados, tendo sido investigado por sites de checagens e de notícias: UOL, Cada Minuto, Estadão, Projeto Comprova e Boatos.org. Inclusive o Projeto Comprova verificou um áudio de um homem que também repassou as mesmas informações da mulher não identificada.

A COAR entrou em contato com a Secretária de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi), que alertou que a informação é totalmente falsa e enganosa. Segundo a Sesapi, não está acontecendo qualquer tipo de distribuição de máscaras em residências. 

O vírus pode vir em uma carga da China? 

No dia 8 de abril, o Ministério da Saúde anunciou ter comprado da China 240 milhões de máscaras para proteger os profissionais de saúde que atendem pacientes com a Covid-19. Desde o anúncio, boatos sobre contaminação de máscaras têm circulado em aplicativos de mensagens e em grupos de redes sociais no país.

Diante das inúmeras desinformações sobre as máscaras vindas da China, a COAR entrevistou o doutorando em Biologia Parasitária, Raimundo Leoberto, que explica que os vírus só são capazes de sobreviver no interior das células. “Não tem como isso ser verdade, porque os vírus são parasitas intracelulares obrigatórios, o que significa que eles sobrevivem, especificamente, dentro de células. Porque eles precisam de células para poderem se replicar e contaminar outras células. É assim que se origina a patogenia da doença”, disse.

Leia mais: #FALSO: Doutorando em Biologia Parasitária, entrevistado pela COAR, desmente que vírus está sendo utilizado em testes rápidos da Covid-19

Um estudo publicado por pesquisadores dos Centros dos Estados Unidos para Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Universidade da Califórnia, Los Angeles e Princeton, avalia o potencial de sobrevivência do coronavírus fora das células, em determinadas superfícies. Confira algumas delas: 

  • Aço inoxidável: 72 horas
  • Plástico: 72 horas
  • Papelão: 24 horas
  • Cobre: 4 horas

Considerando a logística envolvida para transportar uma carga entre a China e o Brasil, o tempo de chegada no destino seria de aproximadamente uma semana. Além disso, o vírus experimentaria variações bruscas de temperatura, o que impossibilitaria sua sobrevivência.

Lotes de máscaras para o Piauí

O Governo do Estado recebeu, na sexta-feira (17), um novo lote de 20 mil máscaras N-95 para reforçar o estoque de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) usados pelos servidores da saúde. De acordo com informações da Secretaria de Saúde já foram distribuídas 16.053 unidades de máscaras N-95 para os hospitais do Piauí.

A Sesapi está aguardando mais uma remessa de 20 mil máscaras N-95 para os próximos dias, além de outros kits de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

Máscaras caseiras 

No início do mês, o Ministério da Saúde já havia alertado da escassez de máscaras no mercado. O uso delas fica reservado a profissionais que estão atuando na linha de frente no combate à pandemia. Devido essa escassez, o Ministério recomenda às pessoas que precisarem sair de casa que façam máscaras caseiras.  

No entanto, a máscara caseira precisa seguir algumas especificações simples. De acordo com o Ministério da Saúde, é preciso que a máscara tenha pelo menos duas camadas de pano, ou seja dupla face. E mais uma informação importante: ela é individual. Não pode ser dividida com ninguém.

As máscaras caseiras podem ser feitas em tecido de algodão, tricoline, TNT ou outros tecidos, desde que desenhadas e higienizadas corretamente. O importante é que a máscara seja produzidas nas medidas corretas cobrindo totalmente a boca e nariz e que estejam bem ajustadas ao rosto, sem deixar espaços nas laterais.

Quer aprender a fazer uma máscara? Acompanhe as dicas do Ministério da Saúde no site oficial.

Informações do E-Coar

COAR é uma iniciativa, genuinamente piauiense, apartidária, que preza pela transparência das fontes, do financiamento e da organização, com uma política de correções aberta e honesta. Até o momento, decidimos não receber nenhum tipo de financiamento. A própria equipe financia o projeto, porque acredita na relevância do mesmo para o Piauí.

Escrito por: Igor Macêdo e Marta Alencar

Imagem fora de contexto de Bolsonaro rezando pelos brasileiros diante dos casos da Covid-19

Por: Leonardo Lima e Marta Alencar

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se declara católico, mas corteja o eleitorado evangélico. Isso todo mundo já sabe. Inclusive uma imagem do presidente ajoelhado em uma igreja católica vem circulando nas redes sociais, atribuída ao período de pandemia do novo coronavírus. Embora a imagem seja verdadeira, a COAR classifica como totalmente fora de contexto.

Muitos seguidores de Bolsonaro creditaram que a imagem representa o presidente orando pelos brasileiros diante dos casos da Covid-19.

A imagem foi tirada no dia 05 de janeiro de 2020 em uma visita de Bolsonaro a Catedral Metropolitana de Brasília. Bolsonaro ficou poucos minutos no local, depois partiu para a Esplanada. Nesse mesmo período ainda não tínhamos registros do surto da Covid-19 no Brasil. Até porque o primeiro registro no país foi em 24 de fevereiro.

O chefe do Executivo, embora seja batizado em uma cerimônia evangélica em 2016, no rio Jordão, continua se declarando católico; enquanto sua mulher, Michelle Bolsonaro, considera-se evangélica.

Vírus está sendo utilizado em testes rápidos da Covid-19?

Por: Wanderson Camêlo

É possível usar vírus em testes rápidos para coronavírus, fazendo assim com que os conteúdos sejam contaminados? Isso é falso, ao contrário do que diz um print que circula nas redes sociais. A COAR entrevistou o doutorando em Biologia Parasitária, Raimundo Leoberto, para esclarecer o boato.

Perfil frequentemente compartilha desinformações

O conteúdo compartilhado pelo perfil do especialista em investimentos, Leandro Ruschel, no Twitter (mais de 375,5k seguidores), dizia: “Teste chinês que não funciona é coisa do passado. Agora ele está vindo com vírus, para dar uma forcinha na epidemia”. Na publicação, o perfil menciona a manchete de um portal Evening Standard do Reino Unido. O título da notícia, traduzida para o português, diz: “Kits de teste de coronavírus que estão indo para o Reino Unido estão contaminados com a Covid-19”.

Segundo Leoberto, essa possibilidade de contaminação dos testes não existe. “Teste rápido ineficiente: verdadeiro. Vírus usado no teste: falso. Pode ser que um ou outro possa ter vindo contaminado, mas usar vírus em teste rápido não confere”, assegurou ele.

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Doutorando em Biologia Parasitária, Raimundo Leoberto.

“O que acontece é que alguns testes rápidos da China estavam vindo com uma eficiência muito reduzida (algo entre 30 e 40%) e o ideal é ter uma eficiência de no mínimo 80%. Então, não é que ele não funcione, é só que o resultado dele não é de confiança, pelo menos pra esse primeiro lote comprado. Agora isso do teste vir com o vírus, não tem nem cabimento… Os testes rápidos funcionam como se fosse um teste de gravidez. Só que, ao invés de detectar o hormônio beta-HCG, ele detecta o anticorpo do corona. Então não tem nada a ver ter o vírus no teste”, acrescentou o biólogo.

A COAR não encontrou nenhum site brasileiro de notícias que tenha repercutido a desinformação sobre a contaminação de vacinas em testes da Covid-19.

VERIFICAMOS: Governo do Piauí não alugou o Verdão

A COAR na manhã de hoje (02), teve acesso a uma mensagem compartilhada em grupos de WhatsApp informando sobre a concessão de alguns espaços da capital por entidades empresariais e governamentais para a construção de hospitais de campanha para o combate à Covid-19.

Segundo apuração da COAR, a informação é falsa em vários aspectos, inclusive distorce informações oficiais dos dois órgãos. Primeiramente, é totalmente infundada a informação de que o governador Wellington Dias iria alugar o Ginásio Esportivo Dirceu Arcoverde, o Verdão. A verdade é que a posse do espaço continua sendo do Governo.

A COAR entrou em contato com a assessoria da Superintendência de Parcerias e Concessões (Suparc), que é responsável junto a Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (SESAPI), pela estruturação do projeto de instalação do hospital. Em nota concedida, a Superintendência explica não pagará aluguel para o uso do Verdão, pois o mesmo ainda faz parte do Estado, e que serão pagos apenas os serviços prestados pela empresa Progen, de São Paulo, a qual irá implantar a estrutura temporária.  

Informações equivocadas compartilhadas em grupos de WhatsApp

Segundo o Governo do Estado, a implantação de um hospital de campanha segue modelo aplicado em várias cidades pelo mundo e foi deliberada em reunião do Comitê Gestor de Crise do Governo do Estado. A escolha pelo Verdão para abrigar essa estrutura levou em conta aspectos técnicos como disponibilidade, localização estratégica, estacionamento próprio e as várias salas de apoio existentes dentro do ginásio, entre outros atrativos. Essa contratação obedece às formalidades do Decreto Estadual de Calamidade Pública, por conta do avanço da pandemia do novo Coronavírus no Piauí.

Convém informar que em janeiro de 2019, o grupo piauiense SIM venceu a licitação promovida pela Superintendência de Parcerias e Concessões (SUPARC), do Governo do Estado, para administrar o Ginásio Verdão, principal praça de eventos esportivos do Piauí, localizado no Centro de Teresina. O acordo segue o padrão de Parceria Público Privada (PPP).

Construção de hospitais em Teresina a todo vapor

No dia 26 de março, a COAR desmentiu uma informação que estava sendo compartilhada em grupos de WhatsApp  que o Grupo Claudino iria construir Hospital para pacientes da Covid-19 em Teresina. Na verdade, o Grupo Claudino cedeu o espaço para que a Prefeitura pudesse equipar e fazer as adequações necessárias para receber pacientes de casos mais leves da Covid-19.

Embora o Grupo Claudino tenha cedido o espaço, a Prefeitura avaliou que haveria uma demora na conclusão da estrutura, por isso decidiu por outros locais para abrigarem os hospitais e descartou a possibilidade de ser no antigo Supermercado Bom Preço, na Avenida Frei Serafim.

No início desta semana, o prefeito Firmino Filho confirmou que Teresina terá dois hospitais de campanha: um na quadra de Badminton da Universidade Federal do Piauí (UFPI), que contará com 84 leitos de internação, duas de estabilização, posto de enfermagem e setor de triagem. O outro no Lar da Fraternidade, que terá 35 leitos de internação e 01 de estabilização.

Escrito por: Leonardo Lima e Marta Alencar